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Volta prá tua terra! Bom dia Aula Magna, e queria dizer que a ciganolândia não existe!
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Sou portuguesa, sou mulher e sou cigana.
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Quem sou eu? Cresci numa família tradicional portuguesa, uma cultura cheia de bons princípios
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e valores, onde a união e a concorrência são notáveis no nosso meio. O que é que
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eu posso dizer? Vou dar aqui um pouco um contexto do que é que é ser cigana. Acredito que
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muitos de vós têm algumas ideias já pré-concebidas, não basicamente do que é que é isto e como
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é que é a realidade. Eu vou contar apenas a minha realidade e gosto sempre de mencionar
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que eu não represento todas as mulheres ciganas. Existem muitas outras histórias que são
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diferentes da minha e é que o que eu estou a dizer agora também vem cobrar um pouco o estereótipo de que
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todos os ciganos são iguais. Nem todas as mulheres ciganas são iguais, nem todas as mulheres ciganas tiveram a prioridade
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para si. Fui levada para ser boa mãe, boa esposa, boa dona de casa, boa mulher. Fui
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levada para casar e servir a família. Com 14 anos já trabalhava em casamento e foi
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assim até toda a minha adolescência. Não sei se alguém nessa fase da etária tem de
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casar neste momento. Por norma, na comunidade cigana, atualmente o sistema não permite
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os casamentos por parte. Mas existe uma questão familiar e social que é quase como me interessar
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indiretamente. Uma mulher cigana é educada para ter família e a educação, digamos,
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não tem muita importância no seu familiar. Existem muitos jovens hoje em dia que sabem
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de tudo, mas ainda são muito poucos no país inteiro. Então, eu acho que mais ou menos
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andam uns 35 a poucos no país inteiro. Então, são muito poucos. Como é que é ser uma
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mulher cigana? Ser mulher numa sociedade cultural é difícil, mas ser mulher cigana é um desafio
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ainda maior. Mas é um desafio como em todas as culturas existe, não é? E em Sábado
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a noite é quase um desafio. Digamos que eu não pude ter relacionamento de amizade, não
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pude estar sozinha à rua, por exemplo. Vão haver aquelas vezes em que vocês pedem aos
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pais para ir a um concerto, ou até mesmo ao cinema. Isso comigo não existia. Acho
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que hoje em dia não se tem, não é? Mas não, isso não existia, porque tinha que
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ser conseguida ao máximo. Tive que avançar a escola, eu tinha 18 anos e ainda tinha,
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digamos, o 9º ano de escolaridade. Consegui fazer o 9º ano, mas com bastante esforço,
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sempre a insistir e a bater o pé e a estudar. Tudo à minha volta vivia numa vergonha. E
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aqui nós entramos na parte da identidade. Como japonesa nacional na população, eu
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sou licenciada em Cultura e Comunicação. Trabalho em Curitiba desde os meus 9 anos,
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mais ou menos, na área de Artes Social e Audiovisual. Era sempre uma área que eu gostava
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imenso, mas que infelizmente eu não pude estudar na altura, mesmo que eu acedi várias
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vezes, eu não conseguia ter essa oportunidade, mas mais tarde, pelo meu esforço e dedicação,
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eu consegui então entrar na área com o 9º ano de escolaridade. O nível da informação
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a licenciar só demonstra que não é o canudo, não é o lugar onde se encontra, não é
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o seu passado, o seu destino, o seu sucesso, mas sim a sua discriminação. Eu costumo
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dizer que eu e tu somos os únicos responsáveis pela situação em que nos encontramos.
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Tu não és nenhuma vítima, se não estás bem no lugar onde estás hoje, se não gostas
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da situação em que te encontras, então vai e faz o que queres, porque tu és o único
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responsável e culpar os outros sobre a situação em que nós nos encontramos é não assumir
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a nossa própria responsabilidade. Estão comigo? Ok!
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Era engraçado porque foi-se que na altura perguntavam-me, então mas o que virás para
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ser? E eu olhava-me estresseada, infinitamente amarrada, com muita esperança de que eu não
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tirei nada. Foi simplesmente voluntariado, experimentar, ganhei experiência e a partir
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daí pela experiência consegui então continuar na área que eu gosto. Actualmente sou autora
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do programa Muitos de Alvandade, sobre a comunidade portuguesa, podem assistir no Spotify, que
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consiste em construir estereótipos acerca da comunidade portuguesa.
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Então, identidade. O que é que eu quero falar sobre isso de identidade?
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Eu sei ver o que é que vai acontecer com a minha história. Até hoje em dia a adolescência
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é na verdade uma fase bastante complicada, porque todos os problemas se tornam uma dimensão
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maior. Essa é a realidade, o que se faz na adolescência quando tirás a identidade que
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vais ter. Então, todos os problemas se tornam uma dimensão maior e é o fim do mundo.
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Então, eu vivia no macodôma, no início da minha volta, onde nós fomos muito influenciados
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pelo ambiente onde nós nos encontramos. Eu vivia no macodôma dentro da comunidade, onde
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todos falavam da mesma forma, todos pensavam da mesma forma e todos viviam da mesma forma.
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E a minha questão era, mas por que é que eu não sou normal? Na verdade, duas perguntas
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eu tenho de ser normal agora. A primeira não é bastante desafiadora, já não sabemos bem
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o que é que é o que, mas isso seria outra conversa. Então, eu me cheguei a perguntar
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por que é que eu não era normal e queria, basicamente, tornar-me mais uma pessoa acomodada
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a tradições de gerações inteiras. Mas é possível, nós temos de saber alguma coisa.
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E durante esse tempo, um tempo em que houve alguns desesperamentos, houve até um tempo
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de revolta, mas que hoje eu consigo perceber, e que vem a ser em seguida.
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Tens de ver algo que nunca fizeste e faz algo que nunca fizeste.
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Nós não podemos querer continuar, cria-te a vontade de crescer, mas continuamos sempre
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a fazer as mesmas coisas. Então, se tu queres ter alguma coisa diferente, tu tens de agir
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e estar nas tuas mãos, ser um agente de mudança da tua própria vida e daqueles que te rodeiam.
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Pessoas que não sabem quem são, não impactam muito. O que é que eu quero dizer com isso?
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É necessário que tu sabestes quem tu és. É necessário que tu te sinas.
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Nós vivemos numa sociedade em que vem contida muita informação e tu tens duas opções.
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Ou podes te sinar porque é que é assim, ou podes simplesmente adotar o padrão comportamental
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do geral e assumir como a tua verdade. Diz-nos uma. Se tu te sinas, tu vais entender o porquê.
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Vai fazer com que tu hajas convicções e não por obrigação. Quando tu assumes um
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padrão comportamental como a tua verdade, tu estás ali por obrigação. Estás-te a
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tentar se tornar como alguém. E foi isso que eu quis fazer e considero-me alguém que
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não se acomoda com tantas instituições diferentes e atendido que também sou muito
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atento a libertar esse ciclo de prisão ou de histórias sensíveis de gerações
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inteiras. Então eu acredito que fui chamada para abrir portas para as gerações futuras
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para que todas as pessoas que tiverem vontade não me possam impedir de ser voz. Eu acredito
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muito nisso. E por isso é que eu volto a dizer que pessoas que não sabem quem são
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não impactam muito. Só podes sermos ruins quando tu sabes quem tu és. Então é uma
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descoberta que é feita e aí encontras o seu lugar. E não tem mal nenhum estar bem
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no seu lugar. Tem mal sim estar bem o suficiente, com o que sabes o suficiente para não ter
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problemas de conforto. Por fim, a sensação. Acho que fiz bem. Achei que tinha falado sobre
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isso. Então, qual foi que o ponto chave de ter concluído? Eu posso aguentar e perguntar
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ok, isso é tudo muito bonito, mas como é que se dá a saber? Houve um momento na minha
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vida em que eu disse que a vida não pode ser somente isso. A vida não pode ser só
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levantar-me, arrumar a casa, cuidar da casa, da família e esperar, esperar que a noite
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venha para voltar a dormir e amanhã voltar a fazer a mesma coisa. Seria impossível.
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Eu acreditava muito que havia um propósito nisso. E acredito muito, e aprendi também
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que temos que entender, e foi uma mensagem que eu fazei, temos que entender que não
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se trata tudo acerca de nós, mas tudo acerca de todos. Pode não ser dito assim, mas sim
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muito acerca de todos. Então, o meu profil é que eu possa ter também essa coragem,
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e vai haver muitas vezes em que tu não vais ver o que é que está lá à frente, vai haver
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muitas vezes em que parece simplesmente que temos as lentes sujas e simplesmente eu consigo
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limpar essas lentes e conseguir com clareza que há coisas que tu não vais conseguir,
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mas ainda bem que não vais conseguir que tu possas ver alguma coisa. Se eu soubesse
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as dificuldades que eu queria, que eu fiz em todo o percurso de mudança, eu nunca teria
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sido hoje a dia de dar um passo em frente. Eu não sei se vocês acreditam em Deus, ou
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acham que é o carma, é a vida. Podem dar o nome que vocês quiserem. No meu caso, eu
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acredito em Deus, e antes de eu não falar disso na minha história, eu posso dizer-vos
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uma coisa, que muitas vezes no meu caso Deus não mostrou o que estava à minha frente,
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aquilo que eu queria passar, e foi como se eu tivesse que subir uma escada de grau a
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de grau, para que depois lá eu pudesse olhar para trás e dizer, ok, estou bem e sou grata
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por isso. É como se eu tivesse tido uma curagem que não vinha de mim, mas que vinha de Deus.
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Eu não sei quanto a vocês, mas essa foi a minha realidade. Eu tive que ir contra tudo
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aquilo que eu acreditava, e contra tudo aquilo que me tinham ensinado. Imaginem jovens de
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8 anos, na altura eu tinha de 8 anos, sem dinheiro, sem formação, sem apoio da família,
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sem amigos, porque não os fui construindo, sem nada, sem casa, sem trabalho. Imaginem
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isso no cenário, com os 8 anos, e sentia que tudo era um esforço, não sei se vocês
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já sentiram isso, mas eu sentia que tudo era um esforço, que toda a gente à minha
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volta tinha de tudo, e naturalmente eu tinha de esforçar-me por tudo. A primeira coisa
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que eu fiz, que há muitos de vocês já sabiam, mas como era, por exemplo, baixo colar, eu
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não sabia, então eu fui para a faculdade, ou entrei nas maiores universidades, já não
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considerava ver a minha carreira na faculdade. Mas eu na altura não tinha dinheiro, então
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tinha de trabalhar para ter dinheiro. Entrei nas maiores universidades, já não considerava
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ver a minha carreira, e lá, principalmente, tudo o que as pessoas sabiam na escola, eu
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tive que estudar a de um grau para conseguir saber aquilo que elas já sabiam, coisas básicas
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coisas básicas que elas já sabiam, mas eu tive que trabalhar lá. Então, essa foi a
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minha ação durante a vida, para que eu pudesse ter um fundo diferente na minha vida. Por
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isso, o meu desafio é, não sei deste nome, mas acho que é o desafio. Se eu já posso
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apelar logo, mas não é direito, alguém há de dizer isso. Então, um dos desafios é
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que se conhece os Estados Unidos, porque essa coisa do costume, do posto, do emprego
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interessante, eu tenho que me calmar, isso não é decisão de século, não é decisão
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de século. Se conhece os Estados Unidos, em cada realidade há coisas que tu simplesmente
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não vais conseguir fazer, tu queres viver assim. E nós estamos muito habituados a fazer
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comparações, principalmente hoje em dia neste processo, fazemos muitas comparações,
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porque assim, o que é ideal é uma ilusão, e eu sei de uma pessoa que costuma dizer,
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de ilusão é muito bom, queres ter esse final de uma ilusão. Então, aceita o processo,
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o processo é muito difícil, e hoje em dia há um monte de pessoas que dizem que o final
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do processo é muito difícil, mas muitos querem ter sucesso, muitos querem ficar lá
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no meio, a falar uma frase, um salto, um pouco de coisa, mas muito poucos querem passar pelo
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processo. Eles querem o sucesso, mas não querem o sucesso. Por isso, aceita também o sucesso,
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e muito poucos querem ser uma filha, então é isso que a gente tem que fazer, é isso que
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a gente tem que fazer, é isso que a gente tem que fazer, não pode ficar lá.
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E...
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Obrigada por ter vindo.
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Obrigada.
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Obrigada a todos.
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Obrigada, obrigada.