0:00
Então, vamos falar destes 100 milhões de pessoas, que tal como nós, procuram um lugar
0:28
para o qual se chamar casa. Mais de 100 milhões de pessoas são forçadas a sair das suas casas.
0:34
Foi aquilo que acabamos de ouvir. Por causa de conflitos, por causa da guerra, por causa da fome.
0:39
Existem hoje 134 conflitos ativos em todo o mundo. O ano passado, mais de 200 mil pessoas perderam a vida.
0:50
É por isso que estas pessoas partem, famílias destroçadas, pessoas sozinhas, em busca de um sonho.
0:58
A Guiné Conácria também um destes sítios no mundo onde se vive tensão e foi aí que nasceu o nosso querido boy,
1:06
que temos hoje aqui o prazer de ter conosco, que é uma pessoa extraordinária que vai partilhar a sua história.
1:11
Boy, fala-nos de ti, como é que foi nascer na Guiné?
1:16
Antes de mais, muito obrigado. Meu nome é Boy Diallo, eu sou da Guiné Conácria.
1:22
Não falo francamente, porque claro que quando falo, notas logo, o sistaque francês.
1:29
Fala lindamente. Uma salva que vamos para o boy.
1:36
Obrigado. Eu sou o boy, nasci como já disseram em 2001 na Guiné Conácria, sou mais velho de três irmãos.
1:45
Tive uma infância muito feliz e tive um curso colar, como todas as outras crianças, até aos 16 anos.
1:53
Sempre vivi com os meus pais e com os meus dois irmãos mais novos.
1:58
E não vou entrar muito durante essa fase da vida, porque se também dava uma outra história,
2:04
mas eu só vou contar aqui os momentos mais marcantes daquela fase da vida.
2:09
Lembro-me apenas que o meu pai nos levava sempre o pedo mar e onde supostamente tudo era calmo,
2:16
onde as crianças podem brincar, e ele explicava tudo aquilo que eu fazia na altura com ele.
2:23
Ele explicava tudo isso com muita tranquilidade e com muita inspiração.
2:29
Hoje em dia guardo tudo isso, esse momento da minha memória e aquele sentimento que ele fazia sentir em mim.
2:38
Durante esse tempo, os meus pais sempre acreditaram em mim e disseram que eram capazes de alcançar os meus objetivos de vida,
2:46
tendo em conta a situação do país onde nasci na Guiné Conácria.
2:51
Há muitas diversidades culturais, há muitas etnias, mas sempre eles acreditavam essa mudança.
2:58
Os meus pais sempre ensinaram a minha fé de acreditar, a fé da esperança,
3:03
e sobretudo a fé de lutar para concretizar os meus objetivos.
3:09
Na altura, a Guiné Conácria vivia-se com situações de política muito complicadas e havia diariamente manifestações.
3:18
Cada vez que abriam minhas anelas, havia essas cenas que estão a aparecer aqui nas imagens.
3:26
Essas imagens são as imagens que foram tiradas, que aconteceram mesmo em frente da minha rua.
3:32
Eu não sei se conseguem imaginar viver com essa angustia,
3:36
saber que tudo poderia acontecer em qualquer momento, em qualquer situação.
3:42
Nós não poderíamos sair de casa e não poderíamos também ir à escola,
3:47
porque se reparassem naquela imagem que está no meu lado esquerdo,
3:51
foi um dia em que nós caminhamos às escolas e começaram logo as manifestações todas.
3:57
As pessoas começaram a gritar, vão tudo para casa e começaram novamente as manifestações,
4:02
porque as polícias resolviam a situação a tirar-me sobre a população.
4:08
Boa, deixamos só de fazer uma pergunta. Estas fotos foram tiradas por ti?
4:12
Sim, essas fotos foram tiradas por mim e foram publicadas nas redes sociais e também no Facebook.
4:18
Se quiserem poder encontrar algumas fotos no Facebook ou nas redes sociais.
4:26
E foi nesse momento que tu sentiste que era preciso encontrar outros sitios.
4:30
Passa a tua família?
4:32
Naquela altura, vivia com os meus pais, mas em 2003 perdi uma das pessoas mais importantes na minha vida
4:39
e naquela altura senti-me completamente desesperado e o meu futuro estava em risco.
4:44
E não sei se conseguem imaginar perder uma pessoa que era aqui um pilar da minha vida
4:50
que me incentivava, que me dizia sempre ok, o caminho por aqui é o estudo.
4:55
Se quiser ser essa pessoa que possa fazer parte da mudança que tu quer ver nesse mundo.
5:00
E senti completamente desesperado, mas a minha mãe foi fundamental e acompanhou-me
5:06
e conseguiu acender essas luzes de esperança que já estavam quase apagadas em mim.
5:11
E na altura em 2015 começaram e seriamente as manifestações.
5:17
A minha mãe foi naquela altura que decidi de abandonar Guineconacri e fomos para Guinebissau
5:23
para que o seu fio pudessem continuar o seu estudo.
5:26
E mais na Guinebissau, a minha mãe não conseguia ter essa tranquilidade
5:31
e na altura lembro disso, ela sentou comigo e disse que teríamos de voltar novamente para Guineconacri.
5:39
E nessa noite não consegui parar de pensar nessas palavras da minha mãe e disse para mim mesmo
5:44
e tinha duas opções, continuar a viver com ela
5:48
ou levantar-me no tarde para alcançar o meu objetivo, ter uma vida melhor
5:53
e um dia ser presidente de Guineconacri para melhorar a situação do país onde nasci.
5:59
E foi esse sonho, foi esse propósito que fez então partir nessa noite?
6:12
Foi exatamente esse sonho que ajudou a refletir também porque queria ser essa pessoa,
6:20
queria fazer a parte da mudança.
6:22
E nessa noite tomou essa decisão muito difícil de abandonar tudo, cortar as minhas reis,
6:28
cortar essa lei que condenava a minha infância feliz que já fui
6:33
e tomou essa decisão de sair sem dizer nada a ninguém da minha mãe e dos meus irmãos
6:39
e fui para o Senegal, onde premenasse três meses, mas em Senegal não encontrei
6:45
aquele sentido e propósito da vida que eu procurava, fui para a Mauritânia
6:50
e a Mauritânia tive a oportunidade de estudar mais é na Escola Corrânica, sou musulmano
6:56
e houve uma altura e percebi que esse ensinamento não ajudaram para alcançar os meus objetivos
7:03
e embarquei-me numa outra viagem muito difícil, mais de 20 pessoas numa camioneta de caça aberta
7:10
e atravessar o deserto do Sahara para chegar em Marrocos.
7:14
Boa, deixamos só fazer-te uma pergunta porque eu tenho certeza que a maioria das pessoas
7:17
que aqui estão nunca tiveram que atravessar o deserto, que atravessar tantos países para chegar
7:22
a um lugar onde pudessem viver em segurança.
7:25
Explica-nos o que é que podemos ver nestas imagens que estão agora a ser projetadas.
7:29
As imagens são pessoas que já passaram pelo processo, que foram obrigadas mesmo a sair do seu país
7:36
que estavam a tentar fazer essa travessia e, durante essa viagem, cada um de nós tinha o direito
7:42
de levar cinco litros d'água por uma viagem que poderia virar um mês, uma semana, três dias,
7:49
depende da sorte que as pessoas tiveram e também sabíamos que se alguém ficasse por fora
7:55
e seria entregasse mesmo e o motorista não pararia.
7:59
A posição em que era moncentada era horrível e foi uma viagem mesmo muito difícil
8:06
dirantar viagem às pessoas que já tinham tentado fazer aquela travessia
8:10
e não conseguiram, explicavam cada quilômetro, explicavam as histórias e diziam que ok,
8:16
aquela quilômetro que nós avançávamos e viemos osso das pessoas que já tinham tentado fazer aquela travessia
8:22
e não conseguiram. Não sei, hoje, quando lembram tudo isso, fez-me sentir extremamente pequeno
8:28
e não sei se consegui imaginar, viver com a morte na sua frente, eu ali
8:35
e não tinha certeza se ia conseguir também atravessar o deserto até chegar a Marroques.
8:42
Mas, felizmente, chegamos tudo em Marroques, saímos em Salvo.
8:46
Eu acabei ok, já acabou, porque o Marroques é um dos países mais desenvolvidos do meu país.
8:52
Eu pensei assim ali que ia voltar a estudar e para concretizar
8:58
é só o objetivo que eu tenho, mas é Marroques.
9:01
Sufri bastante de discriminação do racismo e passei por vários momentos de dificuldades
9:08
e nunca mais me esqueci do meu objetivo, que era voltar à escola e estudar
9:15
e um dia fazer parte da mudança que eu quero ver no mundo.
9:19
Durante esse tempo que eu vivi em Marroques, um dia decidi ok e tenho que seguir outro rumo
9:26
que era a única alternativa que tinha nesta altura é arriscar novamente a minha vida
9:31
e atravessar o mar para chegar à Europa.
9:35
Fiz essa tentativa com mais de 48 pessoas, é um bebê.
9:39
Durante essa viagem morreu uma jovem que tinha por volta de 15 anos
9:44
por ter caído dentro d'água e não sabia nadar.
9:47
Na verdade arrisquei porque não sabia nadar e foi muito difícil.
9:54
Foi uma viagem muito longa e muito dolorosa.
9:57
E mais felizmente cruzamos com o barco da equipa de salvamento
10:02
que salvavam as pessoas dentro do mar na altura.
10:06
E seguei à Espanha e depois...
10:10
Vou-te só pedir uma coisa.
10:12
Tu falaste aqui da travessia do deserto, desta dificuldade, desta aridez, desta dor
10:17
e falaste da travessia do mar onde acabaste por ver assistir à morte de uma jovem de 15 anos.
10:22
Eu acho que nenhum de nós imagina aquilo que tu traz sentido e experimentado
10:26
mas também a força e, se calhar, o desejo de poder ser hoje
10:31
também testemunha-te que é possível
10:34
e, se calhar, também lembrar todos aqueles que ficaram para trás.
10:38
Por isso eu acho que até nos permitam que possa convidar
10:41
que façamos aqui um minuto ou um poucos segundos de silêncio
10:45
porque são tantas as pessoas que fazem estas jornadas na busca, na procura de um sonho
10:50
mas também tantas que acabam por perder a vida neste percurso.
10:53
Então, eu acho que merece a pena fazermos aqui uns segundos silêncio
10:57
para termos consciência disso, mas também para honrarmos todas estas pessoas.
11:09
Quando tu tiraste esta fotografia, quando aliás, esta fotografia foi retirada
11:13
podemos ver pelas expressões que não vemos ali ainda a esperança, não vemos ali nenhum alento
11:18
apesar de ter sido tirada pela equipa de resgate
11:21
mas vocês não sabiam que isso era assim, podia ser a polícia.
11:25
E se isso acontecesse, o que seria o desfaz?
11:29
Na altura, quando cruzamos com a equipa de salvamento
11:33
nós ficamos, se reparassem, o barco ficou mesmo parado
11:38
ficamos tudo parado porque não poderíamos andar
11:41
e tínhamos tudo medo porque não tínhamos a certeza
11:44
se era um barco da equipa de salvamento
11:47
ou o barco da equipa de polícia maritina marroquina
11:51
ou é a polícia, porque se for com a polícia
11:55
nós poderíamos voltar para trás e nós tudo tínhamos medo
11:59
de isso não acontecer, mas à medida que vão aproximando da nós
12:03
e percebemos que era equipa de salvamento
12:06
depois ficamos ali parado e desligamos o motor do barco
12:10
e fomos tudo tirado dentro do mar.
12:15
E então chegaram a Espanha?
12:18
Mas esse não foi o teu destino final?
12:21
Por que? Qual era o destino?
12:24
Normalmente quando eu cheguei a Espanha
12:27
tinha direito de ficar a Espanha ou escolher um país
12:30
que eu poderia viver dentro da Europa
12:33
foi na altura em que eu comecei a pensar
12:36
depois de passar tantas dificuldades, tantas discriminações
12:39
sobretudo queria em primeiro lugar viver em paz
12:42
então onde que as pessoas olhassem para mim
12:45
como pessoa, como ser humano, como único e especial
12:48
e foi na altura que comecei a questionar-me
12:51
fiz pesquisa na internet e ver quais são os países
12:54
que acueavam mais imigrantes na altura
12:57
apareceu em Portugal e era mais fácil para mim
13:01
ir para a França por causa da língua, porque já tenho
13:04
francês e a minha língua materna e mas eu disse que
13:08
não queria ir para a França e queria ir para Portugal
13:10
então eu disse isso no centro de cruz vermelha
13:13
onde estava e a Madrid disse que é mais fácil
13:17
para ti ir para, se não vai ficar para a Espanha
13:20
vai para a França e assim é mais fácil para ti
13:22
eu disse que queria ir para Portugal
13:24
disse que talvez estou traumatizado por causa
13:27
desses acontecimentos todos, se cair é melhor
13:30
eu ficar durante 10 dias a pensar
13:33
depois decidir o que vou fazer com a minha vida
13:37
Passar 10 dias voltaram a perguntar a mesma pergunta
13:40
eu disse que vou para Portugal
13:42
perguntaram-me, tenho famílias?
13:44
não, falas português?
13:46
não, então por que vai para Portugal?
13:48
não sei, mas vou para Portugal
13:50
dentro do grupo foi a única pessoa que escolhi
13:54
vir para Portugal e disseram ok
13:56
eu tinha o direito de ficar dentro daquela casa
13:58
10 dias, passar 10 dias
14:00
ó, pedir proteção internacional
14:03
ó, ir para outro país
14:05
disseram ok, não pode ficar mais aqui
14:07
ó, vai para a França com um grupo maior
14:09
com um grupo grande
14:11
porque a maior parte do grupo ia para a França
14:13
eu disse que vou sozinho
14:15
não queriam também que eu venha sozinho para Portugal
14:18
e decidiram finalmente
14:20
de comprar um bilhete
14:21
comprar um bilhete para vir para Portugal
14:23
eu vim para Portugal
14:25
e foi no dia 28 de agosto de 2018
14:28
que eu cheguei em Portugal
14:30
às 5 de manhã na estação do oriente
14:32
disse, e agora?
14:34
onde tu vais?
14:35
e não conhecia ninguém?
14:36
perguntei ao motorista
14:37
exáscamos em Lisboa
14:39
ele disse que sim, aqui em Lisboa, Oriente
14:42
tinha chegado ao teu destino
14:44
e então?
14:45
e então
14:47
não conhecendo ninguém
14:49
não tendo família
14:50
tive que ir para o SEF, a polícia
14:52
porque pronto
14:54
eu sempre sei que é a primeira coisa
14:56
que anda a chegar num país
14:57
em que não tem alguma coisa que tem que ir
14:59
a polícia
15:00
foi ao SEF, nos anos
15:02
em Lisboa
15:04
e fiz o meu pedido de proteção
15:06
internacional
15:08
no mesmo dia que fiz o meu pedido
15:10
foi levado num centro
15:12
para jovens refugiados
15:15
que vêm de países diferentes
15:17
e fiquei ali
15:19
durante algum tempo
15:21
e comecei a estudar
15:23
e depois comecei a fazer voluntariado
15:25
porque no meu primeiro dia
15:27
numa sala da aula
15:28
foi mesmo muito difícil para mim
15:30
não sabia falar em português
15:32
e a professora perguntou-me
15:34
para eu fazer a minha apresentação
15:36
claro que não poderia fazer isso em português
15:38
começar a falar em francês
15:40
ninguém da turma falava francês
15:42
e depois havia uma menina
15:44
e que falava um pouco francês
15:46
ajudou-me a fazer aqui a ponto
15:48
e depois percebi
15:50
havia muitas pessoas que vêm do contexto
15:52
do conflito, de realidade
15:54
completamente diferente de tensão
15:56
que querem concretizar esse objetivo
15:58
mas por causa da língua
16:00
tenho aqui uma barreira
16:02
e para nós é começar literalmente de zero
16:04
e construir uma nova vida
16:06
e foi na altura em que decidi
16:08
também fazer parte do voluntariado
16:10
e entrar em contato com essas pessoas
16:12
para perceber realmente o que essas pessoas
16:14
necessitam
16:16
e integrei um vários projetos
16:18
que compartam também que fazem um trabalho excelente
16:20
para ajudar a integração dessas pessoas
16:22
e também
16:24
na área de integração, mas também na área de educação
16:26
e participei em vários cadernos
16:28
e fazer também a atividade
16:30
com os professores na escola
16:32
e perceber realmente o que esse tipo
16:34
de alunos precisam
16:36
e depois foi na altura que também
16:38
integrei a academia de líderes ogunto
16:40
fiz uma formação
16:42
da liderança servidora
16:44
e é um projeto em que
16:46
permanece até hoje
16:48
e como formador no projeto
16:50
mas a academia de líderes ogunto
16:52
é muito importante ter um olhar
16:54
completamente diferente
16:56
para a vida e as domes também
16:58
não só olhar para a minha história
17:00
e reconstruir a minha história
17:02
e dar outro sentido e significado
17:04
tudo aquilo que me aconteceu
17:06
porque no fundo
17:08
eu refusiava muito sozinho
17:10
e não gostava de entrar a ir com as pessoas
17:12
mas a fazer essa formação
17:14
e perceber ok
17:16
isso não é isso que me define
17:18
não é aquilo que me acontece
17:20
agora o que eu vou fazer com isso
17:22
e agora a partir daqui
17:24
dar outro sentido a tudo aquilo que me aconteceu
17:26
e conseguir
17:28
concretizar
17:30
encontrar o caminho certo
17:32
e o meu sentido e o propósito de vida
17:34
que é terminar
17:36
o meu curso
17:38
na área de
17:40
ciência política e relação internacional
17:42
na nova
17:44
se Deus quiser
17:46
e também
17:50
e com isto
17:56
mas o
17:58
essa história
18:00
não só a minha história
18:02
é hoje em dia a história de todos os portugueses
18:04
todos os portugueses que cruzaram com a minha vida
18:06
porque eu acredito
18:08
essa transformação
18:10
o poder da transformação das pessoas
18:12
e também o prigo de uma história única
18:14
que essas pessoas tudo que cruzaram
18:16
a minha vida que me ajudaram
18:18
para a minha história como algo que não é um desespero e, basicamente, cair, se não
18:24
tinha passado por tudo isso, não conseguiria significar esta história e a ser a pessoa
18:30
como que estou a me tornar, estúdio é graças aos portugueses e, obviamente, e a academia
18:36
de líderes do mundo, que teve um papel também fundamental, a escrever esta nova história
18:43
e falar sobre mim e também ajudar naquilo que eu, de certa forma, não sei se é que
18:51
é um longo caminho que eu tenho para procurar até chegar à presidência da Guiné-Conacre,
18:56
mas hoje em dia em Portugal, de certa forma, estou a conseguir, de certa forma, alcançar
19:12
esse objetivo através do meu trabalho e também acender essas luzes de esperança
19:17
nas jovens, hoje em dia não são nas escolas, mas também ajudar a cada um desses jovens
19:23
e encontrar um sentido e um propósito de vida.
19:28
Muito obrigada.
19:29
Boa.
19:30
Já aqui falamos da pessoa extraordinária que o teu pai foi, da forma como te marcou
19:44
e te marca, e há uma história muito bonita que tu contaste, que é que vamos chamar-lhe
19:49
a metáfora das árvores, queres partilhá-la conosco?
19:53
É claro que quer partilhar esta história, porque acho que isso, atrás do boy, esta
20:02
história, esta metáfora foi uma experiência que eu, quando eu tinha por volta de 9 a 10
20:08
anos, tinha acabado de chegar às escolas e descobri que o meu pai estava a plantar
20:13
duas árvores e ele virou para mim e disse, boy, vamos fazer uma experiência, vamos plantar
20:20
uma dessa árvore dentro da casa e outra fora da casa.
20:24
E ele perguntou-me, na minha opinião, qual é a árvore que crescerá mais rápido?
20:29
Depois de um momento de reflexão, eu disse ao meu pai, acho que aquela árvore que
20:35
vai ser plantada dentro da casa, porque a vida dela será mais fácil e mais protegida,
20:41
e o meu pai respondeu, isso é o que veremos.
20:46
Só mais lembrei-me da existência destas árvores, mas dirá em todo esse tempo o meu
20:50
pai continuou a cuidar destas duas árvores.
20:55
Um dia lembrei-me da experiência e pedi ao meu pai para mostrar o resultado e ele mostrou
21:00
meu resultado e perguntou-me, então, o que é que tu assas, qual é a maior?
21:06
Eu respondi, obviamente, aquela árvore que estava fora da casa, mas não percebeu por
21:13
o que.
21:14
E ela enfrentou muito mais da provação do que aquela que estava dentro da casa.
21:18
E ele disse-me, eu disse, vê como os seus ramos erguem majestosamente para o seu.
21:24
O meu pai disse-me, exatamente, é a mesma coisa contigo.
21:28
Se tu optar por não fazer nada, começará a amurçar.
21:32
O caminho da facilidade só te leverá a mediocridade.
21:36
Então, toda vez que tu desesperar numa situação difícil, não te esqueça do que tu sairá
21:42
mais forte.
21:43
E, melhor, acho que aquilo que eu acredito, cada um de nós que aqui está, é capaz de
21:52
acender luz dentro de uma sala escura e também ser uma agente da mudança.
21:58
Acho que essa metáfora dessas duas árvores acompanhou-me durante todo esse percurso,
22:03
porque a minha viagem da Guiné-Connésia para tirar o cigarro a Portugal foram dois anos,
22:09
seis meses, até o cigarro a Portugal.
22:12
E mais cada vez que me lembrava dessa história, dessa experiência com o meu pai, eu ouço
22:18
tu a ser aquela árvore que foi plantada fora de casa, mas amanhã vou também erguer
22:25
como aquela árvore que enfrentou essas, tudo essas dificuldades ergou e vou tornar-me
22:32
essa pessoa também que eu sempre quis ser.
22:43
Obrigado.
22:46
Esses aplausos são muito, muito, muito merecidos.
22:49
Então vamos abrir aqui para algumas perguntas.
22:52
Queremos saber qual é o segredo para não desistir e não perder a esperança.
22:58
É uma pergunta aqui do público.
23:00
Boa pergunta.
23:03
O segredo é mesmo acreditar em nós, mesmo quando tudo parece impossível, como Nelson Mandela
23:11
dizia, tudo parece impossível até que seja feito.
23:14
É uma frase que tem muitas aprendizadas e que inspira bastante, mas aqui sobretudo
23:21
ter a confiança em nós é fundamental para não desistir.
23:25
Claro que sim, dirão todas essas viagens, todo esse percurso, muitas vezes quis desistir
23:33
e assar que não era capaz, nem conseguir ultrapassar todo esse desafio.
23:40
Claro que tudo nós passamos por um momento de dificuldade, mas sim, aqui a autoconhecimento,
23:46
a autoconfiança é fundamental para nós enfrentarmos tudo esse tipo dos obstáculos.
23:54
Acho que é a melhor forma, não sei se responde e bem à pergunta.
23:57
Acho que os aplausos respondem.
24:02
E o Pedro e a Michelle também partilharam com nós com mais uma questão.
24:09
O que é que dirias às crianças da Guiné-Connáquia?
24:13
Que vivem e viveram situações semelhantes à tua?
24:17
É a esperança.
24:20
Como já vos falei a pouco, os meus pais sempre ensinaram-me a fé de acreditar, a fé da
24:27
esperança.
24:28
Claro que hoje em dia estão a passar por essas situações e são os jovens que têm
24:34
um potencial, que querem também ter todas essas oportunidades de crescerem e sobretudo
24:42
serem grandes no sentido de servir, de servir o próximo, servir o outro.
24:48
Mas nesse momento a situação é esta, mas é não desesperar, não perder a esperança
24:56
que um dia seja possível, que há uma mudança, que também somos os jovens, sobretudo somos
25:04
a esperança e o futuro dessa humanidade, mas tenho certeza que um dia vão também
25:11
sentar numa mesa e partilhar aquilo que eles entenderam e ter uma voz dentro dessa situação
25:18
que não tem mesmo a voz de falar o poder da palavra, de dizer aquilo que senta, aquilo
25:24
que querem para o seu futuro.
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E é isso, é ter a esperança e também trabalhar para que sucesa possível.
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Sim, estou aqui hoje em dia e posso também ser um exemplo para esses jovens e mostrar
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que também nada é perdido e poder mostrar bem e conseguir a vitória.
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Obrigado.
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Bom, temos aqui mais de mil pessoas nesta sala, estamos aqui para te ouvir, estão
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aqui para aprender contigo, estão aqui porque tudo de facto é uma grande inspiração.
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Eu pergunto-te, qual é o desafio que tu lhes lanças, qual é o desafio que tu nos lanças,
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que papel é que nós temos hoje?
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As mãos nas massas e começar a trabalhar e fazer a parte da mudança, é isso, nós
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jovens somos capazes mesmo, acreditar sobretudo em nós que muitas vezes é difícil, temos
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essas dificuldades de acreditar em nós e somos incapazes e cada um de nós tem uma
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história, cada um de nós é capaz de fazer isso, de acender essas luzes de esperança
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dentro de uma sala escura, essa sala é grande, mas se nós tivéssemos aqui, não seria tão
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acoidora assim, por isso somos o futuro e somos a diferença, somos esperança, por
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isso é esta mensagem, é mesmo esta mensagem.
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Uma outra palavra que eu posso dizer sem esperança, porque sem esperança é impossível mesmo
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nós também vivermos.
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Obrigada pela tua voz, obrigada pela tua história, obrigada pela tua coragem, mas
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muito obrigada ainda mais pelo propósito e por esta tua forma contagiante, também
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nos chamares a ir mais longe.
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Uma salva de balmas enorme para o boy.
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Muito obrigado, muito obrigado, queria só aqui, queria só agradecer aqui, reparei,
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de repente reparei que dentro da sala está aqui uma pessoa muito especial, vocês são
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tudo especial, único e especial, mas mesmo Mônica, muito obrigado, porque o Mônica
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que está aqui faz parte de construir a pessoa que estou a me tornar hoje e também claro
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obviamente a minha mulher que está ali sentada e obrigada.