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Três milhões de novos. Boa tarde.
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Eu quando aceitei este convite, hesitei. Pensei para mim, será que fazia sentido expor
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este tema e esta realidade? Mas a mensagem que vos quer passar é muito mais importante
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do que qualquer receio que eu pudesse ter tido. Como já disseram, eu cresci e vivi uma parte
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da minha vida no bairro do fim do mundo, em Cascais, e o bairro do fim do mundo é um bairro
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social como tantos outros onde a pobreza, a música e a cultura que o existem. E hoje
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eu vou mostrar-vos o que aprendi, não através dos livros, mas através da vida real. E uma vez
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que estou a transmitir esta mensagem, acho que me cabe a mim dar-vos os detalhes todos,
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creio que seja justo. Vamos recuar um bocadinho no tempo. As crianças no bairro viviam sem
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atrapações, chegavam à bola, à escondidas, à apanhada, mas a realidade batia à porta muito
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cedo. Vi crianças e famílias sem água e luz em casa. As velas estavam sempre prontas para serem
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acesas que não era possível pagar a fatura de taluz. Vi vizinhos com grandes baldes a ir
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à porta de outros vizinhos para pedirem água, porque não era possível pagar a fatura da água.
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Drogas, toques e codependentes, vi no seu estave mais deplorável, era em buscar as suas
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doses diárias. Os frigoríficos, praticamente vazios, mas havia um dia sagrado. Havia um dia em que
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provavelmente as mães faziam fila no banco alimentar e podiam levar para casa bolachas que jamais
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poderiam comprar nos supermercados. Tiros, ouvi, guerras entre bairros rivais presenciais, lembram-me
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de um dia em que o bairro rival, na altura, entrou para dentro do fim do mundo armado.
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Corremos todos para dentro dos prédios com medo e sabem, nós hoje vivemos a culpura dos vídeos de
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um minuto nas redes sociais e, por vezes, esquecemos-nos das crianças que vêem o filme do início ao
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dia. E garante-vos, esse fim, por vezes, não é bonito. No bairro, na minha altura, não era
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incomum ouvir dizer que alguém tinha sido preso, das janelas era possível ver as rujas, pessoas
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acioniam-as gemadas e entrarem para os carros da polícia. O som do choro das famílias ecoava sempre
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na empresa. Isto foi o que vi quando lá vivi. Mas sabem nem tudo é mau. O bairro também tem
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coisas positivas. Sabem que as festas, pelo menos no meu bairro, ouvirem ritmos africanos e as tias
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dançarem. E malta que vinha do outro bairro e entrava-me para dentro do fim do mundo. E os meus
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pais diziam-me, este é o teu tio, aquele é o teu tio, é lindo. Fantástico, não tinha preço.
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As festas dos cigarnos duravam três dias e, durante três dias, o bairro estava em festa. E eu hoje
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confesso-se que não sei bem o ritmo das palmas, mas se ouvir algumas músicas ainda está cheio de cor.
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O bairro dá-nos uma cara-passa muito forte. Existe uma agosação também ela forte,
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principalmente dos mais velhos para que os mais novos. Mas isso traz-nos duas coisas muito importantes.
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É primeiro, dizer exatamente o que pensamos. E a segunda, carregar um lema de quem vem
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desta realidade, que é, se aguentas no bairro, aguentas em qualquer outro sítio. E eu acho que aprendi esta.
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O bairro também nos dá, em altura, quando perguntava às vizinhas, então, como é que está?
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As respostas não eram iguais, acho que eu ouvia cá fora. Não é sandando. Não. As pessoas falavam e
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falavam exatamente os problemas da vida, os disavores, as felicidades, as alegrias e as conquistas.
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Nós conhecíamos os vizinhos. E hoje vivo em um sítio completamente diferente e não conheço
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metade das minhas vizinhas. Dá-me que pensar. Sabe, a característica social que fiz do meu bairro
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podia ser transversal a qualquer outra parte do país. De certo que tenho pessoas desse lado a
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verem comigo e que me vão dizer que a pobreza não é exclusiva dos bairros sociais. É droga,
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não é exclusiva dos bairros sociais. Não é. Uma criança que nasce em qualquer outro sítio e que
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carrega essa bagagem e que não venha de um bairro social, também entrará com ela uma bagagem forte.
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Mas para mim, eu acho que já vos mostrei o positivo e o negativo ter lá crescido. Talvez não
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mas o mais difícil, o mais duro de lá ter vivido foi perceber que o mundo fora do bairro olhava
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para mim de forma diferente. Porque o bairro, na altura, não era só uma localização no mapa.
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Era um rótulo que trazia baixas expectativas, olhares desconfiados e poucas oportunidades.
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E as pessoas que mais falavam sobre o meu bairro, na altura, não viviam lá.
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Justificavam as precessões que tinham com histórias mais ou menos verdadeiras,
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que aumentavam o rótulo de pessoas que lá viviam.
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Isto foi o mais duro e o mais difícil de ter lá vivido.
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Mas do negativo, tirei duas coisas completamente positivas, que foi. Aprender
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olhar para o outro que o olhar do outro e não através do meu olhar.
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Porque acontecia comigo, né? Portanto, em vez de ser o Lionel, era o mídio do bairro.
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E, para mim, acho que tornou-se muito mais fácil não correr tão rapidamente e julgar
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qualquer um de vocês que tenham aqui à minha frente, sem antes tentar perceber a vossa história primeiro.
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O segundo ensinamento que o bairro me trouxe foi desafiar pros conceitos.
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Isto é mesmo, mesmo, mesmo especial.
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Eu fizemos e, pedia-me, esses dias, eu queria fazer a minha festa aqui no bairro.
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Eu tinha muita vergonha, tinha mesmo muita vergonha de viver naqueles sítios.
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E antes de te descontar também, em esta parte, queria só criar aqui uma parte que é...
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Eu não dizia que vinha dali, quando me dava um boleia, pedia para que me deixassem numa retunda.
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E, então, assim, as pessoas não conseguiam perceber a sítio onde eu vivia.
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Eu não sei se aqui alguém é do Estoril. Alguém conhece a Boa Nova?
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A Boa Nova, sim? Maravilha.
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Para quem não conhece, a Boa Nova é um colégio, um auditorio, e mais uma coisa.
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Como? E uma igreja.
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E uma igreja.
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E sabem quando foi construída a Boa Nova?
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Para mim, sequer armiudo, soava muito mais chique dizer, eu vivo ao lado da Boa Nova.
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Em vez de dizer, eu vivo no bairro do fim do mundo.
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Escalhar um bocadinho de género na minha parte.
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Mas... foi assim.
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Mas deu-se uma fase da minha vida, se calhar deixo-vos por outra história, em que...
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Tudo bem, não interessa a sítio onde eu vivo.
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Pedi às minhas tias que fizessem cachupa, que é um prato capo verdiano que eu adoro.
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É o meu prato africano preferido.
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E disse que queria convidar os meus amigos para dentro do bairro.
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Resposta das minhas tias.
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Tu, português africano, vais fazer aqui uma festa.
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Eu, sim, sim, sim, sim.
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E essas tias puderem fazer cachupa, eu gostava muito.
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E trouxe os meus colegas para dentro do bairro.
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Colegas esses, quando éramos mais novos, diziam que o bairro era o sítio das rendas baixas e das drogas.
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E foi lindo. Mas sabe o que é que aconteceu?
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Correu tão bem.
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Comecei a trazer cada vez mais amigos.
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E esses meus amigos traziam outros amigos.
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E sabem, todos juntos, todos juntos, pretos, brancos, pobres, ricos, seguintos, altos, baixos, todos juntos.
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É que meca-chupa.
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Foi muito especial para mim.
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E sabe o que é que eu percebi?
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Eu percebi que, da parte das pessoas que não lá vivia, eu aviai assim, entre dentro.
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Hmm, isso, afinal, não é assim tão perigoso quanto eu achava.
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É sério?
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E da parte das pessoas do bairro, eu aviai.
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É pá.
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Este betinho até é fijo.
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E foi muito giro. Foi muito giro, para mim, de experienciar isto.
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O que eu acho que fiz e é a mensagem que eu também vos quero trazer.
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Tentei desafiar para os conceitos.
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Número, o preconceito do sítio onde vivia.
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E onde vivi durante muito tempo.
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Número 2, os preconceitos que os meus colegas tenham em relação ao sítio onde eu vivia.
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E que roubai.
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Desafiar preconceitos não significa mostrar a toda a gente, constantemente, que não somos o que os outros acham.
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Que somos.
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Isto tem outro nome.
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Perder tempo.
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Não vale a pena.
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Obrigado.
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Desafiar preconceitos é percebermos a nossa realidade.
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Como é que lidamos com o positivo?
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Como é que lidamos com o negativo?
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Não impondo a realidade do outro.
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Esta parte é mais difícil.
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E tentar perceber o lado do outro.
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E lá está. Tentar.
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Eu fiz isso no meu bairro e foi muito, muito, muito, muito positivo.
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Hoje, nós jovens, eu acho que ainda sou jovem, temos a possibilidade de que somos obrigados
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a viver e a conviver com realidades diferentes.
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Portanto, na alta jovem que veio com os pais, perguntei aos pais como era há 20 anos atrás.
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As misturas que hoje vemos e as misturas que provavelmente estão nesta sala há 20 anos atrás garantem que não era assim.
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Pessoas de classes sociais diferentes a darem-se bem, de cores diferentes a darem-se bem.
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E existiu um avanço muito positivo nesse sentido.
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Qual é que é o grande obstáculo?
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Nós hoje queremos estar em todo o sítio, em todo o lado, comentar tudo e mais alguma coisa,
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impor as nossas percepções, mostrar causas com casos diferentes,
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simplesmente para perpetuar os nossos preconceitos.
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E acabamos por destruir esse avanço positivo que existiu.
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Hoje é muito mais fácil um lionel mais novo que eu convidar amigos para entrar em um bairro.
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Na altura, eu tive a felicidade de fazer antes em agosto.
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Portanto, não lhe dei convites para a minha festa de Anzi e os meus amigos não virem, por exemplo,
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ou porque eu tinha vergonha ou porque os pais não deixavam.
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Hoje é possível e é essa realidade, apesar de existir este desafio.
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Antes de me ir embora, quero dizer-vos que as coisas mudaram positivamente,
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estão menos no bairro do fim do mundo, e há desafios,
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mas as crianças não estão tão expostas, é uma das das coisas que eu vi.
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Não estão tão expostas à realidade que presenciei e vi famílias a viver.
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Cabe-nos a nós, cabe a cada um de vocês garantir que essa mudança continua a ser positiva.
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Percebendo-nos a nós mesmos, como lidar com os preconceitos,
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tentar desafiar-os dos outros, sem perder muito tempo, é importante,
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mas principalmente, um desafio que vos lance hoje é o que é que cada um de vocês,
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o que é que todos nós, em conjunto, poderemos fazer para fazer com que esta mudança continue a ser positiva.
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E é esta a mensagem que vos quero passar. Muito obrigado.
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Obrigado.