3 Milhões de Nós
0:00 Muito bom dia, muito boa tarde, obrigada, e eu pedi verbos, tenho incapacidade de falar
0:12 e não verbos, portanto pedi por afocos, porque se calhar faz parte da vida, não ter
0:19 tantos focos, mais ter olhos nos olhos, e então o coração fala.
0:24 Eu antes de mais tenho que cuidar, é que eu venho com papel, primeiro porque sou do
0:35 século passado, não é, portanto, eu ainda sou meio analfabeta com os assuntos das tecnologias,
0:44 alguma coisa se faz mais pouco, mas também há outro problema, se calhar, se perco o papel,
0:50 nem vamos almoçar, nem estamos na tarde porque estamos aqui a falar até a noite, convém
0:57 que seja um pocadinho correta e siga esta magnífica organização que tantos de vocês estão
1:05 ajudando a levar a termo, portanto, também uma salva de palmas para todos eles.
1:17 E nós como do campo grande somos um pouco discípulos do Padre Vítor, temos que dizer
1:23 os três pontos, não sei se vocês sabem não, para uma salva de palmas para o Padre Vítor.
1:37 Então o terceiro ponto é agradecer a todos vocês, que temos, agora falo da parte que
1:44 nos tocava, é a Zora, é o Pedro, o Padre Pedro, é o Ricardo e o Isan, obrigada por
1:55 ser eu a última, com um pocadinho de temor e temblon, mas pronto, aí eu vou, aí eu vou,
2:01 sou por espanhola e portanto por tuñão já decidi, e como há pelo, não se muda de cor,
2:10 eu faço o que posso, vocês, se não percebem levante na mão e eu volto a repetir, tá bem?
2:17 Mas o que queria agradecer é poder falar de espiritualidade com pessoas tão serias a
2:26 dizer coisas tão extraordinárias.
2:30 A Zora, carape, não é verdade? É lá, é a cultura, é ver o Islam de outra maneira, é
2:40 compreender que vale a pena criar a unidade naquilo que nos poderia aproximar infinitamente
2:48 mais, não? Pensa que o Padre Pedro pus os pontos sobre asias, pimba pimba, que tínhamos
2:54 os actos, os factos, não? Mas olha, eu gostei tanto deste, que faço eu aqui? Que
3:04 faço eu aqui? E este me parece que é uma das questões que às vezes pensamos que brincamos
3:12 quando na hora da verdade estamos fazendo as perguntas mais existenciais da nossa vida.
3:20 Mas que raios ando eu a fazer aqui? E continua a ser uma pergunta inquietante, mas que raios
3:33 andamos a fazer aqui? Não acham? Pronto, a mim me deixaram esta parte, desculpem porque
3:39 depois olho para cá e não olho para cá, mas eu vos vejo e é uma sorte para mim vervos.
3:45 Mas o ponto que me ajudaram a poder tocar de alguma maneira é desafios do dia a dia,
3:53 e portanto eu vou ler assim um bocadinho para e assim não me vou muito embora, não?
3:59 É verdade, é verdade que a minha vida está marcada pela relação com os jovens, mas não
4:06 sou, não sou. E é verdade que faz 52 anos que estou, que o ponto forte de deixar-me tocar
4:18 pelos jovens, não? Por isso quando brincamos dizemos que eu tenho juventude acumulada, eu
4:24 tenho 73 anos, mas também tenho certeza, certeza não, que se calhar a um espírito de procura,
4:33 também falámos, eu também estou à procura e graças a Deus que se me ajuda a desistalar,
4:39 graças a Deus que se me ajuda a desistalar para poder pensar fora da caixa, fora da caixa,
4:47 quando o padre eu começava a dizer, a ver, pensem, pensem da igreja, e eu pensei ainda bem que
4:53 não o faz dizer com a voz assim, em alta, porque se não escandalizo alguém, mas eu penso que a
5:00 igreja precisamos pensar fora da caixa, fora da caixa. É que Jesus foi alguém que continua hoje a pensar
5:17 fora da caixa, e o mundo seria totalmente diferente, afinal de contas, se fôssemos capazes de nos deixar
5:26 interpelar pelos evangelhos e pela presença de Jesus. Totalmente diferente, infinitamente mais humano,
5:34 infinitamente mais normal, infinitamente mais sério, infinitamente mais humorista, porque Jesus tem cada
5:43 piada que às vezes não agarramos o tom, que é diferente, pronto. Pronto. Oi, Sam, a verdade,
5:56 eu, os que me ajudam, vocês fazem o que puderem, eu vou tentar. Amar e ser amados, vocês viram
6:04 aquele traço que nos pusero aqui com estes telemóveis que eu fico impressionada, que no mesmo momento
6:11 há centros e docentos e quinhentos e tal, não, bolando. Mas, oi, Sam, que aquilo que dizia é uma realidade muito forte,
6:19 e era parcial ser amados, mas tão importante como ser amados e amar, porque não nos chega ser somente amados,
6:28 precisamos de amar. E esse é um ponto forte, nos nascemos, nos nascemos para amar e ser amados.
6:38 E, senhores, amar e ser amados é relação, hein? Amar e ser amados é olhar olhos nos olhos, amar e ser amados
6:47 é um abraço. Eu agora, quando acabo o Ricardo, e deixe-me que te diga se é de tu, não,
6:52 mas que nos aproximamos. Eu não podia não dizer, é fantástico, mas o abraço que nos vemos,
7:00 a mim me marcou, a mim me marcou, porque, afinal de contas, não é somente uma coisa de cortesia,
7:10 é afinal de contas encontrar-se dois buscadores na vida com linguagem diferente, e que, afinal de contas,
7:17 são capazes de se abraçar. Obrigada, muito obrigada.
7:20 No amor, no amor, a fé e a confiança são a base antropológica. Não pode haver amor sem fé,
7:40 não pode haver, eu tenho que fiar-me, desculpa lá que não te quero incomodar, não, mas se eu te amo,
7:48 não posso não fiar-me, o amor tem um ponto escuro, tem um passo a dar, tem um vazio, porque, afinal de contas,
7:57 fico dependente da resposta que o outro me vê, mas se eu não me fio, nunca poderei amar. Atenção a
8:08 estes pontos, não. Portanto, é a base antropológica, e há um teólogo, um grande teólogo do século 20,
8:15 von Waltzahr, que dizia, escreveu um livro pequenino, mas que é impressionante, só o amor é digno de fé,
8:29 só o amor é digno de fé, e, portanto, a sua tese fundamental dentro deste livro é isso,
8:37 a fé, confiança, a fé, confiança, e vejam, vejam que inclusive com todas estas coisas que nos tem
8:46 ajudado a pelo menos aprofundar um bocadinho, não quando o Paulo Goum falava mesmo das tecnologias,
8:54 o problema do virtual, o problema, desculpa lá, eu sou uma ignorante, mas eu me atrevo a dizer estas coisas,
9:04 o problema do virtual é que não tens o tacto, tens o táctil, mas não o tácto.
9:23 Todos, todos, todos precisamos de sentido de vida para viver,
9:31 e num momento que não temos sentido para não saber, nós entramos em bancarrota,
9:38 de uma maneira ou de outra, nós entramos, sabem por que? Eu acho que é fundamental isso,
9:46 porque tem sentido de vida aquele que tem razões poderosas para morrer,
9:53 e não estou fazendo um trocadilho de palavras, só quem tem verdadeiramente razões para morrer
10:02 é que se agarra a vida para viver a bem, porque não pode, não pode não viver a bem,
10:10 é totalmente diferente, portanto Jesus, Jesus é aquele que tem razões muito poderosas
10:19 para poder entregar a vida, e por isso Jesus é a sua mais feliz da história,
10:25 e isso não o dizemos, sino que fazemos da fé uma estupidez, uma estupidez que não há por um dia
10:32 agarra. Muitas vezes, desculpe, isso é porque já me animo, agora vou a ir outra vez com o papelinho.
10:41 A felicidade não se vive nem se consegue por decreto,
10:55 entendem, estamos excessivamente, com isso vou ser feliz, com isso vou chegar,
11:01 a felicidade não se consegue por decreto, porque se quer chegar à felicidade,
11:09 como se fosse um objetivo a atingir, e por muito que nos esforcemos, a felicidade não chega,
11:20 não chega, e há que poder-lo dizer com todas as letras, não chega até nós, através nem do
11:28 prestígio social, nem da riqueza, nem das posições de poder, sejam na área que sejam,
11:38 sejam na área que sejam, ainda que sejam na área religiosa, ainda pior, ainda pior.
11:49 A felicidade flui, flui como consequência, de viver a não saber de cada dia, cada dia,
12:00 cada dia consentido e fundamentado em condições que nos façam agir no bem próprio e no bem dos outros.
12:17 A felicidade flui, flui, é uma consequência, é uma consequência.
12:26 E perante esta realidade então, quais são os desafios com os quais nos debatemos no nosso dia a dia,
12:34 e eu punha que habria imensos desafios a apontar, mas somente vou anumerar dois que para mim são muito importantes.
12:44 Me parece que me atreveria a dizer que todos nós já experimentamos que muito de aquilo que vivemos
12:50 não podemos evitar. Muito de aquilo que veja até inclusive que nos sumem ou que nos dê por aí porque se calhar
13:04 uma pessoa está mal humorada ou é mal criada e às vezes tenho que suportar ou que não posso evitar,
13:14 porque há muita coisa que não depende de nós. Há tantos factores que influenciam o nosso dia a dia que são incontroláveis
13:25 e, portanto, há e haverá sempre tanta coisa que nos acontecerá que não poderemos impedir o que vamos ter que viver
13:36 tal como uma doença, um desemprego, uma separação, uma perda de referências de pessoas,
13:43 e é certo, tudo isso não podemos evitar, mas sim está uma coisa na nossa mão que eu acho extraordinária,
13:53 não, que é poder viver o que não podemos deixar de viver com sentido,
13:59 portanto, a Ortega e Gasset, que é um filósofo espanhol, não, parafraceava e dizia eu sou eu e as minhas circunstâncias,
14:09 e eu tive um professor de teologia que agora já é muito mais velhinho, não, o Gonzalo Faos, eu Faos, que é o
14:18 professor de cristologia Gonzales Faos, que ele sempre nos dizia isto nas áudias, eu sou eu e as minhas circunstâncias,
14:27 e o que eu faço delas, e às vezes deixamos esta segunda parte, eu sou eu e as minhas circunstâncias,
14:35 eu sou eu e as minhas circunstâncias, e o que eu faço delas, e às vezes deixamos esta segunda parte,
14:45 eu sou eu e as minhas circunstâncias, e o que eu faço delas, nós, nós todos, não somos ilhas,
14:57 tudo em nós, tudo em nós tem uma dimensão individual e comunitária, então, quem nos oferece a capacidade de amar,
15:09 de crescer na resiliência, de perdoar, de ser perdoado, de ir mais longe, em definitiva, de ser eu, quem muda?
15:23 Portanto, todos, todos, todos somos seres amados, tocados pela bondade de alguma coisa maior ou de alguém maior,
15:34 todos somos seres espirituais, todos, todos, isto me parece que às vezes também, não vale, não é verdade?
15:53 Portanto, se somos, se somos estes seres espirituais, há uma voz profunda, há uma voz profunda que habita no nosso interior,
16:08 a teu padre Pedro le deu mais nome e eu me atrevo a ser respeitosa, porque diria que o meu segundo desafio é este,
16:16 por que não escutar a voz profunda que nos habita e ver até onde nos leva?
16:24 Por que não escutar a voz profunda que nos habita e ver até onde nos leva?
16:33 Por isso, ponho aqui eu não, e é o que eu diria também, é o meu empeño no meu cada dia,
16:40 por que não acarinhar esta voz profunda para que possa crescer em mim e não eu possa crescer com ela?
16:49 Porque escutando esta voz interior, é a própria, lançarmos dia com um olhar novo para o exterior,
16:59 de maneira a poder descifrar os seus sinais exteriores, nos quais estamos mergulhados no nosso dia a dia?
17:09 E assim, se calhar, podíamos identificar que ou quem nos fala, e o que nos fala?
17:21 Possivelmente sentirmos,íamos alimentados, na nossa fé, a que temos, e no nosso sonho, os que temos,
17:31 e as a palpa delas, se calhar identificávamos um caminho que se nos convida a seguir,
17:38 e ele se abria como um horizonte novo cheio de esperança para poder caminhar na nossa vida de maneira diferente.
17:49 Obrigada.
18:00 Muito obrigado Núria.

Desafios do dia-a-dia - Núria Frau

Descrição

Estás preparado para enfrentar os desafios do dia? Núria Frau convida-te a refletir sobre a vida, o amor e a espiritualidade de uma forma descontraída e inspiradora. Descobre como encontrar sentido nas pequenas coisas do cotidiano e abraça um novo olhar sobre o que realmente importa.

Resumo

Na sua palestra, Núria Frau explora os desafios do dia a dia e a importância da espiritualidade nas nossas vidas. Com uma abordagem envolvente e descontraída, faz uma reflexão sobre a busca pela felicidade, que não é um objetivo alcançável, mas sim o resultado de vivências conscientes e significativas. A felicidade, segundo Frau, flui naturalmente quando nos dedicamos ao bem dos outros e a nós próprios, fazendo com que cada dia tenha um propósito.

Um dos pontos centrais da sua mensagem é a necessidade de amar e ser amado, enfatizando que a relação entre as pessoas se constrói através do olhar, do toque e da conexão emocional. Para além disso, destaca a importância de escutarmos a voz profunda que reside dentro de nós, um convite a prestar atenção aos nossos sentimentos e intuições. Esta conexão interna pode guiar-nos em direções inesperadas, levando-nos a reconhecer que somos todos parte de algo maior.

Frau também menciona a inevitabilidade de circunstâncias que não conseguimos controlar, como dificuldades pessoais ou perdas, mas enfatiza que a forma como lidamos com isso está nas nossas mãos. A resiliência, o perdão e a capacidade de encontrar sentido nas adversidades são fundamentais para o nosso crescimento espiritual e pessoal. No final, a esperança emerge como um horizonte para uma vida mais plena e significativa, convidando todos a abraçar os desafios como oportunidades de transformação.

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