3 Milhões de Nós
0:00 Bom dia. Na verdade, eu também estou um projeto eternamente inacabado. Não sou só hoje, mas fiz.
0:11 Fiquei um bocadinho triste porque, ao contrário dos outros dois apresentadores, eu não havia apresentado conhecendo pouco.
0:19 Mas, pronto, é assim. Eu não acreditava que era possível encher a aula magna com 3 milhões de nós.
0:32 E, portanto, um agradecimento especial a vocês por terem tirado o vocabulario e para estar aqui hoje para falar sobre estes temas.
0:49 Temos falado sobre a pandemia e de que forma a pandemia afetou as nossas vidas, sentimos um apelo.
0:57 Mas das poucas coisas que a pandemia também trouxe foi que fosse a saúde mental no mapa.
1:03 Nunca falámos tanto de saúde mental. O impacto da saúde mental é a importância de justificar as perturbações mentais.
1:13 E é isso que eu vos gostava de falar aqui hoje.
1:18 Eu não tenho as tecnologias. Eu gostava de fazer muitas perguntas para vocês. Não consigo ver agora com os telemóveis e tudo mais.
1:32 Mas há uma pergunta que gostava de perguntar que é qual é que é o vosso super-herói favorito?
1:37 Pensem para vocês. Não dá para responder todos em um instante.
1:42 Que é a idade onde nós nos sentimos super-heróis? A idade da infância, da adolescência.
1:49 Parece que a nossa vida é vivida com os holofotes sobre nós.
1:53 Se nós estivéssemos na Lua com um telescópio, parece que o telescópio ia apontar exatamente para Portugal, para Lisboa, para a aula magna, para a Joana, para o Ricardo, para o Manuel.
2:04 Além disso, existe a expectativa de que nós sejamos super-heróis. Existe essa expectativa.
2:13 Sejamos super-alunos, porque sendo super-alunos vamos ter sucesso, o que é que a palavra sucesso significa.
2:22 Teremos que ser super-populares, ter enorme quantidade de amigos, porque só assim vamos ter sucesso e por aí fora.
2:32 Aquilo que não nos ensinam é que a palavra sucesso e fracasso estão muitas vezes intimamente ligadas.
2:39 Portanto, existe essa expectativa nossa de que temos super-heróis, existe a expectativa dos outros de que todos sejamos super-heróis, super-homens.
2:50 O que não é esperado é que um super-herói tenha fraqueza, tenha vulnerabilidade, seja frágil.
2:58 Certo? Isso não é esperado num super-herói. Um super-herói consegue resolver todos os embates, todos os problemas corajoso e enfrenta todos os perigos.
3:11 Será que é assim? Encontrei esta tira de 1976 do super-homem. Não sei se conseguem ver. O super-homem também chora.
3:22 O super-homem também chora.
3:27 E isto leva-me a pensar na primeira mensagem que eu gostava de escrever aqui hoje.
3:35 O estigma das doenças mentais começa em nós próprios. O estigma das doenças mentais começa em nós próprios.
3:44 E isto, por razões profundas, tendemos a fazer uma fatura entre aquilo que são as perturbações mentais e as doenças físicas.
3:56 As doenças mentais são muitas vezes percepcionadas como falta de força, fraqueza. A doença física, não.
4:06 Vocês não ouvem alguém, ou vocês não dizem a alguém que tem asma, não dizem asma. Vá, se fida melhor, pá.
4:13 Não me dizem, não passo pela cabeça, mas alguém que está triste, deprimido, estão capazes de dizer, vá lá, anima-se.
4:22 Alguém que está ansioso, vá lá, calma-se.
4:28 Se vocês estiverem doentes com uma gripe na cama, 39 de setembro, dor no corpo, tosse, não se passa pela cabeça,
4:37 se sair da cama, em experiência proposta, ter corrigido uma maratona, pois não. Não se passa pela cabeça.
4:43 Nem se passa pela cabeça que alguém nos diga, pá, vá lá, está lá, faz deporte, corre.
4:49 Isto é recetório.
4:53 Existe esta ideia de que a doença mental está ligada à fraqueza.
5:00 Gostava de partilhar com vocês alguns números da saúde mental em Portugal.
5:06 A saúde mental, as perturbações psiquiátricas que estão presentes em cerca de 20% dos portugueses.
5:15 Um em cada cinco portugueses sobe-se de uma perturbação mental.
5:20 Não sei quanto é que estamos aqui hoje, mas como dizia o outro, é só fazer os contos.
5:31 O conjunto das perturbações mentais estão a segunda causa, são um conjunto de doenças que têm uma maior carga na sociedade em Portugal.
5:42 A seguir às doenças cardiovasculares, que é o impacto na sociedade, que é o impacto na perceptividade, o impacto na sociedade, custos.
5:51 Segunda conjunto de doenças.
5:55 16% dos portugueses sobe de perturbação sexual.
5:59 8% de perturbações depressivas.
6:03 Se nos focarmos nas crianças e jovens, 30% sobe de sintomas depressivos.
6:10 Desses, 20% são moderados a graves.
6:14 10% resistem suicídio.
6:20 O suicídio é a principal causa de morte nos jovens adultos.
6:28 Portanto, aqui percebemos o impacto das perturbações mentais, o impacto da falta de saúde mental,
6:35 como temos ouvido os outros coletores falarem.
6:49 Então, o que podemos fazer? O que é que está nas nossas mãos?
6:54 Ou melhor, o que é que está na nossa voz?
6:58 Ouvimos há pouco, na experiência dos anteriores apresentadores, a importância de cuidarmos da saúde mental.
7:07 Nós cuidamos da nossa saúde física, certo? E, portanto, é importante que está nas nossas mãos cuidarmos da nossa saúde mental.
7:13 Ouvimos os testemunhos na primeira pessoa.
7:16 Tal como na saúde física, na alimentação regrada, exercícios físicos fundamentais.
7:25 Exercemos o sono fundamental para a nossa saúde mental, para cuidarmos de nós próprios.
7:32 Nenhum homem, nenhuma mulher é uma ilha.
7:36 É muito importante estabelecermos ligações com os outros.
7:40 Não precisamos ter muitas, não precisamos ter não sei quantos amigos no Instagram, Facebook,
7:47 mas precisamos criar ligações com as pessoas que são relevantes.
7:52 Também ouvimos da experiência dos anteriores apresentadores.
8:01 Algo também muito importante.
8:03 Não nos colocarmos apenas num papel na nossa vida, eu não sou o Manuel Teodos Picatra.
8:09 Além de ser Manuel Teodos Picatra, sou também Manuel, o pai do Afonso e da Clara.
8:14 Manuel, marido da Ana.
8:17 Manuel, filho de Roger Filomena.
8:19 O Manuel, eu avumo vê-se também em Palmas ou Estúbios, louco por futebol e pelo Benfica.
8:31 Nunca, como que é que é um erro nunca falar de futebol?
8:35 Mas pronto.
8:37 O Manuel que adora ler, que adora música.
8:40 E, portanto, nós devemos focarmos também nos diferentes papéis que temos na nossa vida.
8:46 Mas mais importante que isso, eu digo, o respeito por dizer não está só nas nossas mãos,
8:51 está também na nossa voz, saber pedir ajuda.
8:55 As perturbações psiquiátricas têm tratamento, têm solução.
9:05 Se nós estamos capazes de perceber o estigma que começa em nós,
9:11 na nossa constepção da saúde mental e das perturbações mentais,
9:16 se conseguimos perceber que a saúde mental é uma doença de cérebro,
9:25 que é um órgão como qualquer outro e que não depende da força ou da fraqueza,
9:30 se nós tivermos atenção à nossa saúde mental e cuidarmos do nosso corpo e da nossa mente,
9:38 se nós tivermos essa noção, estamos mais preparados para, quando for preciso,
9:44 estendermos a mão, levantarmos a nossa voz e pedirmos ajuda.
9:49 Muito obrigado a todos.

Ninguém se salva sozinho - Manuel Salavessa

Descrição

Na palestra de Manuel Salavessa, o foco está na saúde mental e na importância de reconhecer que “ninguém se salva sozinho”. Através de uma apresentação envolvente, Salavessa desafia a visão comum sobre o sucesso e a fraqueza, incentivando a ligação entre as pessoas e a procura de apoio.

Resumo

Manuel Salavessa inicia a sua palestra reconhecendo a sua própria vulnerabilidade e a dificuldade em apresentar-se aos outros. Ele destaca a relevância que a saúde mental ganhou durante a pandemia, sublinhando que nunca se falou tanto sobre este tema. Salavessa acentua que a saúde mental e as perturbações mentais foram historicamente estigmatizadas, sendo muitas vezes vistas como fraquezas, ao contrário das doenças físicas que recebem compreensão e empatia. Para ilustrar isso, faz uma comparação entre a expectativa de que os super-heróis não mostrem fraqueza e a pressão que existe sobre os indivíduos para parecerem sempre fortes.

Ao apresentar estatísticas alarmantes sobre a saúde mental em Portugal, Salavessa revela que cerca de 20% da população sofre de alguma perturbação mental, e que os jovens estão particularmente vulneráveis, com taxas de suicídio elevadas. Ele apela à necessidade de cuidar da saúde mental da mesma forma que se cuida da saúde física, promovendo a importância das conexões sociais significativas. O orador defende que ninguém deve enfrentar os desafios da saúde mental sozinho e que é fundamental pedir ajuda quando necessário.

Salavessa conclui a sua palestra com uma mensagem clara: é vital reconhecer que a saúde mental é uma parte importante da nossa vida e que abordar o estigma que existe é um passo essencial para cuidar de nós próprios e dos outros. Ele incentiva todos a desenvolverem uma melhor compreensão da saúde mental, não permitindo que anseios de sucesso e a pressão social os impeçam de serem autênticos e de buscarem apoio.

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