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Bom dia. Confesso-vos que isto aqui é um grande desafio falar assim para uma sala cheia
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e um grande gosto. E então, o desafio que eu vos venho falar hoje é sobre que família
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é o que eu quero para mim. E como vimos no vídeo, de facto, a família é a base
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daquilo que nós somos. E aquilo que nós vamos vivendo é aquilo que nos vai fazer na nossa
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família atual, é aquilo que nos vai permitir construir a nossa família no futuro.
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Em todos os demais, acho que temos que pensar um bocadinho sobre as alterações que a
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família tem, de facto, sofrido nos últimos, nas últimas décadas e com estas novas gerações.
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Realmente, como falava o orador anterior e muito bem, temos neste momento uma capacidade
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de receber a diferença muito maior. E por isso também temos famílias, muito mais
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famílias diferentes. Se há duas ou três gerações atrás, o modelo de família era
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apenas um modelo tradicional, pai, mãe e filhos. Atualmente, temos, é verdade, uma
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taxa de divórcio muito grande e, portanto, temos uma quantidade de famílias em que os
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filhos vivem só com a mãe, ou vivem só com o pai, ou alternadamente com o mãe e
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com o pai, ou em famílias reconstituídas, com padrastes, com madrastes quantiados.
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Temos também, atualmente, ao casamento homossexual, temos a possibilidade da produção independenta,
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ou seja, de uma pessoa sozinha ter um filho. E, portanto, tudo isto deu uma panóplia de
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possibilidades que são realmente muito desafiantes, mas que nos retiraram, se cararem, nos dificultaram
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um bocadinha, que estão das referências. Nós pensámos o que é que eu quero. Há
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muito mais possibilidades, e isto faz com que tenhamos que pensar seriamente sobre com
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que é que nos identificamos. Mas também há outras alterações, não
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só no formato, mas depois no tipo de relação que nós estabelecemos uns com os outros dentro
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da família. E, se antigamente tínhamos uma família mais hierarquizada, não é que sou
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aqueles elefantes em que o pai e a mãe vão à frente e os filhos vão lá atrás, em que
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o melhor bife é para o pai e os filhos ficam com aquilo que sobra, neste momento passámos
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exatamente para o oposto. O centro da família passaram a ser as crianças, e vocês já
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são aglucentes e jovens, em que as vossas famílias em que os vossos pais vos fizeram
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em primeiro lugar. E o maior investimento da vida deles foram vocês. E por isso é que
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também se sentiram tão únicos e tão especiais, o que tem algo maravilhoso, mas também tem
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alguns riscos, não é como Tiago nos acabou de falar. Depois também temos os pais a andar
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muito mais lado a lado, e temos muito frequentemente pais a dizer antes que querem ser os melhores
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amigos dos filhos. O que eu acho que é muito interessante, tem alguns riscos, porque melhores
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amigos nós temos vários. Agora pessoas que nos indiquem o caminho e que realmente se
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coloquem num papel diferente do nosso, realmente se calhar só temos os nossos pais. E, portanto,
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este é um risco que nós corremos, que é não sabermos muito bem como ser adulto quando
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os nossos pais se comportam de uma forma mais parecida com a nossa. E depois temos pais também
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muito mais protetores, não é? Antigamente com 10 anos muitas crianças iam para a escola
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sozinhas de autocarro. Hoje em dia isso é quase considerado criminoso deixar uma criança
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com 10 anos a andar de autocarro ou de metro sozinha. E os filhos ficam até muito mais
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tarde debaixo da tromba dos pais. E, portanto, muitas vezes dificulta o crescimento e muitas
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vezes dificulta que vocês se autonomizem, que vocês pensem, que vocês sejam capazes.
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E, portanto, muitas vezes eu acho espetacular também o trabalho que os grupos de jovens
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fazem, que é realmente responsabilizar, obrigar-vos, levar-vos para a vida, desafiar-vos a serem
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vocês e a terem ideias e não ficarem debaixo das asas e das chaias dos pais e das mães.
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A comunicação na família também passou muito mais e era arquizada com esta ideia
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de que os pais são melhores dos amigos, supostamente os pais falam sobre tudo com os filhos, coisa
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que eu vejo muitas vezes os adolescentes a zerem. Não quero que me pergunte esse tipo
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de coisas, porque isso eu falo com os meus amigos. Com os meus pais eu não quero partilhar
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todas as minhas intimidades. E esse é um lugar diferente. E depois temos pais a dizer-se
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mas ele não me conta tudo e eu digo que não e não é suposto. É suposto que esse lugar
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seja guardado para outro espaço, que não é necessariamente em casa. É bom poder partilhar
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mas é verdade que também é bom uma certa cerimória e também podemos perceber com quem
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é que se fala sobre determinar tipo de coisas. Mas, por um lado, temos uma relação mais
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próxima com a família e, portanto, se pode falar, é um espaço muito mais aberto.
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Por outro lado, temos a invasão das tecnologias em casa. E, portanto, antigamente tínhamos
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que ver a televisão na minha geração, não é já só um bocado mais antiga, não é?
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Só via inicialmente o 1º, 2º e 4º canais. E, portanto, quando há noite, como não
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havia telemóveis, ficávamos na sala e todos partilhávamos o mesmo programa, mesmo
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que isso não interessasse necessariamente a todos. E isso trazia um espaço em família.
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E hoje em dia, com os Netflix da vida, não é? Cada um no seu quarto, cada um no seu
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tablet ou no seu telemóvel a ver o seu programa. E, portanto, é verdade que há muitas casas
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em que, na verdade, são vários elementos que partilham mesmo a chave de casa. E as pessoas
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não falam assim tanto. E há uma expectativa, por um lado que se fala muito, mas por outro
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lado não há espaço. E isso não é fácil. Então, já acabamos assim um panorama sobre
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a família, então vamos pensar que família eu quero construir, não é? E vamos começar
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pela nossa família atual, porque é com base no modelo daquilo que eu vivo agora, que
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eu vou viver o meu futuro. E, portanto, pensar que agora é assim, mas que daqui a uns anos
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vai ser completamente diferente, é um recarço. Aquilo que eu vou fazendo agora é aquilo
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que eu vou ser no futuro. O Ronaldo não começou a jogar muito bem e a treinar aos
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20 anos. Ele começou quando era pequeno. E nós temos que perceber que a forma como nos
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disponibilizamos a estar e a ser é aquilo que nós vamos ser um dia, no lugar que vamos
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deixar. Então, o que é que eu vos proponho? Eu acho que os adolescentes têm um papel
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mesmo muito importante na família. E a verdade é que os pais, alguns de vocês forem filhos
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mais velhos ou filhos únicos, e mesmo nos segundos, ou nos terceiros filhos ou nos quartos,
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os pais têm que aprender a ser pais. Então, nessa procura, até como o modelo mudou,
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eles agora já não sabem muito bem como é que eles se fazem, eles não todos. E eu tenho
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imensos pais que me procuram para saber como comunicar, até onde, a partir de onde é
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que eu devo deixar. E, portanto, eu acho que os adolescentes têm um papel, vocês todos
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têm um papel na construção da família com os vossos pais e com os vossos irmãos.
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E, então, o que é que é ajudar? É conhecer, antes de mais, eu acho que é importante
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vocês pensar, se vocês conhecem verdadeiramente os vossos pais. As características, a história,
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o que é que eles viveram, como é que eles chegaram até onde estão os diadores? E porque
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isso também define a forma e as dificuldades que eles têm a relacionar-se com vocês.
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E, então, eu perceber, conhecer-me a mim próprio, conhecer as minhas características, o que
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é que para mim é importante, perceber o outro e perceber como é que ele está, como
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é que quem é ele, como é que ele se comporta e perceber como é que eu posso criar pontos
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de comunicação, de forma que as coisas possam ser mais como eu sussunhei e como eu gostaria
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que seja, que fossem. E, para isso acontecer, nós temos que criar espacios de comunicação
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saudáveis. E por que não ir tomar um café com a mãe ou com o pai ou com os dois? E
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por que não ir um dia pedir para jantar só com os pais ou almoçar? E, se calar nessa
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altura, tentar dizer qualquer coisa que para mim é importante. Se isto for difícil, por
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que não tentar escrever uma carta ou até mandar uma mensagem? Tudo isto são possibilidades
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e é de vossa responsabilidade, poder ajudar a que a família funcione melhor. Porque a
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família, e agora vamos falar um bocadinho da vossa família de futuro, porque acho que
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estamos a projetar no futuro e isso é o que importa este apresente, mas também
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aquilo que vocês querem construir, tem muitos desafios. E os desafios é que hoje em dia
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nós temos as mulheres e os homens com papéis praticamente iguais, não é? E, portanto,
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desantigamente era fácil definir o que é que era o lugar e a obrigação de cada um.
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Hoje em dia, ao facto de ser partilhado, obrigar que haja muito mais comunicação,
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muito mais tolerância, muito mais trabalho em equipa. E, portanto, temos uma série de
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desafios nestas novas famílias. Nas famílias que vocês vão criar, há muitos desafios.
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E, porque muitos de vocês calhar têm famílias que as coisas correm bem e porque é um modelo
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a seguir, também há muitos de vocês que as coisas calhar não correram bem. E, quando
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não correram bem, nós muitas vezes sabemos o que não queremos, mas não sabemos aquilo
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que queremos. Como fazer bem? Como é que isto pode correr bem? Eu tenho vários adolescentes
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no consultório, que não têm os pais juntos e que não têm nenhum amigo que os pais estejam
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casados e que sejam felizes. E, portanto, de repente, quando começam a ter namorados
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ou começam a ter relações mais sérias, é difícil perceber o que é que é suposto.
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Como é que é tolerável numa vida namorada ou em casal mais tarde? O que é que é aceitável?
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O que é que é minha obrigação também de ceder? Eu também aguentar. Meu pai, que
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está sentado, sempre me disse mais e, portanto, o que escolher um curso é escolher um bom
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marido ou uma boa mulher para a vida. Porque as profissões, a verdade, é que mudam.
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E, como vocês sabem, há muitas pessoas que tiram um curso e que depois levam uma carreira
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profissional que altera o seu curso ao longo da vida e da cor do caso oportunidades. Um
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casamento falhado é uma marca para a vida. Reconstitui-se, é possível, as pessoas voltarem
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a ser felizes, não vamos dizer que este é o extremo, não é nenhum drama, mas a verdade
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é que quando há filhos, é uma marca para sempre na vida de várias pessoas. E, portanto,
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eu acho que vale a pena ser ambiciosos e vale a pena pensar a sério o que é que eu
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acho que, para mim, é mesmo importante. E eu, refletindo, acho que é importante pensarmos
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uma coisa. A construção de uma vida em casal tem imensos momentos destes, assim, de alegria,
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de coboiada, de diversão, de aventura. Tem imensos momentos de intimidade, de carinho,
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de proximidade. Tem momentos de complicidade, tem imensos momentos românticos ao pôr
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do sol. Mas uma vida em casal não é só isto. E é preciso não ter medo de que não seja
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só isto. Porque isto é o que aparece nas redes sociais. E as pessoas contam mais frágeis
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do que pensam é, bolas, toda a gente se consegue entender, todos vão viajar, foram
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a restaurantes espetaculares, fizeram programas lindos de morrer, tem uma família a todos
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sorridentes e que os filhos todos vestidos de igual. Mas às vezes, por trás disto, não
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é assim. E nunca é só assim. E isso não é um problema. A construção de uma vida
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em casal é pôr a mão na massa, é cansarmos em conjunto, é dias em que às vezes ficamos
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ao final escutados. É como a construção de uma casa, é bonito e ficamos felizes quando
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a parede está apentada. Mas até apintarmos, ao menos em que estamos desesperados a pensar
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quando é que isto acaba, achava que isto era muito mais fácil. E de repente aquilo nunca
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mais acaba. E se alguém já teve experiência com obras, se não tiveram, deveriam ter.
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Porque é verdade. Aquela sensação está quase, está quase, mas ainda não está. Então,
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há vários ingredientes que eu considero que são importantes. O compromisso, o investimento
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permanente na relação. As relações não podem ficar em standby enquanto uma coisa avança.
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As relações têm que ser trabalhadas todos os dias. Temos um trabalho à equipe, que
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já vos falei. E hoje em dia, com muito mais desafios, porque o trabalho à equipe implica
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que quando um está mais cansado, outro seja capaz de tomar o lugar, implica comunicação,
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implica solidariedade. O interesse pelo outro nos bons e nos maus
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momentos. Porque a vida não é feita só de selfies, nem de momentos alegres. E, portanto,
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quando as pessoas estão a passar por uma bocada, às vezes é preciso aturar uma humor. A fidelidade
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com base do respeito e com base da confiança de que estamos os dois no mesmo barco.
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A estimulação do outro no meu melhor, no seu melhor. E isto é muito fácil de dizer,
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mas a verdade é que se eu namorar, se eu tiver um amigo que me telefona a perguntar
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para ela, tenho a oportunidade de fazer erasmos. O que é que tu achas? Eu digo, espetacular.
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Se for uma namorada a telefonar, eu digo, ui, se ela arranja lá outra. E, portanto, isto
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me das vezes implica eu prescindir de mim próprio, não é? E passar por cima dos meus
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sentimentos para que o outro possa crescer. O respeito, aceitação do outro e o reconhecimento
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do sentido do outro. Porque o outro não é igual a mim. E, portanto, eu tenho que o conhecer.
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Temos de ser claros e coerentes e para que as mulheres têm que ter muito cuidado. Porque
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as mulheres somos peritas em perguntar, está tudo bem? Nós, claro, não se está a mesmo
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a ver. E os homens, porque é verdade que em termos cerebrais somos diferentes, tendem
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a ouvir mais a mensagem oral do que ler a mensagem física. Portanto, sermos claros
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e coerentes é um desafio. E não estar à espera que o outro entenda aquilo que claramente
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eu queria dizer, mas que eu disse exatamente o contrário. Contenção na crítica interpessoal
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e das famílias. Porque, de facto, quando nós criticamos, devemos tentar ser sempre
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construtivos e temos que ter muito cuidado quando falamos da família dos outros. Porque
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eu posso falar mal da minha família, mas ele não pode. É uma regra básica.
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Intimidade. E a intimidade não é a mesma coisa para homens e para mulheres. As mulheres
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em intimidade é uma boa conversa durante horas sobre temas profundos. A intimidade
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para um homem urgentar um bom restaurante ou ter momentos mais físicos na vida. Portanto,
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a intimidade é diferente. E é preciso cuidá-la, privilegiar o tempo em casal e em família.
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E hoje em dia em que as carreiras profissionais assumem papéis tão importantes, é importante
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percebermos qual é o tempo que guardamos para a família. E que esse tempo não seja
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ao fim do dia para simplesmente estarmos cansados de pajama ao lado do outro. Temos
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que ter energia e temos que ter disponibilidade. Então, uma relação duradoura, isto é a
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base de tudo. Persepõe momentos de festamento e momentos de proximidade. Momentos de muita
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alegria e também momentos em que as coisas não correm tão bem. E permanecer é o grande
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desafio. Esta é a família que eu estou a construir. E às vezes já de eu voltas.
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E às vezes as coisas correm bem. Isto é o dia da fotografia em que estamos todos de
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pandão. Mas há outros dias em que as coisas não correm assim tão bem, em que parece
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tudo um bocadinho mais caótico. E a vocês eu desafio-vos a pensar que família que vocês
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querem construir. E sejam ambiciosos e tenham a coragem de pensar claramente o que é para
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vocês fundamental. E não fiquem por menos. Porque a vida é um grande desafio. E correr
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bem não é fácil. E portanto, se nós formos menos ambiciosos com aquilo que nós queremos
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para a nossa família, provavelmente também não vamos conseguir ser felizes. Mas também
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não ponho unicórnios. Porque eles não existem. Tá bem? Obrigada.