3 Milhões de Nós
0:00 Bom dia, ela magna, antes de mais, muito obrigada à equipe, a fantástica equipe de três
0:09 meninos de nós pelo convite para estar aqui hoje presente com vocês.
0:12 E convido-vos a olharem à volta e a ver a quantidade de jovens que nós temos nesta
0:16 sala, por isso gostava de vos dar os parabéns a todos por abdicarem de um sábado, a verdade
0:21 que um sábado chovoso, mas para se juntarem a nós e pensarmos um bocadinho ao longo do
0:25 dia a dia, sobre estes temas que nos afetam a nós, à juventude.
0:28 O meu nome é Anu Nisaraiva, eu sou Marting-Manage-Generalial, o que isto quer dizer?
0:35 Isto quer dizer que eu coordeno um grupo de Millennials e Generations E, que trabalham
0:40 o Marting de várias marcas conhecidas, como o Tassuá, Velovive, Frutis, mas mais do que
0:45 isso, eu próprio sou um Millennial.
0:47 Sou católico, fui condenador do grupo de jovens durante vários anos, fui vice-presidente
0:51 de uma sessão dos estudantes, por isso eu vivi a minha juventude não só do ponto de vista
0:55 do jovem, mas também do ponto de vista de quem prepara coisas para jovens.
0:59 E é isso um bocadinho que eu os venho falar hoje, é o que é que será que vai na cabeça
1:02 destes Millennials, o que é que será que vai na cabeça da Generations E?
1:06 Mas para pensarmos nisso, antes temos de pensar o que é que é uma geração?
1:10 Uma geração é, normalmente compreendida por um período de 30 anos, em que as pessoas
1:17 que viveram este período, viveram experiências culturais, morais, tecnológicas, que fizeram
1:23 com que o que sentem, o que vivem a maneira como veem o mundo, é diferente das gerações
1:28 anteriores.
1:29 Isto no fundo é uma geração.
1:30 Nós hoje vamos falar, sobretudo, de Millennials e da Generations E.
1:34 Quando olhamos para os Millennials, a Generations Y, o que é que eu penso imediatamente?
1:38 Eu penso que há dois grandes desafios que esta geração enfrenta.
1:40 O primeiro desafio tem a ver com o preconceito, o que é que é o preconceito?
1:47 É o preconceito que esta geração encontra quando entrou no mercado de trabalho.
1:51 Nós fomos a última geração em entrar no mercado de trabalho, e hoje em dia temos um
1:54 peso relativamente significativo nas empresas, e as gerações que lá estavam para nos receber
1:59 estranharam um bocadinho para quem é que esta malta que está aqui a aparecer agora.
2:02 Em 2003 a Time descreveu-nos como a Mi Mi Mi Generation, disse que nós éramos uma geração
2:08 de pessoas preguiçosas, narcisistas, em Portugal descreveu-nos como uma geração arrasca.
2:15 Claro que isto é uma caricatura que obviamente não nos descreve e nós sabemos, mas isto
2:19 acontece por que?
2:20 Porque quando uma nova geração entra no mercado de trabalho, encontra outras gerações
2:23 que lá estavam, e vai-se dar um choque geracional.
2:26 Mas por mais que isto nos pareça injusto, também é verdade que nós, se calhar, também
2:31 temos alguma culpa, porque nós quando entramos, o que é que dizemos as outras gerações
2:34 já lá estão?
2:35 Para, estas pessoas não percebem nada disto, são super antiguadas, não estão preparadas
2:38 para a mudança.
2:39 Por isso estamos fazermos um bocadinho disto, não é?
2:41 Mas é difícil, quando nós entramos, receber todas estas rejeições e estas medes, que
2:45 as gerações antigas, têm sobre nós.
2:47 O segundo grande desafio prende-se com expectativas.
2:49 Para falar de expectativas, apresente-vos a Lucy e o irmão.
2:53 A Lucy nasceu no final da década de 80, por si ela é uma milenium.
2:57 A Lucy ultimamente tem-se sentido bastante infeliz.
3:01 Eu gostava que nós explorássemos um bocadinho porque aquela se sente infeliz, e para isso
3:04 gostava-vos de apresentar uma fórmula bastante simples, mas que eu acredito que pode descrever
3:08 bem o que é que é a felicidade.
3:10 Para mim a felicidade não é nada mais nada menos do que a realidade, menos as expectativas.
3:15 O que é que isto quer dizer?
3:16 Se eu tiver as expectativas muito elevadas e a realidade depois não for assim tão boa,
3:20 eu vou me sentir tendencialmente infeliz.
3:23 Se eu tiver as expectativas normais e depois tiver a surpresa porque a realidade foi extraordinária,
3:27 eu vou me sentir feliz.
3:28 Faz sentido?
3:29 Vamos então voltar à história da Lucy.
3:32 A Lucy foi criada pelos pais da Generation X.
3:36 Os pais, por sua vez, foram criados pelos avós da Lucy, da geração, da grande geração
3:42 ou dos builders.
3:43 Esta geração viveu um período mesmo difícil, e eles, quando olhavam para a geração dos
3:48 pais da Lucy ou para a Lucy, pensavam que fosse o que eles passavam, era superfácil.
3:55 Mas eles tinham alguma razão.
3:57 Esta geração foi a geração que viveu a grande depressão, foi a geração que participou
4:01 na Segunda Guerra Mundial.
4:03 Por isso eles quando educaram os pais da Lucy o que é que eles lhe disseram?
4:06 E eles disseram?
4:07 É possível alcançar o sucesso, e o sucesso para ti vai ser como um lindo prado verde.
4:12 Mas para tu alcançar este prado verde, tu vais ter que trabalhar durante muitos anos,
4:18 e vais trabalhar, e trabalhar, e trabalhar, e vais um dia chegar lá.
4:23 Só o que é que aconteceu?
4:24 Eles viveram durante a década de 70, 80 e 90, grande crescimento económico, apareceu
4:28 o Crete, a habitação, foram criados milhares de empresas, as multinacionais, e então a
4:33 realidade que os pais delas lhe deram estava aqui, aliás, a expectativa, e a realidade
4:38 foi bastante superior.
4:39 Então os pais da Lucy tornaram-se uma geração super otimista.
4:42 E como é que eles educaram a Lucy?
4:44 Como é que nos educaram a nós?
4:46 O que eles nos disseram foi que o sucesso para ti não vai ser só um prado verde, vai
4:51 ser um lindo prado verde cheio de flores.
4:54 Vai ser muito melhor.
4:55 Tu és fantástica, tu podes ser o que tu quiseres.
4:58 Escolha aquilo que te faz verdadeiramente feliz, pensa nos teus sonhos, vai atrás deles, e
5:02 tu vais ver que vais conseguir tudo, porque para ti tudo é possível.
5:06 Naturalmente nós, a Lucy, crescemos seis expectativas, crescemos com a certeza que nós podíamos
5:13 ser o que iséssemos.
5:14 Esta geração, os Millennials, grande parte de nós, foi uma geração que deixou de
5:19 querer saber da segurança profissional.
5:21 O que era verdadeiramente importante era sentirmos realizados, era fazermos algo que nos
5:26 fizesse feliz.
5:27 Isto foi muito claro na nossa geração, afinal de contas nós olhávamos para os nossos pais
5:32 e o que é que os nossos pais nos diziam.
5:34 Nosso pais diziam-nos, tu és especial.
5:39 Nós falámos com os nossos professores e os professores diziam-nos, para Nuno, tu és
5:43 especial, Lucy, tu és especial, tu vais poder ser tudo o que tu quiseres.
5:47 A Lucy sabia que todos os Millennials iam ter um futuro brilhante, iam ter um futuro
5:52 com um prado verde cheio de flores, mas a Lucy era especial, por isso dela era verde
5:56 cheio de flores e tinha unicórnios.
6:00 A Lucy sabia que ela era diferente, ela sabia quando começasse a trabalhar, nós sabíamos
6:04 quando começassemos a trabalhar, o nosso futuro ia ser brilhante, nós rapidamente iam-nos
6:09 crescer, iam-nos ser promovidos, iam-nos a dizer imediatamente todo o sucesso que esperávamos
6:14 a este mundo cheio de unicórnios.
6:16 Só o que é que acontece?
6:17 Tudo isto que a sociedade nos disse, um dia vai ter que verificar se é verdade ou não,
6:22 vamos começar a trabalhar e aí vamos encarar a realidade.
6:25 E o que é que a nossa geração se apercebeu?
6:28 Quando nós encaramos a realidade, as coisas são um pouco diferentes, afinal não somos
6:35 assim tão especiais, afinal quando olhamos à volta não tentamos a crescer mais rápido
6:39 de toda a gente, as promoções não estavam à nossa espera, não vamos ser todos CEOs
6:42 e criar todas as mega empresas e todos os presidentes de Portugal, não vamos.
6:46 E isso fez as expectativas da Lucy que estavam lá em cima, porque a sociedade depois lá
6:50 em cima encontraria uma realidade que está cá em baixo e isso fez com que a Lucy se tornasse
6:55 infeliz.
6:57 Só que não ficou por aqui, porque a Lucy passa o dia nas redes sociais e o que é que
7:01 a Lucy vai ver nas redes sociais?
7:03 A Lucy quando chega às redes sociais vai ver a realidade que os amigos projetam.
7:09 Então não só a Lucy não é especial, como aparentemente everybody else is, todos os
7:15 outros são especiais.
7:17 Então a Lucy pensa-te como é que é possível, eu podia ser tudo o que eu queria, afinal
7:21 não estou a conseguir, afinal é mais difícil do que estava à espera, mas aparentemente
7:25 todos os outros são inscritos de férias espetaculares, todos os outros estão a ser
7:28 promovidos, todos os outros têm vidas fantásticas.
7:30 E isto faz a Lucy sentir-se infeliz, faz-nos a nós sentir que não estamos a atingir
7:35 aquilo que era o nosso potencial.
7:37 Por isso é a altura de parar de pensar que somos especiais, é verdade que somos únicos,
7:44 é verdade que somos diferentes, é verdade que somos a geração que está sempre agarrada
7:52 a estar é móveis, mas é a verdade que somos a geração que mais percebe da tecnologia,
7:57 é a verdade que somos a geração da selfie, mas é a verdade que somos a geração que
8:02 melhor sabe trabalhar em equipa, é a verdade que somos a geração que não consegue comer
8:06 a uns tirei uma graffiti para o Instagram, mas é a verdade que somos a geração que
8:11 melhor sabe escolher aquilo que comer, o que melhor percebe de alimentação, é a verdade
8:15 que somos relaxados no trabalho, mas é a verdade que somos os mais genuínos, somos
8:19 de onde escorreram o mundo, somos pessoas que falamos línguas. Nós somos uma geração
8:24 verdadeiramente fantástica. Somos uma geração fantástica, tão fantástica como qualquer
8:30 outra.
8:35 Quando saímos um bocadinho dos millennials e pensamos na geração seguinte, pensamos
8:40 na geração Z, essa geração tem almas coisas bastante diferentes. Esta geração foi a
8:44 primeira geração que apareceu nas redes sociais antes de nascer. Isso nunca aconteceu
8:50 com outra geração. Mas esta geração também foi a geração que viu a paz mundial ser
8:54 ameaçada com o 11 de setembro. Também foi a geração que viveu a nova crise mundial.
9:01 Mas foi uma geração que aprendeu com alguns dos erros dos millennials e dos pais dos millennials.
9:06 É por isso uma geração muito mais pragmática. Depois de uma geração de millennials que
9:11 sempre foi encorajada a focar-se na carreira e a ver o mundo cheio de oportunidades, esta
9:15 geração é diferente, é mais pragmática, é menos idealista. É uma geração que se
9:19 habituou vivendo a crise e por isso percebeu que as oportunidades são escassas e que nem
9:23 todos vão ser extremamente bem suscritos, só os que mais esforçarem. É uma geração
9:28 que se tornou mais pragmática. É uma geração que graças a Deus nem tudo o que a internet
9:33 trouxe foi vício nas redes sociais. Trouxe informação na ponta dos dedos. É uma geração
9:38 que conhece o mundo, que vê tudo o que se passa. É uma geração que tem uma perspectiva
9:42 que vai muito para além do grupo de amigos, que vai muito para além da cidade. É uma
9:45 geração que, por conhecer o mundo, acredita que pode mudar-lo. E quando nós perguntamos
9:49 à Generation Z o que é que é sucesso para eles, o que eles dizem que é sucesso é criar
9:53 um mundo melhor. É uma geração mais tolerante. É uma geração que viveu a multiculturalidade.
10:00 Viva a diferença na porta do lado. Viva a diferença no colega da escola. É uma geração
10:05 que viu em direto o que, de melhor e pior, a sociedade consegue fazer quando não existe
10:09 tolerância qualquer e frente. É uma geração que quer falar abertamente temas como igualdade
10:13 género ou como homossexualidade. É uma geração inovadora. É uma geração que não se importa
10:20 que não exista uma solução. Porque se não existir, eles vão criá-la. Porque é uma
10:24 geração que não se importa que não exista um produto. Porque se não existir, eles vão
10:28 desenvolvê-lo. Tudo pode ser resolvido com uma aplicação. Eles vão encontrar sempre
10:32 uma solução. E, por último, é uma geração absolutamente obcecada para o vídeo. É tão
10:37 difícil de reter a atenção desta geração hoje em dia, porque imagens e textos já não
10:41 são suficiente. O attention spam da Generation Z são 8 segundos. O que é que isto quer
10:47 dizer? Isto quer dizer que, ao final de 8 segundos, perdemos a atenção deles. Pós Milênios
10:52 eram 12. Numa geração, perdeu-se 4 segundos. Não conseguimos reter a atenção desta geração.
10:58 70% do conteúdo que eles consomem hoje em dia é vídeo. E é vídeo por streaming online.
11:03 É o que esta geração consome. Isto é uma mudança drástica versus qualquer outra
11:07 geração. Isto muda a maneira como todos comuniquemos com eles. Mas tanto a Generation
11:11 Z, como os Milênios, têm uma coisa em comum. Eles procuram ser felizes. E eles procuram
11:17 ser felizes e procuram encontrar o sucesso. E eu tenho um desafio para vocês, antes de
11:23 começarmos a pensar em correr esta maratona que é a nossa vida atrás do nosso sucesso.
11:29 Há 3 perguntas que eu gostava que fizesse a ti próprio. A primeira pergunta é o que
11:34 é que é sucesso para ti? Será que sucesso para ti é a casa que tu tens? Será que sucesso
11:42 para ti é o mundo em que vives? Talvez sucesso seja o carro que conduzes ou os amigos que
11:52 estão contigo hoje? Talvez seja o carro que trabalhas ou talvez seja as pessoas que
12:00 conseguem inspirar? Talvez seja o dinheiro que ganhas ou o impacto que tens? O importante
12:09 é pensarmos o que é que para nós é aquilo que nos vai se fazer sentido verdadeiramente
12:12 bem sucedidos. Uma vez que sabemos o que é que para nós é sucesso e pode ser diferente
12:16 para todos temos que pensar também se temos dispostos a fazer o que é preciso para atingir.
12:22 Pois o que é que nós temos dispostos a ser ou a fazer para atingir o sucesso? Será que
12:27 temos dispostos a confiar na sorte? Será que temos a coragem para ultrapassar os nossos
12:34 medos? Será que temos dispostos a fazer algo extraordinário? Será que temos a coragem
12:45 para celebrar as derrotas e aceitar novos desafios? Às vezes a única coisa que precisamos
12:55 é ter a coragem para sermos nós próprios e darmos um carinho mais abertos. Às vezes
13:00 basta nos ter a paciência para esperar. Ou será que o nosso objetivo é tão grande
13:06 que o que nós temos ter a coragem para fazer é dar tudo? Depois que respondemos esta segunda
13:12 pergunta é uma terceira. Como é que nós vamos medir que estamos a chegar ao sucesso?
13:18 Como é que nós vamos saber se estamos aí no caminho certo? A perceber se temos que
13:21 fazer alterações à nossa rota. Será que vamos medí-lo pelas consequências do que
13:25 estamos a fazer? Será que vamos saber pelo número de pessoas nos apoiam? Será que
13:30 vamos ver pelo número de pessoas que aparecem? Ou será que o importante é o número de pessoas
13:35 que beneficiam? Talvez seja só aquilo que nós conseguimos poupar? Talvez seja o legado
13:44 que deixamos? Uma coisa certa. Não há respostas certas, nem respostas erradas. Há apenas respostas
13:52 honestas. Muito obrigado e bom resto de conferência.
14:05 Obrigado.

Dos Millennials à Geração Z: O que vai na cabeça dos jovens? - Nuno Saraiva

Descrição

Nuno Saraiva explora os desafios e características das gerações Millennials e Z, mostrando como expectativas elevadas e realidades diferentes moldam a forma como os jovens encaram a felicidade e o sucesso. Através de exemplos claros, alerta para o impacto das redes sociais e das comparações constantes. No final, lança um desafio: cada jovem deve definir o seu próprio conceito de sucesso e o caminho para lá chegar.

Resumo

O orador começa por explicar o conceito de geração, destacando como diferentes contextos históricos, culturais e tecnológicos moldam formas distintas de pensar e agir. Foca-se sobretudo nos Millennials e na Geração Z, duas gerações marcadas por mudanças rápidas e desafios únicos.

Nos Millennials, identifica dois grandes desafios: o preconceito e as expectativas. Por um lado, enfrentam críticas das gerações anteriores no mercado de trabalho; por outro, cresceram com a ideia de que podiam ser tudo o que quisessem. Essa combinação levou a expectativas muito elevadas que, quando confrontadas com a realidade, geram frustração e sensação de insucesso.

Através da história da “Lucy”, ilustra a sua teoria de felicidade: felicidade = realidade menos expectativas. Mostra como uma educação baseada em otimismo extremo criou jovens confiantes, mas também mais vulneráveis à desilusão, especialmente quando comparados com as vidas aparentemente perfeitas nas redes sociais.

Ao analisar a Geração Z, apresenta-a como mais pragmática, consciente das dificuldades do mundo e moldada por crises globais e pela tecnologia. É uma geração informada, tolerante e orientada para a mudança, que valoriza impacto social e inovação, mas também enfrenta desafios como a redução da capacidade de atenção.

Por fim, deixa três perguntas essenciais para a vida: o que é sucesso, o que estamos dispostos a fazer para o alcançar e como vamos medir esse sucesso. A mensagem final reforça que não existem respostas certas ou erradas — apenas respostas honestas, alinhadas com quem cada um é.

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