3 Milhões de Nós
0:00 Bom dia, bom dia. Obrigado. Eu queria fazer só duas correções rápidas, entretanto
0:09 já houve uma recontagem e agora sou o 12.049. É um sentimento agredoço, não é?
0:15 Porque ficamos mais próximos do número um, mas isso significa que tiveram que morrer
0:18 com o sósias para nós nos aproximarmos. E a segunda coisa é que a minha vida é pior
0:24 ainda do que o padre Pedro Rochamendes disse. Eu não estive só três anos num colégio
0:29 de Jesuitas. Eu fiz a Escola Primária num colégio de Freiras Vicentinas, depois a seguir
0:37 a ir se estudando num colégio de Padres franciscanos, depois então três anos num colégio de Padres
0:42 Jesuitas e no fim a Universidade Católica. Muitas vezes as pessoas perguntam se é por
0:56 isso que eu sou ateu. E não é, na verdade não é. Eu sou ateu apesar disso. Eu não
1:02 tenho nenhuma razão de queixa antes do contrário. Todas as pessoas religiosas com as quais
1:08 contactei, só tenho a agradecer aliás. Uma vez, devo dizer-vos que num encontro deste
1:13 tipo eu preferi uma frase que fez um sucesso absolutamente fulgurante. Eu disse que não
1:20 acreditava em Cristo, mas acreditava nos cristãos. E eles ficaram muitíssimos lisongiados
1:27 com a minha gente ilese. E sempre foi, eu acho que isso, essa frase simboliza muito bem aquilo
1:38 que a minha vida sempre foi no contacto com as Freiras que me educaram, com as Padres
1:44 que me educaram, etc. E mesmo com os 400 em geral. Porque eu acho que os 400 e eu
1:51 somos iguais, sem querer ofender-vos. Acho que somos iguais no sentido em que estamos
1:59 à procura, estamos todos à procura. E se calhar estamos perdidos, acho eu todos, eu
2:09 sou capaz de estar um pouco mais perdido do que vocês. Mas o facto de andarmos todos
2:14 à procura parece-me importante. E, portanto, a questão da fé, eu estou aqui porque não
2:21 tenho fé, não é? Mas a questão é, eu não rejeito, não é uma questão de eu rejeitar
2:26 a fé. É uma ausência, não é uma rejeição. Porque, de resto, como eu dizia, acho que
2:32 somos iguais. Andamos à procura das mesmas coisas e várias coisas me atraem. No meu
2:36 percurso, várias coisas me foram atraindo. Eu gosto de estar dentro de uma igreja, por
2:40 exemplo. Adoro estar dentro de uma igreja. Eu gosto muito do silêncio que há dentro
2:44 da igreja, da paz que a gente sente dentro de uma igreja. E gosto que a igreja seja um
2:50 sítio em que se faz o quê? Em que se vai ler um livro e tentar perceber o que é que
2:55 ele diz. A minha vida é toda baseada em ler textos e tentar perceber o que é que eles
3:01 dizem. É isso. É nessa medida que eu acho também que somos muito parecidos. Eu acho
3:06 que a ideia de... Já para falar da monumentalidade das igrejas, não é? Há quem diga, quer dizer,
3:14 essa é a minha perspectiva. Porque é que uma catedral é tão grande? É para me fazer
3:18 sentir pequeno, acho eu. E eu não tenho nada contra isso. Eu acho que é muito valioso
3:24 fazer-me sentir pequeno. Não só porque eu sou pequeno, mas também porque as pessoas
3:30 e eu em particular, mas acho que as pessoas têm tendência para esquecer que são pequenas.
3:35 A minha avó nesse sentido foi uma pessoa fundamental na minha vida. Porque ela era uma espécie
3:43 de livro de auto-ajuda ao contrário, a minha avó. Ela não estava lá para me dizer coisas
3:51 que me fossem agradáveis. Tava lá para fazer-me desconfiar, por exemplo, para fazer-me desconfiar
3:57 dos meus sentimentos. Para lhes dar pouca importância, por duas razões. Primeiro, para serem meus.
4:03 E segundo, para serem sentimentos. E eu acho que isso é uma boa estratégia para a gente
4:10 ganhar nervo. Mas uma coisa que me agrada muito é isso. É o fato de a gente ir à igreja
4:21 ouvir, para já ouvir um homem que veio exprimir-se através de palavras e mais do que isso exprimir-se
4:27 através de histórias. Veio exprimir-se como parábolas. A ideia de ouvir histórias e tentar
4:33 perceber o que é que ela está fazendo. O que significa isso? O que é que quer dizer
4:36 porque raio é que um pai que divide a herança pelos seus dois filhos e um resolve ir-se embora
4:42 e gastar a herança à vontade. Quando ele volta, o pai permeia esse filho. É claro que
4:48 o filho que ficou a trabalhar e tal e geriu os seus bens com juízo pensa, mas por que
4:52 aderer esta? E a gente fica a pensar naquela história. E eu acho isso fundamental. Toda
5:00 gente conhece as mil e uma noites, não é? As mil e uma noites começam porque o rei,
5:05 um senhor chamado Xarriar, vai, é o clássico, ele sai de casa para ir, para não sei onde,
5:12 e esquece de achar, não é a chave do carro, porque não havia carro, mas ele esquece de
5:15 alguma coisa e precisa de voltar. E quando ele volta à casa dá com a mulher a fazer
5:19 coisas com os senhores. E ele mata a mulher. E pensa, ganha gosto daquilo, e pensa, vou
5:29 matar uma todos os dias. É isso, a história é essa, não é? Toda a gente conhece. Ele
5:32 mata uma todos os dias porque acha que não se pode confiar nas mulheres, até que acharás
5:36 a dessevoluntar ou ofereces como voluntária para acabar com aquilo. E o que ela faz é
5:42 como é que ela se salva? Através de histórias, ela começa a contar uma história ao Xarriar
5:48 e depois diz, agora estou cansado, vou dormir, e ele não mata hoje porque quer ouvir o final
5:54 da história, e no dia seguinte conta-lhe o final da história, começa outra e assim
5:58 insucibamente. E ele quer sempre ouvir o final das histórias e por isso não mata.
6:04 Ora, a certa altura da leitura daquilo, não sei se aconteceu com o vosco, mas a certa
6:07 altura a gente está a ler as mil e uma noite e a gente já deixa de perceber quem é que
6:11 está a torturar quem. Se é ele que está a torturar a ela, porque está a obrigá-la
6:16 a estar ali sob ameaça de morte, porque ela sabe que tem uma espada pendente sobre a cabeça
6:23 dela, ou se é ela que está a torturar a ele, dizem, agora não apetece contar mais.
6:27 Amanhã quanto o resto, e o homem vai a vida dele, na verdade, fica suspensa até perceber
6:33 o que é o final da história, perceber como é que a história acaba, perceber o que é
6:35 que uma história é. E isso há uma história do Paul Oster, eu conto muito rapidamente,
6:41 uma história do Paul Oster que ele, muito provavelmente aquilo não aconteceu, mas ele
6:45 conta como se tivesse acontecido e isso tem mais efeito. Ele diz, eu tenho uma amiga,
6:49 uma vez engravido, e aconteceu o seguinte, ela estava já muito grávida e estava a ver
6:55 um filme, está a meio do filme, rebentam as águas, e ela tem de ir para o hospital,
6:59 a meio do filme, e tem um parto terrível, e há um momento doloroso, chato de criança,
7:03 de cústia a nacheira, etc., etc., corta para uns anos mais à frente, em que ela está
7:08 grávida pela segunda vez, e por uma daquelas razões que ninguém sabe explicar, liga a
7:11 televisão e apanha o filme exatamente no ponto em que o deixou. E dessa vez, vê o
7:16 filme até o fim, rebentam as águas, vai para o hospital e é um parto maravilhoso.
7:23 Essa ideia de quando a gente fica com uma história a meio, a nossa própria vida parece
7:28 que está a suspensa, mas quando a história acaba e a gente a compreende, a vida parece
7:33 que fica melhor, eu tenho algum afeto por essa ideia.
7:38 Obrigado.
7:44 Tenho que me despaixar porque já só faltam sete minutos, mas eu queria só, eu tento
7:51 que este conjunto de coisas no fim faça algum sentido. Metade de trabalho vão ter que
7:56 você, vocês a fazer, mas eu, como vos disse, depois da escola de Freiras, fui para um
8:03 colégio de pares franciscanos, chamado Estranato da Luz, onde tive vários professores que
8:12 adorei. Pares Joaquim ensinou-me português, de maneira que eu... Desculpem, pares Joaquim
8:19 me morreu no outro dia, esse nome português, de maneira que tornaram difícil de esquecer.
8:24 Eu ainda vou deixar as posições todas por causa da música que o Pares Joaquim ensinou.
8:28 A ANTA pós a TE, como contrato desde a ENTA, para pronto, pôr-se em sobo-sobo-strat.
8:32 Muito fácil.
8:40 Aprender coisas com musiquinhas foi o Pares Joaquim que me ensinou e eu continuei a fazê-lo pela vida
8:45 fora. No outro dia escrevi uma crônica na visão só sobre este tema, que é, quando eu estudei
8:49 Latim, a primeira declinação, a primeira declinação, vou dizer-lo, tá bem? Vou por esta ordem,
8:56 NUMINATIVO VOCATIVO, CREATIVO GENITIVO, DATIVO ABULATIVO. Tá bem, por esta ordem,
9:01 singular e plural. A, A, AM. A, A, A. A, A, A, A, A, A, A, A, A, A, A, A, A, A, A, A, A. Como
9:09 é que eu aprendi isto? Não é preciso um da plódica, obrigado, obrigado, não é um
9:13 truque assim tão bom. Como é que eu aprendi isto? Com a música da machadinha. A, A, A,
9:16 Ai, ai, ah! Ai, ai, acho que...
9:25 De que maneira é que isso torna a minha vida ridícula?
9:28 Da seguinte, quando nos exames, o professor diz, aí o senhor Pereira, o que é?
9:36 Rosa, genitivo plural, eu canto a machadinha até quem te pôs a mão
9:41 e digo, rosaram, e eu, bravo!
9:44 Sem saber a fraude que se está a desenrolar à frente dele.
9:50 Exatamente, até aquela menina achou graça este.
9:55 Mas, no Estornado da Luz, já estou, mas já me recuperei.
9:58 Obrigado. No Estornado da Luz, o padre Manuel, a certa altura,
10:02 perante adolescentes, achou que devia fazer o seguinte, que devia
10:08 permitir que os adolescentes lhe fizessem perguntas, coisas que os inquietassem.
10:12 As maiores inquietações que eles tivessem.
10:14 E para que eles pudessem fazer essas perguntas o mais à vontade possível,
10:17 a gente escrevia duas perguntas num papel anónimo, metia dentro de um chapéu,
10:21 o padre Manuel tirava e depois começava a ler as perguntas.
10:24 E ninguém sabia quem é que tinha perguntado o que.
10:26 E então isso deu às coisas que vocês esperam que aconteçam numa sala cheia de adolescentes.
10:30 O padre Manuel tira uma pergunta e diz, uma esturgação faz mal,
10:34 e ele diz, bom, deve falar sobre o assunto e tal.
10:38 Etcetera, etcetera, esse tipo de coisa.
10:40 Até que saiu o meu papel, o meu papel com a pergunta que mais me inquietava
10:45 com aquilo que eu queria perguntar de preferência sem que soubessem que era eu que estava a perguntar.
10:50 O padre Manuel tirou o papel do chapéu e diz, perante uma sala cheia dos meus colegas e de mim,
10:58 o padre Manuel tirou o papel e diz assim, o que é que eu estou aqui a fazer?
11:02 Pá, quando ele começa a ler a pergunta, eu percebo, é a minha, deixa agora, deixa agora, deixa a ver.
11:15 Só que quando o padre diz, o que é que eu estou aqui a fazer?
11:19 A sala arrebenta numa gargalhada que eu não vos consigo explicar, mas um trovão.
11:24 Ah, toda a gente achou aquilo engraçadíssimo.
11:28 E na verdade era, porque tinha havido um palerma que em vez de estar a fazer perguntas,
11:34 tinha dito, qual que é que eu estou aqui a fazer?
11:37 Nesta aula de religião e moral.
11:39 Mais do que isso, parecia que estava a manobrar o padre,
11:43 para ser ele a dizer o que é que eu estou aqui a fazer.
11:47 Qual é o problema? É que a minha intenção não era ser palhaço por uma vez na vida.
11:52 Eu estava a falar a sério, a minha pergunta é o que é que eu estou aqui a fazer?
11:56 No planeta, não é na sala, não é na aula da religião e moral.
12:01 Mas os meus colegas, a gargalhada que os meus colegas deram,
12:05 sobressaltou-me de uma maneira que eu acho que foi positiva,
12:09 que era, se a minha maior angústia, a minha inquietação mais profunda,
12:14 pôr provocar uma gargalhada deste tamanho,
12:17 é pai, é porque não é assim tão assustadora.
12:21 O padre Manuel percebeu o que é que eu queria dizer,
12:24 porque a segunda pergunta completava a primeira,
12:26 e a primeira vez ele disse, o que é que eu estou aqui a fazer?
12:32 E depois voltou a baixar os olhos para o papel e disse,
12:34 ah não, esperem, porque ele completa com outra pergunta.
12:37 E a segunda pergunta era, porque é que nós temos que morrer-se,
12:40 porque é que nós temos que morrer-se, porque é que nascemos que temos que morrer?
12:42 Era isso, era basicamente uma coisa assim.
12:44 Por que nascer-se que temos que morrer?
12:47 Coisa que não continua inquietar.
12:49 Mas, e aí ele percebeu, e ele respondeu à pergunta,
12:52 o que é que eu estou aqui a fazer?
12:54 Só que como eu ainda estava a pensar na gargalhada que os meus colegas deram,
12:57 não dei atenção.
12:59 E eu ainda hoje não sei o que é que estou aqui a fazer.
13:11 Mas andar à procura, era aí que eu queria chegar,
13:13 andar à procura, como toda agenda da procura.
13:15 Tenho dois minutos e vou acelerar.
13:17 Há um livro, não sei se conhecem,
13:19 ah, lá está, o que é que eu faço quando andar à procura?
13:21 Onde é que eu tento descobrir o que é que estou aqui a fazer?
13:24 No mesmo, exatamente como vocês fazem nos livros, em livros.
13:29 Não só naquilo que vocês conhecem bem,
13:31 que não é um livro, aliás, é uma biblioteca inteira,
13:34 são 70 livros, mais de 70 livros dentro daquele livro.
13:37 E no outro, há um livro de um homem, que era um crente,
13:40 chamado Tolstoy, o livro chama-se A Vida de Ivan e Lich.
13:44 Desculpem, o livro chama-se,
13:46 acho que chama-se A Morte de Ivan e Lich, assim aqui.
13:48 E o livro começa com a morte desse homem do homem,
13:50 chamado Ivan e Lich.
13:52 O homem que...
13:54 A gente começa a ver a vida dele desde o princípio.
13:56 É um jovem, estuda, licencia-se.
14:00 A primeira coisa que ele faz quando se licencia é fazer
14:02 como todos os jovens acham naquela altura,
14:04 comprar um fato para entrar no mercado de trabalho,
14:06 e ele acrescenta uma coisa,
14:08 ele pede, põe uma correntezinha,
14:10 aquela corrente do relógio de bolso,
14:12 e ele põe um berloque na corrente.
14:14 Ele põe um berloque e diz assim,
14:16 Respicé finem, quer dizer,
14:18 lembra-te do fim.
14:20 É isso que isso quer dizer,
14:22 lembra-te do fim.
14:24 Depois a história continua,
14:26 você será livre e breve,
14:28 vocês vão divertir-se a ele,
14:30 quer dizer, acho ele.
14:32 E o que acontece é o seguinte,
14:34 é que ele ignora aquilo que acabou de pendurar.
14:36 Na verdade, ele não dá muita atenção,
14:38 ele não pensa no fim,
14:40 fim nos dois sentidos,
14:42 de uma futilidade.
14:44 Ele está muito entusiasmado porque mudou de casa,
14:46 mudou de emprego, ganha mais dinheiro,
14:48 e está a montar uns cortinados,
14:50 e cai a montar os cortinados e acerta,
14:52 bate com o abdómen no sítio,
14:54 e é dessa alusão que ele vai morrer.
14:56 Essa alusão é no seco,
14:58 é uma parte do corpo que eu desconhecia,
15:00 C, não é com S, é C-O,
15:02 o seco que fica onde?
15:04 Exatamente no sítio onde a gente costuma usar
15:06 a corrente do relógio de bolso.
15:08 Ou seja, parece que Deus lhe disse assim,
15:10 ah, que uma coisa,
15:12 da qual tudo esquece isto.
15:14 Eu, uma vez, o Padre do Valentino,
15:16 é meu amigo,
15:18 apesar de não ter casado, eu perdoei-lhe isso,
15:20 o Padre do Valentino,
15:22 mandou-se,
15:24 ele disse, tenho um amigo, tenho um amigo, é teu,
15:26 que me está sempre achateado.
15:28 Você está de frente a comigo e diz assim,
15:30 olha lá, já pensaste em Deus hoje,
15:32 e o Padre do Valentino diz que
15:34 uma vez reverteu a pergunta e disse,
15:36 e tu já pensaste em Deus, e ele disse,
15:38 eu acho que sei o que ele quer dizer,
15:40 eu acho que um ateu não pensa todos os dias em Deus,
15:42 mas pensa no fim,
15:44 eu acho que um ateu pensa todos os dias
15:46 no fim, nessa ideia de que é importante
15:48 ter o fim presente,
15:50 de que a gente está cá a fazer qualquer coisa,
15:52 e que mesmo que não saiba o que é,
15:54 isto acaba,
15:56 há duas maneiras de reagir a esta ideia
15:58 de que a gente, de que isto acaba,
16:00 e eu acho que são duas maneiras incompatíveis
16:02 de um certo ponto de vista,
16:04 que é o humor e a religião,
16:06 são incompatíveis de reagir a esta ideia,
16:08 e por isso que padres e humoristas
16:10 são inimigos muitas vezes.
16:12 Mas vou acabar só,
16:14 dizendo o seguinte,
16:16 eu acho importante,
16:18 não sei se sabe, há uma música do Zeca Afonso,
16:20 toda a gente conhece, o que faz falta,
16:22 isso aqui, o que faz falta é isto,
16:24 o que faz falta é animar a malta,
16:26 o que faz falta é avisar a malta,
16:28 o que faz falta é empurrar a malta,
16:30 mas há uma parte em que ele diz,
16:32 o que faz falta é animar a malta.
16:34 Eu não tenho interesse nenhum,
16:36 mas não é isso que a canção diz,
16:38 a canção não está a ser irónica em lado nenhum,
16:40 a canção diz exatamente o que está a dizer,
16:42 o que faz falta é animar a malta.
16:44 Eu tenho muito apreço por esta ideia
16:46 de que animar a malta é uma coisa que vale a pena,
16:48 animar a palavra anima,
16:50 tem a ver com alma, com dar vida
16:52 a outra pessoa.
16:54 E portanto, a minha profissão, como eu entendo,
16:56 é animar a malta.
16:58 É
17:00 para isso que serve.
17:02 Eu acho que
17:04 num certo sentido
17:06 eu acho que é isso que estou cá a fazer,
17:08 respondendo ao Padre Manuel.
17:12 E acho que a gente se encontra
17:14 nesse ponto,
17:16 no ponto em que é importante
17:18 animar a malta. Obrigado.
17:20 Bom dia.

Espiritualidade sem Fé - Ricardo Araújo Pereira

Descrição

Explora a busca por significado num mundo sem certezas, onde a espiritualidade se revela nas histórias e no silêncio. Ricardo Araújo Pereira convida os jovens a refletirem sobre a fé e a procura do propósito através da vivência e da partilha.

Resumo

Na sua palestra "Espiritualidade sem Fé", Ricardo Araújo Pereira partilha um percurso de questionamento existencial que começou desde a infância, marcada pela educação religiosa em colégios de freiras e padres. Afirma não ter fé, mas não a rejeita; enxerga a sua ausência como uma busca contínua por significado e conexão com os outros. Para ele, tanto os crentes como os não crentes estão à procura de respostas, e é nesse espaço que todos se podem encontrar.

Ricardo expressa grande apreço pelo ambiente das igrejas, onde a monumentalidade dos edifícios e o silêncio proporcionam uma sensação de paz e introspecção. Valoriza a importância das histórias, como as parábolas, que transmitem lições sobre a vida e as emoções humanas. Ao contar histórias, ele mostra que a relação entre narrador e ouvinte é complexa e rica em significados, destacando como a expectativa do final de uma história pode refletir a condição humana.

Por fim, Ricardo refere que a sua missão é "animar a malta", entendendo que o humor e a partilha são formas de dar vida e alegria ao próximo. Para ele, essa animação é uma forma de espiritualidade, onde a conexão e o amor pelo outro se tornam o verdadeiro propósito da vida. Conclui com a ideia de que a busca por respostas é uma jornada partilhada, onde cada um deve encontrar o seu lugar.

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