3 Milhões de Nós
0:00 Eu, depois de três apresentações tão interessantes, tão emocionais e tão empáticas, até tenho
0:15 alguma vergonha de vir fazer uma apresentação tão cerebral como a que vocês vão ouvir
0:19 agora.
0:20 Mas eu acho que ela é empática também, num certo sentido, aliás, é bastante empática
0:23 embora num sentido diferente.
0:27 Eu vou bem tentar responder a esta pergunta, porquê é que a política nos divide?
0:31 Eu acho que todos vocês já se aperceberam disto, provavelmente já se perguntaram porquê
0:36 é que parece ser impossível muitas vezes nós entendermos uns com os outros e foi essa
0:41 pergunta que eu fiz a mim próprio desde sempre, eu acho que desde sempre até porque a pessoa
0:46 vai confrontando o meio familiar em que nasce, os amigos em que faz e as conversas que tem
0:51 e a certo ponto, já depois de ter lançado o 45 Graus, o meu podcast, decidi fazer uma
0:56 série de episódios sobre o assunto em que tentava explorar e perceber melhor as causas
1:01 das nossas diferenças.
1:02 E depois, quando escrevi o livro, acabei por fazer esse exercício ainda de uma maneira
1:08 mais aprofundada no livro e é isso também sobre o que vou falar um pouco aqui hoje,
1:14 tentar, enfim, tentar convencer-vos, persuadir-vos, sobretudo, de três ideias.
1:19 A primeira é que a política é muito complexa e é tão complexa que é impossível nós
1:25 estarmos certos e, portanto, as outras pessoas também não estarão certas e, de certeza,
1:29 não estarão sempre certas.
1:30 A segunda é que, mesmo que pudéssemos conhecer todos os factos, mesmo que pudéssemos controlar
1:37 essa complexidade, os nossos valores influenciam a maneira como cada um de nós olha para a
1:41 política.
1:42 E a terceira ideia, que deriva muito deste segundo ponto, é que, por causa disso, as
1:48 diferentes visões políticas, as diferentes ideologias têm razão em alguns pontos e
1:52 não têm razão em outros pontos e, em certo sentido, elas nunca podem ter uma razão completa
1:55 porque tratam de bens em conflito, tratam de diferentes valores que, na prática, é
2:05 impossível implementar ao mesmo tempo.
2:07 São estas três ideias em relação às quais eu vos quero persuadir aqui hoje.
2:11 A primeira é, em todo, que a política é muito complexa.
2:14 A política é um jogo, como eu costumo dizer, de verdades parciais.
2:17 Porquê?
2:18 Porque nós, para formarmos uma opinião em relação a determinado tema, nós temos
2:22 que, a se pensar, temos que dominar factos de todo o tipo, da economia, da organização
2:28 social, dos vários grupos, da história, daquilo que precedeu, o país ou aquele caso
2:34 específico.
2:35 Temos que dominar factos da ciência, muitas vezes, para o caso de estarmos a falar das
2:38 alterações climáticas, temos que dominar factos da tecnologia, no caso de estarmos
2:42 a falar de inteligência artificial, por exemplo, e temos de o fazer com a mente limitada, como
2:48 a nossa, individual, e ainda por cima com uma série de viés cognitivos e outro tipo
2:52 de coisas que enviasam o nosso raciocínio, como tem sido comprovado nos últimos anos.
2:56 Portanto, é muito difícil, para não dizer impossível, uma pessoa, individualmente,
3:00 fazer isso e mesmo que conseguíssemos fazer, mesmo que conseguíssemos dominar todos estes
3:03 factos de um problema, o futuro é imprevisível.
3:05 E, portanto, não há decisões, em política, não há decisões 100% certas, não há decisões
3:11 que só produzam bons resultados.
3:12 É impossível, é absolutamente impossível isso acontecer.
3:15 E, portanto, as nossas opiniões, a minha opinião, a vossa opinião, na melhor das
3:19 hipóteses, vai conter uma verdade parcial, nunca vai conter uma verdade completa.
3:23 Isto é válido para a nossa opinião e para a opinião das pessoas cuja opinião nos é
3:28 transmitida.
3:29 A segunda ideia, como disse, que vos queria transmitir é que, para além disto, para além
3:34 desta limitação dos factos, a nossa visão política é também influenciada pelos nossos
3:38 valores.
3:39 Houve um político bastante conhecido que disse esta frase que aparece aqui neste slide.
3:44 As pessoas sérias, com a mesma informação, têm de concordar.
3:49 Alguém sabe quem foi?
3:51 Quer vacuci-la?
3:52 O que interessa não é a pessoa que disse a frase, o que interessa aqui, neste caso,
3:57 é o pensamento que está por trás disto.
3:58 Acham que é verdade?
3:59 Acham que basta ter a mesma informação?
4:02 Talvez não, não é?
4:04 Talvez não seja bem isso.
4:05 Porque todos sabemos que há temas em política em que o consenso parece impossível.
4:09 Aliás, são aqueles temas recorrentes, que não ficam encerrados, estão sempre a voltar
4:13 acima da mesa.
4:14 Por exemplo, queremos liberdade ou queremos segurança?
4:18 Foi muito discutido no Covid.
4:20 Queremos andar todos de máscara e ter o máximo de segurança possível ou pagar o preço
4:25 e ter a liberdade?
4:26 Queremos uma maior intervenção do Estado na economia, uma economia mais regulada?
4:30 Ou queremos, pelo contrário, uma economia mais livre, com o bom e o mau que isso tem?
4:35 Queremos, por exemplo, no caso do aborto, é um tema evidente em que isto está em confronto,
4:38 de que é que trata o aborto?
4:39 A liberdade da mulher ou de uma vida, seja ela uma vida real ou uma vida em potência?
4:44 É impossível chegarmos a um acordo em relação a isto, porquê?
4:48 Porque nestes temas existem bens conflituantes em jogo, sejam bens que são completamente
4:52 irreconciliáveis, como por exemplo o exemplo do aborto, ou bens que dependem de recursos
4:56 limitados, como é o caso da economia, quer dizer, não há recursos para fazer tudo,
4:59 é uma coisa que toda a gente aprende, acho eu, na primeira aula de Introdução à Economia
5:04 para quer fazer esse curso.
5:06 E portanto, a nossa opinião não depende dos factos, embora, como eu disse, seja impossível
5:12 nós dominarmos os factos todos, mas mesmo que o conseguíssemos, e mesmo que fôssemos
5:15 sérios, para voltar a citar o Cavaco Silva, não seria possível, porque depende também
5:20 dos nossos valores, é muito influenciada pelos nossos valores, o que nós achamos que
5:24 está bem, que está errado, certo, o que é bom ou mau, o que é certo, o que é incerto,
5:29 o que é mais prioritário, o que é menos prioritário, porque os nossos valores vão
5:33 influenciar o tipo de sociedade em que queremos viver e, portanto, vão influenciar a nossa
5:38 visão política.
5:40 E como nós todos temos diferentes valores uns dos outros, isso implica que as diferentes
5:44 visões políticas com que nós nos confrontamos, seja no café, seja a conversa em família,
5:49 seja nos jornais e nos noticiários, também refletem estes valores.
5:54 E a terceira ideia que eu vos quero transmitir tem exatamente a ver com isto, é que as diferentes
5:58 ideologias, porque refletem os diferentes valores, são complementares, elas complementam-se,
6:04 mas também são imperfeitas, nenhuma delas vale por si própria e nós temos que navegar,
6:10 no dia-a-dia vamos ter que navegar esta tensão e decidir entre uma e outra, mas ciente desta
6:16 tensão.
6:17 E posto isso, nós já percebemos que os valores influenciam a maneira como nós olhamos para
6:22 a política, será que é possível identificar os valores mais comuns nos seres humanos e
6:28 com isso também perceber melhor as nossas diferentes visões políticas?
6:32 Foi isso que se propuseram fazer um conjunto de investigadores em psicologia, que desenvolveram
6:39 este modelo dos seis pilares morais.
6:42 E é um modelo muito interessante, este modelo propõe basicamente que há pilares, há fundações
6:47 da nossa moralidade, que são uma espécie de instintos morais, que surgiram ao longo
6:52 da nossa evolução, em que a nossa espécie viveu em tribos, para gerir as nossas relações
6:56 com os outros.
6:57 E são de dois tipos, são seis pilares, seis valores se quiserem, para usar o termo mais
7:01 genérico, que eles encaixam em dois tipos de ética, uma é a ética da autonomia, que
7:06 tem a ver com gerir as minhas relações com o resto das pessoas da tribo, do grupo, e
7:11 outra é a ética comunitária, que tem a ver com manter o grupo coeso também, mas
7:16 não só face a ameaças externas.
7:18 São então seis pilares no total, que nós já vamos ver a seguir o que é que eles nos
7:24 dizem em relação às diferentes visões políticas.
7:26 Há três na ética da autonomia, portanto tem a ver com a relação dos indivíduos
7:31 uns com os outros e no seio do grupo.
7:34 O primeiro de todos tem a ver com a proteção.
7:37 Isto basicamente vem do facto da nossa espécie ser uma espécie altricial, que é basicamente
7:41 um termo muito complexo para dizer que nós temos bebés que precisam de assistência
7:44 até muito tarde, como toda a gente que tem filhos sabe.
7:47 E portanto nós temos um instinto de proteção muito grande sobre aqueles que vemos como
7:51 frágeis, e isto é válido para os nossos filhos, mas também é válido para os nossos
7:54 avós, por exemplo, é válido para a família e é válido no limite para qualquer pessoa
8:00 ou até o animal que nós sintamos como próximo de nós.
8:04 E isto está muito presente em política, como é fácil de entender.
8:07 O segundo pilar da proporcionalidade tem muito a ver com a chamada ética da reciprocidade,
8:14 que está presente em todas as áreas da vida.
8:15 Nós damos determinada coisa e esperamos receber algo em troca.
8:18 Eu estou a receber um salário justo pelo meu trabalho?
8:20 Estou a receber de menos?
8:22 A outra pessoa que está ali ao fundo, está ali a preguiçar e está a receber o mesmo
8:26 que eu?
8:27 Isto está presente em todo o lado e como é fácil de entender, está muito presente
8:29 na política.
8:30 E o terceiro pilar desta ética da autonomia é a liberdade, que é o mais fácil de entender
8:35 de todos, é a liberdade face a quem a quer constranger.
8:38 Na ética da comunidade há também três pilares.
8:41 A primeira parte é a ética, como eu disse, tem a ver com manter o grupo unido.
8:44 O primeiro tem a ver com a lealdade ao grupo, com manter o espírito do grupo.
8:49 Isto pode ser, por exemplo, numa sociedade contemporânea, tem a ver com sentimentos
8:52 de patriotismo, tem a ver de pertença à comunidade, tem a ver também com o sentido
8:57 de ver perante a família, por exemplo, a importância da família.
9:00 O segundo pilar é o da autoridade, que tem a ver com a hierarquia.
9:05 E é preciso perceber que a hierarquia tem alguma má fama, mas é necessária nas sociedades
9:09 humanas, nós precisamos de pessoas que tenham a responsabilidade de governar uma determinada
9:13 comunidade e, em troca disso, recebem uma certa reverência de quem está abaixo e,
9:19 consoante a nossa boa ou má relação com a autoridade neste sentido, nós teremos maior
9:24 ou menor, ou consoante seja mais ou menos benevolente a nossa visão da autoridade,
9:29 isso vai implicar a nossa sensibilidade a este pilar.
9:32 E o último é o mais difícil de explicar de todos, que é o mais imaterial.
9:35 Tem a ver também com a unidade do grupo, mas mais a um nível dos símbolos, aquele
9:39 símbolo pilar da pureza, por exemplo, tem a ver com, por exemplo, se falamos de um país
9:43 com a bandeira, com o hino nacional, não é preciso ser muito patriótico para nos
9:47 fazer a impressão de ver alguém pisar a bandeira portuguesa, por exemplo, isso reflete
9:51 isso.
9:52 No caso da religião está muito presente também, no caso da moral, ver o corpo como
9:57 um templo, por exemplo, tudo isso tem a ver com a santidade ou com a sacralidade.
10:03 E estes valores, como vos disse, estes seis pilares explicam a moral humana e, explicando
10:08 a moral humana, também vão estar inevitavelmente presentes na política.
10:12 Eu aqui vou-vos mostrar apenas o eixo mais comum na política, que é o eixo esquerda-direita
10:18 e vemos aqui a matriz moral da esquerda e é muito interessante porque o que é que
10:22 nos salta logo à vista?
10:23 Uma ênfase muito grande no pilar da proteção dos oprimidos, se quisermos, uma ênfase também
10:29 bastante grande no pilar da liberdade, também na proporcionalidade, embora isso esteja transversal
10:34 a todas as visões políticas porque é um elemento fundamental da nossa vida em comunidade
10:39 nas sociedades modernas e uma ligação muito baixa aos três pilares da ética comunitária,
10:44 lealdade, autoridade e sacralidade.
10:47 E foi muito interessante porque eu, quando estava a escrever o livro, a certa altura
10:50 estava a andar na estrada e passei por este cartaz do bloco de esquerda e, claro, como
10:55 eu estava com isto na cabeça, de repente vi ali quase transposto, quase a declinação
11:01 da matriz moral da esquerda, porque a esquerda, particularmente em Portugal, é mais vistosa
11:08 nos valores, na maneira como transparece os valores e dentro do bloco de esquerda há
11:12 mais do que, por exemplo, o PCP.
11:13 Este cartaz é muito interessante porque tem justo, que é o pilar da proporcionalidade
11:17 aliado à proteção, a justiça no trabalho, salário mínimo, os banqueiros que vão ficar
11:24 com o nosso dinheiro, enfim, está por todo lado, solidário, que é basicamente o pilar
11:29 da proteção e, talvez ainda mais paradigmático de todos, insumisso, que é a liberdade associada
11:40 a uma aversão bastante grande à autoridade, que é tradicional da esquerda.
11:44 Portanto, essa defesa da liberdade associada a uma grande reação à autoridade e aquilo
11:49 que é visto como, por exemplo, instituições tradicionais, patriarcada, enfim, tudo o que
11:53 seja da erra lógica do insumisso.
11:55 Portanto, este cartaz é o decalque quase perfeito da matriz da esquerda.
11:59 A matriz da direita, e aqui eu falo da, poderíamos falar da direita liberal também, mas aqui
12:03 eu estou a falar da direita clássica, é uma matriz bastante diferente.
12:07 Primeiro tem um aspecto interessante que é sensível a todos os pilares, quase por igual.
12:11 Isto é uma simplificação, naturalmente, mas é sensível a todos os pilares.
12:14 E distingue-se da da esquerda essencialmente por dois aspectos.
12:17 Primeiro, é menos sensível à proteção, embora também seja, menos sensível à liberdade,
12:22 embora também seja, e tem uma sensibilidade idêntica à proporcionalidade, a essa justiça
12:27 no trabalho, mas isto vai dar, como vocês vão ver, uma combinação diferente, uma
12:31 maior ênfase nesta proporcionalidade e, sobretudo, de uma maneira diferente.
12:34 E, por outro lado, é sensível aos três pilares da ética comunitária.
12:37 E isso vai gerar visões políticas diferentes e, sobretudo, vai gerar os tais bens de conflito
12:43 antes de que eu falava há pouco.
12:44 Ou seja, enfasem diferentes coisas que são positivas, mas estão em tensão.
12:49 Seja por recursos limitados, seja por questão de intenção, por dizer respeito a valores
12:54 que estão em conflito.
12:55 Eu vou dar dois exemplos, podíamos dar muitos mais, mas vou dar dois exemplos nos eixos
13:00 a que nós estamos habituados a assistir e não sei se vocês já fizeram aquelas bússolas
13:06 políticas que, normalmente, dão a nossa orientação política, normalmente aquilo
13:09 de dividir entre economia e sociedade.
13:11 Porque são os dois principais eixos a que nós acabamos por estar a debater politicamente.
13:15 E na sociedade o que é que isto dá?
13:17 A esquerda enfatiza muito a liberdade de estilos de vida.
13:20 Ou seja, eu fazer o que quiser, eu faço o que quiser com o meu corpo, eu faço o que
13:26 quiser, dou-me com quem eu quiser, quer dizer, tenho relações com quem eu quiser.
13:31 E isso é um ênfase muito grande no pilar da liberdade e um apego baixo, por exemplo,
13:36 à tradição.
13:37 Um ênfase também grande na proteção das minorias, que é o pilar da proteção associada
13:42 à liberdade e, de novo, uma aversão à autoridade, que é visto como estruturas que são opressoras
13:47 sobre determinadas minorias.
13:49 E à direita, não é que necessariamente haja um desacordo com isto, mas a ênfase
13:52 é diferente, a ênfase está muitas vezes na família, na ligação à família, na
13:56 necessidade de proteger os mais velhos, por exemplo, na necessidade de manter a ordem,
14:01 manter as regras do jogo, manter a estabilidade e, por exemplo, na necessidade de respeitar
14:05 a tradição.
14:06 E aqui, a palavra respeitar não está aqui por acaso, porque a tradição tem o papel
14:11 de manutenção da ordem, mas também há, do ponto de vista da moral da direita, uma
14:16 espécie de responsabilidade de tratar bem a tradição, ou seja, aquilo que vem de trás.
14:21 Aqueles que vieram de trás fizeram alguma coisa e seria, de certa forma, uma irresponsabilidade
14:25 nós, de repente, passarmos um pano por cima daquilo que foi feito antes.
14:29 Mas isto dá perspectivas diferentes, sobretudo há perspectivas muito diferentes sobre aquilo
14:32 que se pode fazer na política, que é, inevitavelmente, um terreno em que há meios limitados, nós
14:36 não podemos estar a discutir todos os temas ao mesmo tempo.
14:39 E na economia, isto ainda é mais visível, esta diferença, porque a esquerda vai querer
14:43 mais Estado.
14:44 Porquê?
14:45 Porque, do ponto de vista da esquerda, o Estado é o único meio que existe para fazer frente
14:50 a instituições tradicionais vistas como opressoras.
14:53 E, portanto, é preciso um Estado para proteger os depurados, para regular o mercado, para
14:58 intervir no mercado, para proibir determinadas coisas, para estabelecer um salário mínimo,
15:01 para estabelecer pensões.
15:03 É necessário um salário para proteger.
15:05 Lá está o pilar da proteção.
15:07 À direita, a visão é diferente.
15:09 Lá está.
15:10 Não é que não se possa haver estes méritos, mas há uma ênfase bastante maior em haver
15:15 menos Estado, de modo que as pessoas possam assumir a responsabilidade para si próprias
15:21 e serem premiadas pelo seu mérito ou não.
15:23 E, sobretudo, assumirem a responsabilidade noutras estruturas, que não simplesmente
15:26 a estrutura da política.
15:27 E, portanto, isto dá visões, dá uma tensão entre estas duas visões diferentes.
15:32 Eu tenho uma visão que quer mais Estado porque quer proteger estes bens e outra visão que
15:37 quer menos Estado porque quer proteger bens diferentes.
15:39 São os tais bens-conflitoantes que eu vos falava no início.
15:43 E, portanto, volto às três ideias que vos falei no início da conversa e para as quais
15:47 eu gostava que saíssem sensibilizados desta apresentação.
15:51 A primeira é que a política é impossível estarmos sempre certos.
15:55 É um jogo de verdades parciais.
15:56 Nunca vamos ter a verdade toda.
15:58 Mesmo que conseguíssemos conhecer todos os factos e fôssemos sérios, assumindo que
16:02 somos sérios, os nossos valores vão influenciar a nossa visão política.
16:06 E como vão influenciar as visões políticas?
16:09 Elas estão presentes nas três visões políticas mais comuns em sociedade.
16:15 E, portanto, as diferentes ideologias são complementares entre si, mas também são
16:20 imperfeitas isoladamente.
16:22 E, portanto, o repte que eu vos queria deixar e também para ligar estas ideias é que sejam
16:27 humildes nas vossas opiniões, sejam tolerantes em relação aos valores dos outros e que
16:32 sejam curiosos, porque em política vale a pena ser curioso, para perceber o que é que
16:35 o outro lado diz que tem razão.
16:37 E isso não implica abdicar das nossas convicções, que se elevam sempre, mas perceber o que é
16:41 que o outro lado tem a dizer porque, no final, no limite, isso vai pelo menos aperfeiçoar
16:46 a nossa opinião.
16:47 Muito obrigado.
16:52 Obrigado.

Diversidade de ação política - José Maria Pimentel

Descrição

A palestra de José Maria Pimentel revela os mistérios da diversidade de ação política e desafia-nos a questionar por que razões a política nos divide. Com um tom cativante, o orador convida os jovens a refletir sobre as suas opiniões e valores, e a abraçar a complexidade do debate político.

Resumo

José Maria Pimentel começa por abordar a complexidade da política, afirmando que as opiniões são frequentemente influenciadas por valores pessoais e que é impossível conhecer toda a verdade sobre um tema. O orador destaca que, mesmo com acesso a todos os factos, a forma como interpretamos esses factos é moldada pelas nossas convicções, tornando as nossas opiniões verdades parciais. Ao explorar a natureza dos bens em conflito que existem nas decisões políticas, Pimentel exemplifica com questões como a liberdade versus segurança, ou a ética do aborto, mostrando que diferentes valores geram visões políticas divergentes.

O autor apresenta o modelo dos seis pilares morais, que explicam a moral humana ao longo da evolução, incluindo tanto a ética da autonomia como a ética comunitária. Ele argumenta que estas perspectivas influenciam as ideologias políticas, sendo que a esquerda tende a enfatizar a proteção dos oprimidos e a liberdade individual, enquanto a direita valoriza a ordem, a tradição e a responsabilidade. Pimentel também discute como essas visões se manifestam nas diferentes abordagens económicas, salientando o debate entre a necessidade de um estado interventor e a defesa do mérito individual.

Conclui a sua intervenção realçando a importância da humildade e da curiosidade nas opiniões políticas, incentivando os ouvintes a serem tolerantes e a procurarem compreender as razões por detrás das visões opostas. Para Pimentel, a política é um campo onde o diálogo e a compreensão mútua são essenciais para evoluir as nossas próprias convicções.

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