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Bom dia a todos, estou muito contente de estar aqui hoje, posso dizer-vos que estive
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em todas as edições de 3 milhões de nós, na primeira edição aí no público, e apaixonem-me
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por este evento, tal forma que quando vivi este momento de fragilidade sobre o qual
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vos vou falar, telefonei à Núria a pedir para fazer parte da equipa que organiza este
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dia, esta conferência e fiz parte da equipa de conteúdos nas últimas duas edições e
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surpreendentemente hoje estou aqui em cima do palco e cabe-me a tarefa de vos falar sobre
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fragilidade e saúde mental e o que vos trago hoje é a minha história.
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Em 2019, namorava há 7 anos, fui pedida em casamento, estava feliz e achei que estava
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a construir um sonho, uma família, um projeto, mas de repente, quatro meses depois do pedido
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de casamento, descobri que tinha sido traída e que afinal nós já não queríamos o mesmo.
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Esta é a minha história, mas eu não quero que se fique sem ela concretamente.
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Esta fragilidade, estes momentos difíceis, para uns são uma separação, um divórcio,
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para outros uma morte, um luto, uma doença, uma história de bullying, um trabalho que
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corre mal, uma doença psiquiátrica, é quando nos encontramos com a nossa fragilidade.
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E acredito que aquilo que vos vou contar de seguida é importante e pode ser útil e
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se pode adaptar a cada uma destas situações.
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Sinto que há uma mensagem que foi importante para mim, que é não nos devemos comparar
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a cada um de nós tem o seu sofrimento e nenhum é mais importante ou mais difícil
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do que o de outro.
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Quando tudo desmorneou, foi um grande choque e fiquei muito perdida pela destruição dos
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meus sonhos, por perder e por sentir que estava a perder tudo aquilo que tinha investido muito
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pelas vivências e planos concretos que deram lugar a um enorme vazio.
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Tive que fazer um luto grande e também tive que olhar para as crenças que tinha sobre
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mim e sobre o funcionamento do mundo e não estava a conseguir sair delas.
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Elas transformaram-se num labirinto do qual a saída parecia um bocadinha inalcançável,
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mas devagar, devagar, devagarinho, fui assumindo uma realidade que comecei por negar, comecei
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por negar, não quero, isto não é para mim, isto não é para mim, isto não é possível,
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mas era e fui assumindo essa realidade, permitindo-me viver a fragilidade nas suas várias dimensões.
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E acho que é um ato de fé deixar-nos desmanchar, deixar-nos desmanchar como um puzzle que foi
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a imagem que vos trouxe um puzzle de 5 mil peças e de alguma forma acreditarmos que nos
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conseguiremos reconstruir, mas digo-vos, naquele momento eu não tinha essa certeza,
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que eu não acreditava e a minha experiência experienciava mesmo uma dura perceção de
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que eu não iria voltar a ser feliz, de que eu não iria voltar a apaixonar, de que eu
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não iria poder voltar a ter aquele que era um grande sonho, uma família, uma relação
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estável e portanto, durante algum tempo, esta perceção foi difícil, mas aquilo
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que eu procurei foi ajuda e deixei-me guiar e deixei que os outros os meus acreditassem
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por mim. E foi aqui que entra uma parte fundamental deste processo, que vos trago hoje, a Trapia,
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dizer-vos também que iniciei a Trapia nesta fase 3, 4 meses depois da situação ter acontecido,
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mas tentei antes uma primeira tentativa que não ocorreu bem, ou seja, a primeira pessoa
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com quem eu tentei fazer Trapia, a primeira psicóloga com quem falei, eu não me identifiquei
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minimamente com ela, não ocorrou bem e esta mensagem é importante porque muitas vezes desistimos
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à primeira e pode não ser aquela pessoa, mas a Trapia pode ser para nós. Então nesta
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fase iniciei uma Trapia intensa, duas vezes por semana, foi muito intensa e aquilo que
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aprendi foi que quando um puzzle de 5 mil peças está desfeito, espalhado no chão, temos
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que nos sentar e organizar-se uns montinhos e organizar o básico da vida, organizar o
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dormir, acordar, ir para o trabalho, comer o básico e conter o despero, conter a angústia,
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conter o pânico para começar esta reconstrução. Aqui a minha experiência foi de que também
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houve um momento em que senti muita culpa, senti que queria arranjar justificações
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dentro de mim para aquilo que tinha acontecido e aqui uma fragilidade, a minha veia de Control
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Freak saiu descontrolada e analisei a minha vida até o ínfimo peronor à procura de justificações
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em mim para poder controlar que aquilo não me voltaria a acontecer. Mas quando comecei
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a perceber que não interessava nada à culpa e que o outro também tinha a sua cota parte
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e a sua responsabilidade, eu não passei para o ponto oposto. Portanto, não vale a pena
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culparmos exageradamente, mas vale a pena não nos desresponsabilizarmos. Apesar da dor,
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eu queria aprender e assim aplicou a olhar para mim profundamente, a olhar para a minha
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história, a minha fragilidade. Quem sou eu? Olhar os meus padrões, olhar as minhas responsabilidades,
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analisar a minha vida, a minha educação, a minha infância, a minha adolescência, a forma como eu
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me posicionava nas minhas relações amorosas, também de amizade na família e perceber uma
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coisa, por exemplo, sobre mim, que eu gostava de me responsabilizar pelo outro. Eu gostava de
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criar uma certa dependência e queria tornar-me indispensável. Esta foi uma das coisas que eu
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percebi sobre mim, sobre ser um dos meus padrões e que precisei trabalhar, é só um exemplo. Neste
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momento, sabia que os meus padrões, as minhas responsabilidades, mudaram aquilo que queria,
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era a base para fazer um futuro diferente e tive aqui uma importante faceta da terapia,
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que me pensou para um cuidado com a exigência extrema em relação a nós próprios. É muito
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importante sim olharmos para nós, mas também é importante sermos tolerantes e termos cuidado para
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nós sermos demasiado exigentes. Traves também aqui outra aprendizagem que me foi importante,
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que é não expor demasiado, mas também não fingir que está tudo bem. Na nossa sociedade hoje em
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dia em que vivemos há uma exigência extrema para estarmos sempre bem e há momentos na vida em
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que isso não é possível e efetivamente a nossa energia deve estar em ficarmos bem e não fingir
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que estamos bem. Então, eu não fiz questão de contar a toda a gente, por exemplo, no trabalho,
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mas efetivamente, como pessoa transparente que sou, passar de alguém alegre, falador, para alguém
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e ausente de uma certa maneira, não foi indiferente aos mais atentos. E hoje, de facto,
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parti-lhe com você, porque tinha muitos ataques de pânico iniciais, tinha muita dificuldade de
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estar em dor, tinha muita dificuldade de me concentrar às horas normais de trabalhar em
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escritório e sou eternamente grata por quem na altura conseguiu abraçar-me na minha fragilidade
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e eu adaptar-se e consegui o compreender. E este equilíbrio entra em não os pôrmos demasiado
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e o fingimento absoluto dá, de facto, uma oportunidade aos outros que também poderem estar lá para nós.
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E aqui, pronto, começa a falar-vos um bocadinho da minha reconstrução. Eu tive a facilidade de assumir
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com naturalidade que preciso do outro, que preciso do outro. Não há razão nenhuma para termos vergonha
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e não há razão nenhuma para não o fazermos, somos quem somos, em relação. E eu deixei-me mesmo
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ser muito acolhida e muito cuidada e fiz-me pequenina para caber nos colos disponíveis e esses
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colos foram estes, não é? Minha família e os meus amigos. Eu efetivamente fiz isto com a minha
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família quando voltei para casa dos meus pais. Na altura, a minha casa, que ainda é a mesma na
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qual eu estou hoje e voltei para casa, mas na altura era a casa onde eu estava a construir este
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tempo da vida, portanto era muito difícil de estar ali e num momento de Covid e tudo mais, eu voltei
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para casa dos meus pais, foi muito duro, foi muito duro. Mas, apesar dessa, a casa dos meus pais ser uma
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casa maravilhosa, eu adoro estar, claro, mas foi inevitável sentir que há um retrocesso no meu processo,
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no nosso crescimento. E, por isso, naquele momento em que temos tantas vozes internas e externas a dizer
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que não, tu és capaz, não tens esse passo atrás, bora lá, é importante dizer-nos que, ok, eu agora
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não quero, eu quero esta ajuda, eu preciso dos meus e isso foi fundamental para mim, para me sentir
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novamente capaz de enfrentar o mundo, para me sentir novamente capaz de voar mais sozinha, com os
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amigos também sob muito receber o colo que tinham para me dar, fui muito vocal a pedir ajuda e liguei
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as horas impropres a pedir ajuda e pedi companhia para passeios junto ao Rio e pedi como fossem buscar
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o trabalho, porque não conseguia conduzir e tive esse colo, mas também não fiquei demasiado
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obcecada comigo própria, não sou o centro do mundo, não me tornei demasiado autocentrada e tentei
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sempre continuar a ouvir e continuar a receber os outros. Por outro lado, podendo, de facto,
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depender dos outros, podendo contar com os outros, no meu caso, não esperei que os outros
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preenchessem todo o meu espaço vazio, era mesmo um grande vazio e, individualmente, procurei
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nutrir-me, procurei munir-me das ferramentas necessárias para lidar com a minha fragilidade e no meu
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caso, eu notei que diversificar foi o mesmo muito importante para mim, então eu, como é que eu
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respondi aí, por exemplo, a este grande, grande vazio que eu sentia, eu procurei, outra vez,
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olhar para a minha criatividade, fazer coisas com as mãos, foi uma coisa muito importante para
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mim, eu voltei a pintar, voltei a ter imenso workshops, fazia imenso barro, olaria aquelas massas
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que fazem em casa, pintava vasos, lidava imenso com terra e plantas, ajudei imenso, escrevia bastante
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e isso ajudou-me mesmo muito, foi literalmente trapéutico, por outro lado, depois de vivermos
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uma experiência destas, eu tinha muita tendência para me desvalorizar, tipo, olhou, não vale nada,
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eu investi tudo numa pessoa que literalmente se foi embora e aprender, fez-me muito bem,
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investir, sentir-me culta, sentir-me bem, foi muito importante, eu faço parte de um clube
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do livro há vários anos, por acaso já fazia recentemente quando a situação aconteceu,
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mas lemos um livro por mês, sempre dá autores diferentes do mundo, com muitas histórias,
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aprendo mesmo muito e isso fez-me muito, muito bem, concretamente, de facto, eu tive, acho,
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não é acho, eu tive o início de uma depressão e efetivamente tinha muita ansiedade e muita
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insónia e há ferramentas muito concretas para lidar com isto, eu usei muito uma aplicação
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que se chama Insight Timer, é uma aplicação para meditação que me acompanhou nas minhas
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insónias todas, aquilo é espetacular, tem momentos em que para adormecer, é durante a noite
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quando se acorda, é muito, muito adequado, tem milhares e milhares de meditações guiadas
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e ajudou-me muito naquela fase, fiz muita gente do sono, era muito, muito cuidadosa,
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com telemóveis, luz, conversas antes de dormir, comida, bebida, álcool etc, foi muito
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criteriosa naquela fase, o mar, a natureza, a praia, fiziam-me muito bem, tem muitos
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mergulhos em fevereiro e em janeiro que fizeram maravilhas e depois faço parte de, o desporto
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para mim foi fundamental, eu faço parte de uma comunidade de Outdoor que é a Actiflow
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e os treinos matinais depois de noites muito difíceis realmente eram muito, muito importantes
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o nosso coach, que é o Thomas, também é uma pessoa com uma energia diferente e que
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é muito atenciosa nestas ocasiões e de facto estar ali com aquelas pessoas e sentir que
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não ia para um ginásio sozinha ajudou-me mesmo muito. Isto são só os meus exemplos,
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também fiz aulas de surf, são só os meus exemplos mas de facto foram muito importantes.
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Eu tinha volta aqui à terapia, porque de facto a terapia foi fundamental, continua a ser
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higiênica mas foi fundamental e dizer-vos que partilhava constantemente, semanalmente
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ou até às vezes mais vezes, este medo, este pânico que eu tinha de não voltar a ser feliz,
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eu tinha pânico de não refazer a minha vida e de facto isso marcava muito o meu dia-a-dia
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e era na terapia que eu conseguia desconstruir estas ideias, estes fantasmas e conseguia dar
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alguns passos porque os nossos amigos não são nossos psicólogos, os nossos pais não são
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nossos psicólogos e é mesmo importante este trabalho que vou fazendo com a Inês.
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Também experimentei uma grande ausência de sentido, nestas fases eu acho que é natural
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mas de facto a oração e a fé, a minha revisão de vida deram um suporte insubstituível.
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No processo deste género nós ficamos muito desangados, ficamos muito revoltados e eu
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não estava a conseguir perdoar e foram vários anos e fiz um trabalho com a minha revisão
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de vida muito importante e dou uma palavra especial a Lupita porque na nossa fé é
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mesmo importante o perdão e é algo que nos constitui enquanto católicos e portanto
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esse trabalho fez-me um bem tremendo e foi uma parte importantíssima da minha reconstrução,
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fazer as pazes, o conseguir perdoar, o conseguir já não estar furiosa, zangada
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e a condenar aquilo que tinha acontecido. É importante compreender que voltar a acreditar
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pode não ser a primeira nem a segunda, no meu caso não foi o primeiro namorado que
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eu arranjei depois dessa instituição que ficou, no caso de uma pessoa que é vítima de
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bullying não tem que ser a primeira amizade que tenta fazer que vai correr bem, no caso
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de alguém que tem uma depressão, tem uma recaída, não significa que vá tudo por água
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abaixo, portanto é importante termos a leveza de poder voltar a tentar, voltar a tentar
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se necessário e não ficarmos obcecados do género a isto que rouba outra vez ou tenho
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um problema, não é sobre isso, não foi sobre isso, portanto no meu caso voltar a tentar
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até dar certo, pronto e está a dar certo e aquilo que vos trago para acabar é que
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hoje o meu puzzle está muito mais construído e é mais fácil encontrar o lugar de cada
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peça e quando existem alguns momentos de desintegração, quando existem peças mais
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difíceis, desequilíbrios, é mais fácil porque o processo está começado, é um processo
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em continuo e é menos doloroso por as coisas no sítio porque as fragilidades e os mecanismos
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de feza estão um bocadinho mais trabalhados e, pronto, e a minha experiência é efetivamente
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que o que criaram dentro de nós pode deixar estrelas e aquilo que eu sou hoje, a minha vida,
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aquilo que eu vivi construiu muito e eu sou mais feliz, tenho uma relação da qual
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eu gosto mais e tenho uma vida mais feliz.
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Aplausos