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Obrigada. Obrigada. Muito obrigada. Muito obrigada. Estou um pouco nervosa e você tem
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que ter muita paciência com o meu português porque faz muito tempo que não falo o seu
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lindo idioma. Então, por favor, desculpem. Eu gostei muito do que o Pedro estava falando,
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mas eu tenho uma pergunta para vocês, porque para a gente tirar tempo para nós mesmos,
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nós precisamos estar sozinhos, não é? E quem gosta de estar só? Aqui, levante a mão
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quem gosta de estar só. Muito bem. E quem tem muito medo de estar só ou sente que não
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é capaz também, levante a mão. Muito bem, obrigada pela honestidade. Eu vou dar a vocês
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que tem medo uma boa notícia. Estar só não é algo que fazemos. Estar só é o que somos.
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De fato, nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Porém, se olharmos um pouquinho
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mais por perto essas duas realidades, o início da vida e o fim da vida, nós daremos conta
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que quando a gente nasceu, não estava sozinho. Perguntem para suas mães que estavam aí
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empurrando para você nascer. E quando a gente vai morrer, provavelmente vai sair dessa vida
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cheio de conexões. Isso fala do paradoxo da natureza humana. Por um lado somos indivíduos
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sós, separados. Por outro lado, somos seres de relação. Eu gosto muito da etimologia
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da palavra, das palavras em geral. E uma das teorias da etimologia da palavra solidão
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é o latim solus, que significa inteiro. O que significa isso? Que a solidão é o lugar
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onde nos fazemos mais inteiros, mais nós mesmos. Porém, a solidão também é uma
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experiência. E essa experiência às vezes pode ser incômoda. Eu mesma fiz essa experiência
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da solidão e não me sentia muito cômoda. Eu sempre me senti estrangeira, separada,
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alheia. Não sei se vocês se sentem assim alguma vez. Depois eu fui materialmente estrangeira
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por 20 anos da minha vida. E depois voltei no meu país para descobrir o quê? Que me
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senti estrangeira no meu próprio país. Um pouco brasileiro, um pouco mexicano, um pouco
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inglês, um pouco italiano, um pouco eu mesma e não sabia o quê. Com o tempo eu descobri
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que somos todos estrangeiros. Porque todos estamos separados, estamos a uma distância
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positiva um dos outros que nos faz únicos. Porque não estamos colados à realidade.
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Isso faz com que podemos relacionarmos à realidade. Agora, a solidão, uma solidão saudável,
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não é isolamento. O isolamento é aquele estado em que sentimos que, como a palavra
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mesma fala, somos uma ilha. Estamos desconectados dos outros. É como que eu não consigo aprender
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o idioma do outro, não consigo falar o idioma do outro e o outro não consegue falar o meu
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idioma. E nessa solidão não saudável, eu me sinto fragmentada. Isso leva consigo ansiedade,
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depressão, angústia, medo. Bom, se eu me sentir assim por muito tempo, isso não me
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deixa funcionar bem? Definitivamente eu preciso pedir ajuda. Agora, a solidão, aquela boa,
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desculpem, isso tinha que sair depois. A solidão, aquela boa, também não é fácil, como o
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Pedro nos falava, né? Tirar tempo para si não é fácil. Por quê? Porque quando estamos
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sozinhos, encontramos a que muitas vezes não gostamos de encontrar, que é nós mesmos.
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Vocês viram alguma vez Guerra das Estrelas? Sim, né? É famoso, é da minha época, mas
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também vocês conhecem, mais jovens, né? Num dos capítulos de Guerra das Estrelas,
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o Império Contra-Ataca, o Luke Skywalker está lutando com o mal, né? Luta, luta,
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luta, entra numa gruta, corta a cabeça do mal para descobrir o quê? Que a cara do mal
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é a própria mesma cara. Quem sabe é por isso que temos medo do silêncio, da solidão.
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Nós temos medo de encarar aqueles aspectos da nossa vida que não gostamos, aqueles
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lados escuros da nossa história, o que gostaríamos melhor de não ver. Tem outra pequena história
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que quero contar para vocês hoje, que fala dos mecanismos que colocamos em prática quando
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não queremos entrar e abraçar aquelas partes da nossa história que não gostamos. Essa
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história conta de um mestre espiritual muito famoso que tinha muitos discípulos e um dia
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esses discípulos chegaram lá em casa com ele e viram esse mestre que estava dobrado,
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procurando alguma coisa no chão, na relva, no jardim da casa. Então os discípulos se
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aproximam e falam, mestre, a gente pode ajudar? O que aconteceu? E o mestre disse, sim, sim,
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por favor, eu perdi a chave da minha casa. Ah, claro, a gente vai ajudar. Então todo
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mundo se colocou aí ajudando, né? E passa uma hora, e passam duas, e passam três, passa
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a manhã inteira, chega a tarde e nada de chaves. Então o discípulo, aquele de antes, o mais
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espertinho, fala, mestre, mas o senhor se lembra onde o senhor esqueceu as suas chaves?
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Onde que deixou a última vez? Claro, claro, sim, me lembro. Lá na minha casa. E o discípulo
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assustado, então porque que a gente está procurando aqui? É, mas porque aqui tem mais
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luz, meu filho. Esse mestre parece um pouco trulo, né? Um pouco louquinho. Mas de uma
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forma prática, me diz o que eu faço todos os dias quando quero procurar o sentido da
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minha vida, o rumo, e fico por fora, onde tem mais movimento, tem aparentemente mais
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energias, mais respostas. Em vez de ir pra dentro, desculpem, ir pra dentro daquela casa
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onde aparentemente é mais escuro, tem mais silêncio, aparentemente, quem sabe, é mais
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desorganizado, tem coisas que eu não gosto. Infelizmente, ou felizmente, esse único jeito
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de abraçar a nossa história, de encontrar as chaves da nossa vida, de abrir a porta
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e deixar que o outro entre, olha que interessante. Da qualidade da nossa solidão, depende a
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qualidade das nossas relações. Já pensaram nisso? Da qualidade da nossa solidão, depende
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a qualidade das nossas relações. Na tradição cristã, o motor de uma solidão saudável
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chama-se Espírito Santo, que em grego, no Novo Testamento, é chamado Paráclito, que
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significa advogado-defensor. Ou seja, nós acreditamos que dentro de nós tem uma força
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de beleza, de integração, capaz de defender-nos contra as forças de desintegração de fora
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e de dentro. Num momento muito escuro da minha vida, eu tive um sonho revelador. Eu sonhei
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que estava numa gruta, como aquela do Luke Skywalker, e era muito escuro também, tinha
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só um pouquinho de luz que filtrava das rocas em cima de mim. E eu caminhava, caminhava,
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e de repente eu sinto que alguma coisa muda debaixo dos meus pés. E vejo que as rocas
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debaixo de mim não são mais rocas, são ouro, e desse ouro misturado com roca sai um jorro
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de água. E a água se torna um pequeno corrego. Se a gente tiver a coragem de entrar na nossa
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solidão, de abraçar a nossa história, a gente vai descobrir uma beleza que ainda
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não conhecemos. Então, por isso, eu queria agora fazer um pequeno exercício de solidão
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partilhada com vocês. Se vocês querem, fechem os olhos e acompanhem o que eu estou dizendo.
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Sintam o contato da cadeira, do assento com seu corpo, o contato do chão com seus pés.
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Sintem, sintam a profundidade da sua respiração.
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E agora, abram os seus olhos e olhem para as suas mãos.
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As mãos que tocaram muitos, que desenharam muitas coisas, que construíram já muitos
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mundos, são as suas mãos. Olhe para a sua mão direita e nela reconheça os seus dons.
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Quantos dons? Os seus talentos, as suas capacidades. Às vezes é um pouco difícil reconhecer,
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mas faça a tentativa, tente. E agora, olhe à sua esquerda e veja os seus limites, a
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sua fragilidade, as suas feridas. Isso também é você e a sua beleza. Isso também é um
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dom. E se quiser, deixe que as suas mãos se toquem e beije as suas mãos. Simbolizando
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o dom que você é para os outros, para o mundo, para você mesma.
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Bom, solidão é voltar para casa, é voltar para a sua casa. E quando como sociedade esquecemos
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isso, o que que nos acontece? Que para parar a fome de vida, nos tornamos consumidores
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de tudo e de todos. Carlos Maria Antunes, que é um monge de Santarém, escreveu um
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livro muito bonito, que titula alguma coisa sobre a solidão, agora não me lembro. É
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encontrar a própria solidão, eu acho. E ele diz que o monge, quando vai para a solidão,
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não vai procurar fugir da complexidade da cidade, mas procura uma nova cidadania, um
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novo modo de ser cidadão. Uma liberdade diferente, um lugar onde cada um tem espaço para ser
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escutado e para ser ele mesmo. Por isso mesmo, muito rapidamente, eu queria partilhar com
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vocês alguns pontos que podem ajudar naquele exercício da solidão, de que nos falava
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o Pedro faz pouco. Escolher o espaço e o tempo. Escolher o espaço e o tempo para você
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treinar na sua solidão, para que essa solidão seja um novo modo de ser cidadão. Entrar
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em contato com o meu corpo, porque o nosso corpo e o que somos, e muitas vezes não somos
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conscientes de onde estamos. Me ajuda muito colocar a mão no peito, a barriga, sentir
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a vida que vibra por dentro, voltar a respiração. Terceiro ponto, entrar no meu santuário interior.
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Claramente eu acredito em Deus e acredito que nesse santuário está alguém, não sou
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eu. Mas de toda forma, reconhecer que esse lugar interior é sagrado. E aí tem sentido
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o exercício da gratidão. Reconhecer o que se mexe nesse santuário. Ser guardião da
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solidão do outro. Que significa contemplar o outro no seu ser separado de mim, na sua
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diferença. Porque quando contemplamos o outro e respeitamos a sua diferença, a sua solidão,
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é que podemos entrar numa relação saudável com o outro e ser um em favor do outro. A
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solidão é uma das liberdades mais grandes que a gente tenha. E essa liberdade é revolucionária,
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é contracultural, é verdadeiramente ecológica, porque tem a ver com a lógica de uma casa
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comum, onde cada um tem o espaço e o tempo para estar feliz com ele mesmo. Solidão é
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espaço para mim, também é espaço para ti. E assim, juntos e cada um, podemos caminhar
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e cuidar dessa beleza toda que nos foi entregue. Muito obrigada.