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Eu, depois de três apresentações tão interessantes, tão emocionais e tão empáticas, até tenho
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alguma vergonha de vir fazer uma apresentação tão cerebral como a que vocês vão ouvir
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agora.
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Mas eu acho que ela é empática também, num certo sentido, aliás, é bastante empática
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embora num sentido diferente.
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Eu vou bem tentar responder a esta pergunta, porquê é que a política nos divide?
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Eu acho que todos vocês já se aperceberam disto, provavelmente já se perguntaram porquê
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é que parece ser impossível muitas vezes nós entendermos uns com os outros e foi essa
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pergunta que eu fiz a mim próprio desde sempre, eu acho que desde sempre até porque a pessoa
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vai confrontando o meio familiar em que nasce, os amigos em que faz e as conversas que tem
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e a certo ponto, já depois de ter lançado o 45 Graus, o meu podcast, decidi fazer uma
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série de episódios sobre o assunto em que tentava explorar e perceber melhor as causas
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das nossas diferenças.
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E depois, quando escrevi o livro, acabei por fazer esse exercício ainda de uma maneira
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mais aprofundada no livro e é isso também sobre o que vou falar um pouco aqui hoje,
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tentar, enfim, tentar convencer-vos, persuadir-vos, sobretudo, de três ideias.
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A primeira é que a política é muito complexa e é tão complexa que é impossível nós
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estarmos certos e, portanto, as outras pessoas também não estarão certas e, de certeza,
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não estarão sempre certas.
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A segunda é que, mesmo que pudéssemos conhecer todos os factos, mesmo que pudéssemos controlar
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essa complexidade, os nossos valores influenciam a maneira como cada um de nós olha para a
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política.
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E a terceira ideia, que deriva muito deste segundo ponto, é que, por causa disso, as
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diferentes visões políticas, as diferentes ideologias têm razão em alguns pontos e
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não têm razão em outros pontos e, em certo sentido, elas nunca podem ter uma razão completa
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porque tratam de bens em conflito, tratam de diferentes valores que, na prática, é
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impossível implementar ao mesmo tempo.
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São estas três ideias em relação às quais eu vos quero persuadir aqui hoje.
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A primeira é, em todo, que a política é muito complexa.
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A política é um jogo, como eu costumo dizer, de verdades parciais.
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Porquê?
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Porque nós, para formarmos uma opinião em relação a determinado tema, nós temos
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que, a se pensar, temos que dominar factos de todo o tipo, da economia, da organização
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social, dos vários grupos, da história, daquilo que precedeu, o país ou aquele caso
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específico.
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Temos que dominar factos da ciência, muitas vezes, para o caso de estarmos a falar das
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alterações climáticas, temos que dominar factos da tecnologia, no caso de estarmos
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a falar de inteligência artificial, por exemplo, e temos de o fazer com a mente limitada, como
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a nossa, individual, e ainda por cima com uma série de viés cognitivos e outro tipo
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de coisas que enviasam o nosso raciocínio, como tem sido comprovado nos últimos anos.
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Portanto, é muito difícil, para não dizer impossível, uma pessoa, individualmente,
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fazer isso e mesmo que conseguíssemos fazer, mesmo que conseguíssemos dominar todos estes
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factos de um problema, o futuro é imprevisível.
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E, portanto, não há decisões, em política, não há decisões 100% certas, não há decisões
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que só produzam bons resultados.
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É impossível, é absolutamente impossível isso acontecer.
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E, portanto, as nossas opiniões, a minha opinião, a vossa opinião, na melhor das
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hipóteses, vai conter uma verdade parcial, nunca vai conter uma verdade completa.
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Isto é válido para a nossa opinião e para a opinião das pessoas cuja opinião nos é
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transmitida.
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A segunda ideia, como disse, que vos queria transmitir é que, para além disto, para além
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desta limitação dos factos, a nossa visão política é também influenciada pelos nossos
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valores.
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Houve um político bastante conhecido que disse esta frase que aparece aqui neste slide.
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As pessoas sérias, com a mesma informação, têm de concordar.
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Alguém sabe quem foi?
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Quer vacuci-la?
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O que interessa não é a pessoa que disse a frase, o que interessa aqui, neste caso,
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é o pensamento que está por trás disto.
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Acham que é verdade?
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Acham que basta ter a mesma informação?
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Talvez não, não é?
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Talvez não seja bem isso.
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Porque todos sabemos que há temas em política em que o consenso parece impossível.
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Aliás, são aqueles temas recorrentes, que não ficam encerrados, estão sempre a voltar
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acima da mesa.
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Por exemplo, queremos liberdade ou queremos segurança?
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Foi muito discutido no Covid.
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Queremos andar todos de máscara e ter o máximo de segurança possível ou pagar o preço
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e ter a liberdade?
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Queremos uma maior intervenção do Estado na economia, uma economia mais regulada?
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Ou queremos, pelo contrário, uma economia mais livre, com o bom e o mau que isso tem?
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Queremos, por exemplo, no caso do aborto, é um tema evidente em que isto está em confronto,
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de que é que trata o aborto?
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A liberdade da mulher ou de uma vida, seja ela uma vida real ou uma vida em potência?
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É impossível chegarmos a um acordo em relação a isto, porquê?
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Porque nestes temas existem bens conflituantes em jogo, sejam bens que são completamente
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irreconciliáveis, como por exemplo o exemplo do aborto, ou bens que dependem de recursos
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limitados, como é o caso da economia, quer dizer, não há recursos para fazer tudo,
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é uma coisa que toda a gente aprende, acho eu, na primeira aula de Introdução à Economia
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para quer fazer esse curso.
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E portanto, a nossa opinião não depende dos factos, embora, como eu disse, seja impossível
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nós dominarmos os factos todos, mas mesmo que o conseguíssemos, e mesmo que fôssemos
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sérios, para voltar a citar o Cavaco Silva, não seria possível, porque depende também
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dos nossos valores, é muito influenciada pelos nossos valores, o que nós achamos que
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está bem, que está errado, certo, o que é bom ou mau, o que é certo, o que é incerto,
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o que é mais prioritário, o que é menos prioritário, porque os nossos valores vão
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influenciar o tipo de sociedade em que queremos viver e, portanto, vão influenciar a nossa
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visão política.
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E como nós todos temos diferentes valores uns dos outros, isso implica que as diferentes
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visões políticas com que nós nos confrontamos, seja no café, seja a conversa em família,
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seja nos jornais e nos noticiários, também refletem estes valores.
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E a terceira ideia que eu vos quero transmitir tem exatamente a ver com isto, é que as diferentes
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ideologias, porque refletem os diferentes valores, são complementares, elas complementam-se,
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mas também são imperfeitas, nenhuma delas vale por si própria e nós temos que navegar,
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no dia-a-dia vamos ter que navegar esta tensão e decidir entre uma e outra, mas ciente desta
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tensão.
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E posto isso, nós já percebemos que os valores influenciam a maneira como nós olhamos para
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a política, será que é possível identificar os valores mais comuns nos seres humanos e
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com isso também perceber melhor as nossas diferentes visões políticas?
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Foi isso que se propuseram fazer um conjunto de investigadores em psicologia, que desenvolveram
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este modelo dos seis pilares morais.
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E é um modelo muito interessante, este modelo propõe basicamente que há pilares, há fundações
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da nossa moralidade, que são uma espécie de instintos morais, que surgiram ao longo
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da nossa evolução, em que a nossa espécie viveu em tribos, para gerir as nossas relações
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com os outros.
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E são de dois tipos, são seis pilares, seis valores se quiserem, para usar o termo mais
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genérico, que eles encaixam em dois tipos de ética, uma é a ética da autonomia, que
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tem a ver com gerir as minhas relações com o resto das pessoas da tribo, do grupo, e
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outra é a ética comunitária, que tem a ver com manter o grupo coeso também, mas
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não só face a ameaças externas.
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São então seis pilares no total, que nós já vamos ver a seguir o que é que eles nos
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dizem em relação às diferentes visões políticas.
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Há três na ética da autonomia, portanto tem a ver com a relação dos indivíduos
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uns com os outros e no seio do grupo.
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O primeiro de todos tem a ver com a proteção.
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Isto basicamente vem do facto da nossa espécie ser uma espécie altricial, que é basicamente
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um termo muito complexo para dizer que nós temos bebés que precisam de assistência
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até muito tarde, como toda a gente que tem filhos sabe.
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E portanto nós temos um instinto de proteção muito grande sobre aqueles que vemos como
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frágeis, e isto é válido para os nossos filhos, mas também é válido para os nossos
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avós, por exemplo, é válido para a família e é válido no limite para qualquer pessoa
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ou até o animal que nós sintamos como próximo de nós.
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E isto está muito presente em política, como é fácil de entender.
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O segundo pilar da proporcionalidade tem muito a ver com a chamada ética da reciprocidade,
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que está presente em todas as áreas da vida.
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Nós damos determinada coisa e esperamos receber algo em troca.
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Eu estou a receber um salário justo pelo meu trabalho?
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Estou a receber de menos?
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A outra pessoa que está ali ao fundo, está ali a preguiçar e está a receber o mesmo
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que eu?
8:27
Isto está presente em todo o lado e como é fácil de entender, está muito presente
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na política.
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E o terceiro pilar desta ética da autonomia é a liberdade, que é o mais fácil de entender
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de todos, é a liberdade face a quem a quer constranger.
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Na ética da comunidade há também três pilares.
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A primeira parte é a ética, como eu disse, tem a ver com manter o grupo unido.
8:44
O primeiro tem a ver com a lealdade ao grupo, com manter o espírito do grupo.
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Isto pode ser, por exemplo, numa sociedade contemporânea, tem a ver com sentimentos
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de patriotismo, tem a ver de pertença à comunidade, tem a ver também com o sentido
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de ver perante a família, por exemplo, a importância da família.
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O segundo pilar é o da autoridade, que tem a ver com a hierarquia.
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E é preciso perceber que a hierarquia tem alguma má fama, mas é necessária nas sociedades
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humanas, nós precisamos de pessoas que tenham a responsabilidade de governar uma determinada
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comunidade e, em troca disso, recebem uma certa reverência de quem está abaixo e,
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consoante a nossa boa ou má relação com a autoridade neste sentido, nós teremos maior
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ou menor, ou consoante seja mais ou menos benevolente a nossa visão da autoridade,
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isso vai implicar a nossa sensibilidade a este pilar.
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E o último é o mais difícil de explicar de todos, que é o mais imaterial.
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Tem a ver também com a unidade do grupo, mas mais a um nível dos símbolos, aquele
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símbolo pilar da pureza, por exemplo, tem a ver com, por exemplo, se falamos de um país
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com a bandeira, com o hino nacional, não é preciso ser muito patriótico para nos
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fazer a impressão de ver alguém pisar a bandeira portuguesa, por exemplo, isso reflete
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isso.
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No caso da religião está muito presente também, no caso da moral, ver o corpo como
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um templo, por exemplo, tudo isso tem a ver com a santidade ou com a sacralidade.
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E estes valores, como vos disse, estes seis pilares explicam a moral humana e, explicando
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a moral humana, também vão estar inevitavelmente presentes na política.
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Eu aqui vou-vos mostrar apenas o eixo mais comum na política, que é o eixo esquerda-direita
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e vemos aqui a matriz moral da esquerda e é muito interessante porque o que é que
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nos salta logo à vista?
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Uma ênfase muito grande no pilar da proteção dos oprimidos, se quisermos, uma ênfase também
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bastante grande no pilar da liberdade, também na proporcionalidade, embora isso esteja transversal
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a todas as visões políticas porque é um elemento fundamental da nossa vida em comunidade
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nas sociedades modernas e uma ligação muito baixa aos três pilares da ética comunitária,
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lealdade, autoridade e sacralidade.
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E foi muito interessante porque eu, quando estava a escrever o livro, a certa altura
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estava a andar na estrada e passei por este cartaz do bloco de esquerda e, claro, como
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eu estava com isto na cabeça, de repente vi ali quase transposto, quase a declinação
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da matriz moral da esquerda, porque a esquerda, particularmente em Portugal, é mais vistosa
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nos valores, na maneira como transparece os valores e dentro do bloco de esquerda há
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mais do que, por exemplo, o PCP.
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Este cartaz é muito interessante porque tem justo, que é o pilar da proporcionalidade
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aliado à proteção, a justiça no trabalho, salário mínimo, os banqueiros que vão ficar
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com o nosso dinheiro, enfim, está por todo lado, solidário, que é basicamente o pilar
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da proteção e, talvez ainda mais paradigmático de todos, insumisso, que é a liberdade associada
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a uma aversão bastante grande à autoridade, que é tradicional da esquerda.
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Portanto, essa defesa da liberdade associada a uma grande reação à autoridade e aquilo
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que é visto como, por exemplo, instituições tradicionais, patriarcada, enfim, tudo o que
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seja da erra lógica do insumisso.
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Portanto, este cartaz é o decalque quase perfeito da matriz da esquerda.
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A matriz da direita, e aqui eu falo da, poderíamos falar da direita liberal também, mas aqui
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eu estou a falar da direita clássica, é uma matriz bastante diferente.
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Primeiro tem um aspecto interessante que é sensível a todos os pilares, quase por igual.
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Isto é uma simplificação, naturalmente, mas é sensível a todos os pilares.
12:14
E distingue-se da da esquerda essencialmente por dois aspectos.
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Primeiro, é menos sensível à proteção, embora também seja, menos sensível à liberdade,
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embora também seja, e tem uma sensibilidade idêntica à proporcionalidade, a essa justiça
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no trabalho, mas isto vai dar, como vocês vão ver, uma combinação diferente, uma
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maior ênfase nesta proporcionalidade e, sobretudo, de uma maneira diferente.
12:34
E, por outro lado, é sensível aos três pilares da ética comunitária.
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E isso vai gerar visões políticas diferentes e, sobretudo, vai gerar os tais bens de conflito
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antes de que eu falava há pouco.
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Ou seja, enfasem diferentes coisas que são positivas, mas estão em tensão.
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Seja por recursos limitados, seja por questão de intenção, por dizer respeito a valores
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que estão em conflito.
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Eu vou dar dois exemplos, podíamos dar muitos mais, mas vou dar dois exemplos nos eixos
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a que nós estamos habituados a assistir e não sei se vocês já fizeram aquelas bússolas
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políticas que, normalmente, dão a nossa orientação política, normalmente aquilo
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de dividir entre economia e sociedade.
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Porque são os dois principais eixos a que nós acabamos por estar a debater politicamente.
13:15
E na sociedade o que é que isto dá?
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A esquerda enfatiza muito a liberdade de estilos de vida.
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Ou seja, eu fazer o que quiser, eu faço o que quiser com o meu corpo, eu faço o que
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quiser, dou-me com quem eu quiser, quer dizer, tenho relações com quem eu quiser.
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E isso é um ênfase muito grande no pilar da liberdade e um apego baixo, por exemplo,
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à tradição.
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Um ênfase também grande na proteção das minorias, que é o pilar da proteção associada
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à liberdade e, de novo, uma aversão à autoridade, que é visto como estruturas que são opressoras
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sobre determinadas minorias.
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E à direita, não é que necessariamente haja um desacordo com isto, mas a ênfase
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é diferente, a ênfase está muitas vezes na família, na ligação à família, na
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necessidade de proteger os mais velhos, por exemplo, na necessidade de manter a ordem,
14:01
manter as regras do jogo, manter a estabilidade e, por exemplo, na necessidade de respeitar
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a tradição.
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E aqui, a palavra respeitar não está aqui por acaso, porque a tradição tem o papel
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de manutenção da ordem, mas também há, do ponto de vista da moral da direita, uma
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espécie de responsabilidade de tratar bem a tradição, ou seja, aquilo que vem de trás.
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Aqueles que vieram de trás fizeram alguma coisa e seria, de certa forma, uma irresponsabilidade
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nós, de repente, passarmos um pano por cima daquilo que foi feito antes.
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Mas isto dá perspectivas diferentes, sobretudo há perspectivas muito diferentes sobre aquilo
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que se pode fazer na política, que é, inevitavelmente, um terreno em que há meios limitados, nós
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não podemos estar a discutir todos os temas ao mesmo tempo.
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E na economia, isto ainda é mais visível, esta diferença, porque a esquerda vai querer
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mais Estado.
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Porquê?
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Porque, do ponto de vista da esquerda, o Estado é o único meio que existe para fazer frente
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a instituições tradicionais vistas como opressoras.
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E, portanto, é preciso um Estado para proteger os depurados, para regular o mercado, para
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intervir no mercado, para proibir determinadas coisas, para estabelecer um salário mínimo,
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para estabelecer pensões.
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É necessário um salário para proteger.
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Lá está o pilar da proteção.
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À direita, a visão é diferente.
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Lá está.
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Não é que não se possa haver estes méritos, mas há uma ênfase bastante maior em haver
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menos Estado, de modo que as pessoas possam assumir a responsabilidade para si próprias
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e serem premiadas pelo seu mérito ou não.
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E, sobretudo, assumirem a responsabilidade noutras estruturas, que não simplesmente
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a estrutura da política.
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E, portanto, isto dá visões, dá uma tensão entre estas duas visões diferentes.
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Eu tenho uma visão que quer mais Estado porque quer proteger estes bens e outra visão que
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quer menos Estado porque quer proteger bens diferentes.
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São os tais bens-conflitoantes que eu vos falava no início.
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E, portanto, volto às três ideias que vos falei no início da conversa e para as quais
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eu gostava que saíssem sensibilizados desta apresentação.
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A primeira é que a política é impossível estarmos sempre certos.
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É um jogo de verdades parciais.
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Nunca vamos ter a verdade toda.
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Mesmo que conseguíssemos conhecer todos os factos e fôssemos sérios, assumindo que
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somos sérios, os nossos valores vão influenciar a nossa visão política.
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E como vão influenciar as visões políticas?
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Elas estão presentes nas três visões políticas mais comuns em sociedade.
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E, portanto, as diferentes ideologias são complementares entre si, mas também são
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imperfeitas isoladamente.
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E, portanto, o repte que eu vos queria deixar e também para ligar estas ideias é que sejam
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humildes nas vossas opiniões, sejam tolerantes em relação aos valores dos outros e que
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sejam curiosos, porque em política vale a pena ser curioso, para perceber o que é que
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o outro lado diz que tem razão.
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E isso não implica abdicar das nossas convicções, que se elevam sempre, mas perceber o que é
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que o outro lado tem a dizer porque, no final, no limite, isso vai pelo menos aperfeiçoar
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a nossa opinião.
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Muito obrigado.
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Obrigado.