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Olá, isto visto daqui é delicioso, vocês não tinham mais nada para fazer, antes de
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qualquer coisa, obrigado a todos pela vossa disponibilidade, eu espero que tenham vindo
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a brincar por outras pessoas, porque eu acho que não tenho assim grande coisa para vos contar,
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mas ainda assim agradeço-vos, agradeço-vos o vosso tempo, espero que estes 15 minutos de
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conversa que não sejam realmente maçadores para vocês. Então, meu nome é Ruben Matai,
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bem de xelas, xelas com muito amor, nasci de criado, nasci de criado em uma barraquinha que
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chovia, que pingava em cima da minha cama e pingava em mais alguns sítios, eu tinha que dormir assim,
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rodeado de canecas, copos, alguidares e aquilo, já era música na altura, quando chovia, tinha musica
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e hoje estou então a construir aquilo que é o meu caminho. Começar por esta coisa que é o
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compromisso que vem de trás, porque eu acho que qualquer um de nós inicia esta coisa do compromisso
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em casa, com os pais, com as regras, mas sobretudo com o compromisso de começar por fazer aquilo que
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são as primeiras coisas que nós vamos aprendendo, aquelas regras, até porque a primeira palavra que
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nós vamos aprendendo é o não, em conjunto com o amor, não é? Então, antes é por aqui que eu
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tenho construído agora a minha vida com a minha família. Então, o compromisso, antes de ser o
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compromisso com alguém, eu diria que o compromisso é interior, é o compromisso conosco, sobre aquilo
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que queremos realmente fazer, aquilo que nós queremos construir, eu sei que muitas vezes nós
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perdemos com aquela coisa de que, é pai, tenho que fazer isso porque alguém me pediu e quase que
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fica naquela grande vontade de querer fazer, mas por algum motivo nós não conseguimos. E então,
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recuo um bocadinho porque junto a isto aquilo que são os valores, a responsabilidade, não é?
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É uma coisa que nos orienta e nos dizem que temos mesmo que fazer isto. Contávamos aqui uma
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pequena história, a Dias viu um vídeo de um pai com uma filha que estava a passar-se algumas ideias
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à sua criança e que eu disse é pra caramba, eu quero fazer isto com os meus filhos. E então,
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levava a criança à escola e depois perguntava assim, o que é integridade? E a filha respondia,
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a filha respondia com muito entusiasmo, com muita qualidade, com muita verdade e há dias, cerca de
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um mês, eu comecei a fazer isto com os meus filhos. Chegava a porta, eu vou fazer o meu ginado,
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de madrugada, volto, bem alimentado, vou buscar as crias, deixo à escola e perguntei aos meus filhos,
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o que é integridade? Já tínhamos treinado isto em casa. E o Vicente disse, papai eu sei, eu sei,
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eu sei, eu sei. E ele disse, é fazer aquilo que é certo mesmo se não estiver ninguém a ver.
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Isso, boa filha. Pai, orgulhoso, orgulhoso, é isso mesmo. E o que é responsabilidade? E o Vicente
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queria responder, mas o Santiago disse, não agora sou eu, deixa-me responder isso, ok, tudo bem,
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responde. E o Santiago disse, então responsabilidade é, espera, eu tenho que fazer, eu sou responsável,
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eu sou responsável pelas minhas ações, mesmo se for influenciado por alguém, disse boa filha, é isso,
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e então esta parte dos valores acaba por ser a nossa linha de orientação para tudo aquilo que
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nós fazemos ao longo da nossa vida, porque se nós não tivermos, se nós não tivermos este conjunto
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de regras, dificilmente conseguiremos dar corpo àquilo que é o compromisso. Então, na minha vida,
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eu tive que procurar um bocadinho construir esta base, construir este conjunto de regras
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para poder crescer, para poder ser pessoa. Eu venho desta realidade com muitas fragilidades,
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mas também com muitas coisas que nos vão aliciando. E depois quando nós temos que procurar,
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por vez de respostas rápidas, esquecemos que aquilo que é rápido hoje pode demorar muito
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tempo depois a passar no futuro. E que esta coisa da nossa responsabilidade, esta coisa da nossa
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integridade pode ser manchada, pode ser manchada por coisas rápidas, por coisas que apareceram aqui
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num imediato e por soluções que, de alguma forma, só respondem uma necessidade do momento.
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Portanto, nós temos que construir, construir no tempo. E é aqui que acontece este desenvolvimento
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da minha consciência crítica, que, reparem, nós não nascemos com consciência crítica.
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E eu adorava, duraria que outros adultos tivessem treinado isto em criança, porque
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põe-nos depois de uma esfera de não entender aquilo que nós estamos cá a fazer. E é extremamente
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importante nós treinarmos isto para que depois, quando crescermos, e nos tornarmos pessoas responsáveis
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por outras pessoas, que nós conseguimos passar também esta responsabilidade de olhar para dentro.
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Eu fiquei muito, muito feliz, muito feliz por ouvir esta apresentação, porque esta responsabilidade
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também de sermos felizes, também está relacionado com aquilo de olhar para dentro.
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Está relacionado com isto. E se nós percebermos o que é que nós estamos a fazer certo e o que
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é que nós estamos a fazer menos bem, de alguma forma temos aqui a possibilidade de corrigir.
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E a consciência crítica é essa coisa. Parece assim uma coisa estranha, mas é uma coisa giríssima,
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porque às vezes há um desfazamento, há um desfazamento entre isto, entrando aqui e
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outro no campo que eu não domino, que é esta diferença ou este desfazamento entre o eu real
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e o eu ideal. Eu, hoje, sou o Matai 2.0. Mais coisa menos coisa. Mas já fui o Matai 1.0.
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Só que há dias, há dias que eu acordo e sempre me matai 5.5. Mas não é real. Ainda estou a caminhar
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para Brad Pitt, mas ainda não lá cheguei. Portanto, a minha, esta coisa, eu estou ainda,
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é o meu desenvolvimento pessoal, é o meu desenvolvimento emocional, que me diz assim,
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olha, a atenção que é importante, que seja um bocadinho à terra, que ainda tens muito caminho
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para fazer. Mas tudo isto, tudo isto para vos dizer o quê? Eu não fiz este caminho sozinho,
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embora eu seja responsável por tudo aquilo que eu faço e é sobre mim. As coisas que eu construí,
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as coisas que eu fiz, as barreiras que eu consegui quebrar, fui eu que as fiz, como qualquer um
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de vocês. Aquilo que vocês fazem, aquilo que vocês verem a fazer na vossa vida, é responsabilidade
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vossa. Vocês podem ter pessoas que vos dirigem, que vos encaminham, que vos direcionam, mas a
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verdade é trabalho vosso, de cada um, de cada um. Ainda assim, é necessário que valguem à frente
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que nos diga assim, olha, atenção, por aqui este caminho é capaz de ter muita pedra, é capaz de
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ter muita curva e depois nós escolhemos, queremos pedra, queremos curva, o que é que nós queremos?
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Queremos seguir a direito, portanto, é uma construção e eu tive um professor que hoje,
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enfim, construí-os uma relação maravilhosa, que é o meu professor de regime moral. A Curso
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Domingos, meu querido, se estivesse por aí ao ver, um beijinho muito grande. O Curso foi uma pessoa
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que, na verdade, mudou a minha vida. Eu estudava em Maripia, casa piano, vinha de uma escola dura,
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difícil pra caramba, havia guerra todos os dias e eu chego a essa de carose, foi onde eu estudei a
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seguir, e eu vinha quebrado, eu vinha doente, eu vinha emocionalmente frágil, eu andava com uma
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carteira, agarrada uma corrente, agarrada-se uma corrente, andava assim com uma vara, já era grande
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e eu andava assim meio empodrado, mas sempre revoltado com a minha vida. Até que encontrei este
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professor, que curioso, estava a dar uma aula na rua, a debater sobre um tema da atualidade,
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estes problemas que nós, jovens, vamos debatendo muitas vezes,
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e o que é que acontece? Eu sentei-me ali perto e ele já me tinha topado, pegou a turma e sentou a
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turma toda ao pé de mim, e eu, caramba, mas o que é que este gajo tem? O que é que este gajo tem?
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É porque ele está aqui ao pé de mim, e então eles estão a falar sobre qualquer coisa e eu respondi,
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eu não concordo nada com isso, tinha esta coisa, enfim, se não concordo nada com isso, e então
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ele desafiou-me, fez-me falar, fez-me responder, mas acima de tudo ele deu uma voz, e às vezes
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nós não temos esta noção, mas às vezes é necessário que nós sejamos capazes de dizer,
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capazes de dizer aquilo que nos preocupa, capazes de dizer aquilo que nós sentimos,
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às vezes não temos com quem falar, escrevam, escrever também ajuda, às vezes parece um amigo,
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parece um amigo assim mais, mais próximo, um amigo que ninguém conhece, um confidente,
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mas escrevam ou digam, tentem dizer, uma dica, é os pais, às vezes parece que nós temos uma distância
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muito grande, mas digam aos vossos pais aquilo que vocês sentem, não há ninguém, ninguém
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com a capacidade de nos ouvir e com a capacidade de ajudar-nos a resolver os nossos problemas como
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os nossos pais. Eu aprendi isto, eu aprendi isto mais tarde, eu costumava dizer, eu costumava dizer
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que eu não tinha grande relação com o meu pai, principalmente com o meu pai, eu venho de uma
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família desorganizada, pais separados desde sempre, não desorganizada por serem separados,
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desorganizada porque eram realmente desorganizados, e eu não tenho sequer referência, não tenho memória
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dos meus pais juntos, mas não fez de mim menor pessoa, reparem, não fez de mim, não fez de
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mim pior pessoa, deu-me aqui um conjunto de ferramentas para eu conseguir, enfim, esta coisa
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que se chama resiliência, essa coisa que tens mesmo que ir à procura, se calhar ajudou-me um pouco,
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e eu e o meu pai não tínhamos sequer, eu lembro a primeira vez que eu dei um abraço ao meu pai,
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foi no dia que eu me casei, portanto, já era crescido, e só mais tarde, só mais tarde que eu consegui
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dizer ao meu pai o quanto eu amo, que eu felizmente está vivo, felizmente está cá, porque eu percebi
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que ele não tinha recebido, eu percebi que ele não tinha aprendido a expor sentimentos,
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ele não tinha percebido, ele não tinha percebido que é esta coisa de falar sobre nós e poder chegar
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ao pé de um filho e dizer, olha, eu gosto muito de ti, como é que tu estás hoje, correu bem o teu dia,
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ele não tinha isso, eu tive que crescer, eu tive que crescer e só quando eu percebi isso é que o meu
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coração ficou mais tranquilo e eu consegui realmente amar o meu pai, e eu tive que sair
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daquele lugar, foi esta transformação, foi esta mudança, mas aquilo que na verdade eu percebia
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a partir de uma determinada idade, a responsabilidade já não está nos nossos pais,
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parece que passamos uma vida a dirigir-nos aos pais e dizer, caramba, eu sou isto,
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mas também a minha infância foi duríssima, a minha infância foi difícil, por isso é que eu sou
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assim. Isto aí, por volta dos 14, 15 anos, aquela idade em que nós começamos a tomar decisões
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na sua grande maioria, erradas, a responsabilidade é nossa, e a partir daí já não podemos usar a
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bengala de que é porque foi a minha infância, meus queridos, eu andava na rua pedi comida
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e hoje quando for à rua falar sobre comida, eu levo comida para dar alguém, portanto a mudança é esta,
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a mudança é esta, por isso é que hoje a responsabilidade é nossa, eu não posso entender
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mais o meu tempo está a acabar, o meu tempo está a acabar e dizer-vos que aliado a esta questão
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do compromisso tem que haver um objetivo, que é quem é que eu sou, onde eu quero estar,
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para onde que eu quero ir, e se nós tivermos esta coisa muito presente, a nossa responsabilidade
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tem que estar a um nível, somos nós que construímos o nosso próprio caminho, ok? A responsabilidade
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é nossa, de todos nós, e é com base nisto que eu construí aquilo que é a minha história,
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pôs o meu nome no mapa, Matai é o nome da minha mãe, sou Ruben Matai, Leal de Souza, sou filho de
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Maria Helena Matai, é o nome bonito, hoje é bonito, antigamente era o nome do Preto das Baracas
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e que não tinha piada nenhuma e que eu revoltava-me quando me chamavam de Matai, hoje em dia eu consegui
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dar um rosto diferente a este nome e meter o nome da minha mãe no sítio que ele merece estar, é isto,
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e é o orgulho que eu sinto, é o orgulho que eu sinto, e para terminar, e para terminar,
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que já terminou, já terminou o meu tempo, é esta mensagem que eu tenho para os meus filhos,
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é sobre o amor que eu os venho falar também e vou deixar-vos aqui um pequeno mimo
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e vou falar-vos do meu espeio, bora aí, brava.
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Põe mais alto este instrumental, é isto.
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Cada vez que eu me vejo ao espeio
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Aquilo que eu vejo não sou eu
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Só queria sentir a flor da pele Tanto que a minha pele adorme seu
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Pintar a vida preto e grão
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Deixar e vanzir a minha mão E se o meu espeio não perdi
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Talvez um dia eu possa dizer posto de ti
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E se o meu teto não perdi Talvez um dia eu venha a perceber que os olhos tristes
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Gostam de ti
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Gostam de ti
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É sobre isto
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Eu sei que tenho andado tão distante
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Gostando de sempre eu pego de ti
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Mesmo que eu mude por instantes
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Não dá, eu já me perdi
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Pintar a vida preto e grão
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Deixar e vanzir a minha mão E se o meu espeio não perdi
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Talvez um dia eu possa dizer posto de ti
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E se o meu teto não perdi Talvez um dia eu venha a perceber que os olhos tristes
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Se caram e trucaram nos fãs que fim
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Porque afinal até gosto de mim
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Até gosto de mim
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Muito obrigado
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Muito obrigado
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Muito obrigado
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A felicidade que começa hoje