3 Milhões de Nós
0:00 Bom dia, Aula Magna.
0:04 Vás, estou à espera de um bom dia, que se oiça. Bom dia!
0:09 O tema de que eu vos queria falar, eu mudei um bocadinho esta formulação que aqui estava,
0:15 e chamo-lhe de ser desafiados a desafiar.
0:20 Há um papel para os jovens na igreja.
0:23 É disso que eu queria falar-vos durante os poucos minutos que me deram.
0:27 Bem, primeiro que tudo, gostava de dizer que os primeiros são os últimos,
0:33 e hoje com certeza que essa palavra do evangelho se vai cumprir,
0:38 porque eu sendo o primeiro, com certeza serei o que dirá coisas menos interessantes.
0:43 Vou começar primeiro por vos ler uma carta que nos chegou,
0:48 porque a organização do 3 milhões de nós resolveu dizer ao Papa Francisco
0:53 que estava a organizar este encontro sobre a juventude,
0:58 precisamente no momento em que em Roma também se estava a realizar aquele grande sínodo sobre os jovens,
1:04 e recebemos uma resposta que eu vou passar a ler resumidamente.
1:09 Então diz assim, queridos amigos, com fraternos cumprimentos,
1:14 venho dar resposta à carta que dirigiram ao Santo Padre no dia 24 de junho,
1:20 solicitando uma mensagem para a iniciativa 3 milhões de nós,
1:25 um congresso de jovens para jovens que se realiza no dia 10 de novembro de 2018,
1:32 tendo como tema ser jovem hoje.
1:35 Entretanto, ontem, os padres sinodais reunidos em Roma, com Pedro e sobre Pedro,
1:42 dirigiram aos jovens e ao mundo inteiro, incluindo os 3 milhões de nós,
1:48 uma carta que me apreze a enviar-me, anexa à presente.
1:54 E a carta diz assim, a voz jovens do mundo inteiro nos dirigimos nós,
2:01 padres sinodais, com uma palavra de esperança, confiança, consolação.
2:07 Nesses dias estivemos reunidos para escutar a voz de Jesus Cristo,
2:12 eternamente jovem, e, nele, reconhecer as vossas variadas vozes,
2:19 os vossos gritos de júbilo, os lamentos, os silêncios.
2:24 Sabendo das vossas buscas íntimas, das alegrias e esperanças,
2:30 das tristezas e angústias que vos inquietam, pedimos-vos agora que escuteis uma palavra nossa.
2:38 Queremos ser colaboradores da vossa alegria, para que os vossos anseios se transformem em ideais.
2:47 Com a vontade de viver que tendes, estamos certos de que estareis prontos a empenhar-vos
2:54 para que os vossos sonhos se tornem realidade na vossa existência e na história humana,
3:00 que não vos desanimem as nossas fraquezas, que as fragilidades e os pecados não sejam de obstáculo à vossa confiança.
3:10 A igreja é vossa mãe, não vos abandona.
3:15 Está pronta a acompanhar-vos ao longo de novos caminhos, por sendas altas,
3:21 onde o vento do Espírito sopra mais forte, dissipando as brumas da indiferença, da superficialidade,
3:29 do desânimo.
3:31 Quando o mundo, que Deus amou até ao ponto de lidar o Seu Filho Jesus, se dobra sobre as coisas,
3:39 o sucesso imediato, o prazer e pisa os mais fracos, vós, ajudai-o a riarguer-se
3:48 e a voltar a olhar para o amor, a beleza, a verdade e a justiça.
3:54 Durante um mês, caminhamos juntos com alguns de vós, tendo muitos outros unidos conosco pela oração e afeto.
4:03 Agora desejamos continuar o caminho em toda e qualquer parte da Terra, aonde o Senhor Jesus nos envia como discípulos missionários.
4:15 A Igreja e o Mundo têm urgente necessidade do vosso entusiasmo,
4:21 fazei-vos companheiros de estrada dos mais frágeis, dos pobres, dos feridos pela vida.
4:29 Sois o presente, sede o futuro mais luminoso.
4:35 Um aplauso para esta carta dos Padres Sinodais.
4:45 Agora gostava de, não vamos usar aquela tecnologia ainda,
4:51 mas gostava que cada um pensasse rapidamente em frações de segundo,
4:57 quando pensa naquilo que gostaria que a Igreja fosse, quais são as palavras que lhe vêm à cabeça.
5:03 As palavras, os conceitos, as ideias, os sentimentos,
5:06 pensem muito rapidamente em algumas dessas coisas que, se nos perguntassem,
5:12 o que é que para ti a Igreja tem que ser nos dias dois?
5:17 O que é que nos vem à cabeça?
5:28 Com certeza que todos pensaram em algumas coisas,
5:31 algumas coisas que até já andam na nossa mente, no nosso coração há algum tempo.
5:37 Eu queria dizer-vos, meus queridos amigos, que essas palavras são o vosso programa,
5:44 são o vosso desafio, são a vossa missão para o futuro da Igreja, a partir de agora.
5:52 Nesta sala, entre estes jovens, estão os pais e as mães da manhã.
5:57 Estão os empresários, os artistas, os missionários e os padras do futuro.
6:04 E esse futuro é o vosso compromisso.
6:08 Para construir esse futuro, eu penso que há uma ideia,
6:13 que é preciso que nós tenhamos muito presente, que é esta ideia do escutar.
6:19 Do escutar que depois traz consigo também o ser escutado.
6:22 Todos nós, uma das primeiras coisas que aprendemos a fazer,
6:28 às vezes até com alguma exigência e até com algum desespero para aqueles que são os nossos pais,
6:36 uma das primeiras coisas que aprendemos a fazer é a fazermos escutar.
6:41 Sobretudo, às vezes, naquelas noites em que tiramos o sono aos nossos pais com o nosso choro,
6:48 mas ainda assim aprendemos a fazermos escutar.
6:53 E uma das coisas que eu gostava, que nós também tivéssemos muito presente,
6:58 é que é preciso, à medida que vamos crescendo, aprender a escutar.
7:05 Escutar o mundo, o mundo com os seus anseios, o mundo com as suas perguntas,
7:12 o mundo com os seus sofrimentos, o mundo a tatear, muitas vezes,
7:18 um caminho de futuro que não sabe descortinar.
7:23 É preciso aprender a escutar aqueles que partilham a vida conosco,
7:29 começando no nosso ambiente familiar e depois alargando isso a todo mundo.
7:34 É preciso aprender a escutar.
7:37 E aqui, com toda a finesa que isso tem,
7:42 é preciso aprender a escutar a voz que fala no nosso interior,
7:47 que nos diz coisas sobre nós, que nos diz coisas sobre os outros,
7:52 que nos desafia e que, tantas vezes, também nos trava.
7:58 Finalmente, é preciso aprender a escutar a voz de Deus,
8:02 desse Deus que fala, desse Deus que prende, também continuamente a escutar.
8:10 Por isso, ponham-se à escuta, ponham-se à escuta do que fala no fundo do vosso coração,
8:18 desses desejos de grandeza que têm, desses ideais grandes que vos falam,
8:24 desses desafios que vão surgindo dentro de vocês como uma árvore que cresce silenciosa,
8:29 mas que em algum momento vai ter que ir romper da terra e mostrar-se.
8:35 Ponham-se à escuta de Deus e também dos apelos que Ele poseer no vosso coração.
8:42 E desafiem a Igreja.
8:47 Desafiem a Igreja primeiro a escutar-vos.
8:51 Desafiem a Igreja a reconhecer a validade dos vossos anseios.
8:55 Desafiem a Igreja a acompanhar-vos no caminho.
9:03 Mas tenham coisas para dizer.
9:07 Entreguem-se, interroguem-se, façam perguntas.
9:13 Sejam teimosos quando vale a pena.
9:16 Nunca desistam.
9:18 Não aceitam respostas feitas nem receitas prontas.
9:22 Procurem novas respostas e novas receitas.
9:28 Ponham as mãos na massa.
9:32 Não tenham medo da palavra santidade.
9:36 Nesta sala, aqui, estão os santos do século XXI.
9:42 De calças de ganga, mas também de fatigravata.
9:47 Os que se entregam totalmente a Jesus consagrando a Sua vida,
9:52 mas também os que namoram, casam e têm filhos.
9:57 Os que cuidam dos sem abrigo e dos doentes,
10:01 mas também aqueles que estão na política e na finança.
10:07 Os que dão catequese e animam os grupos de jovens,
10:12 mas também os que escolhem estar nas redes sociais
10:16 e o jornalismo de maneira diferente.
10:20 Os voluntários da comunidade de vida e paz e do just change,
10:25 mas também os que jogam futebol e os que trabalham em escultura.
10:32 Os santos são os que se atrevem a levar aquilo que são até ao fim.
10:40 Levem até ao fim aquilo que são.
10:45 Encarem a vida como uma missão.
10:48 Cresçam a sério. Estudem a sério. Trabalhem a sério.
10:53 Sejam amigos a sério. Sejam filhos, irmãos e pais a sério.
10:59 Vivam a sério. Amem a sério. Levem Jesus a sério.
11:06 Contribuam com a Vossa sensibilidade, com as Vossas perguntas,
11:11 com a Vossa coragem, com a Vossa generosidade,
11:15 para uma igreja que anuncie um evangelho que toque verdadeiramente o coração,
11:21 que dê vida e encha essa vida da alegria.
11:25 Uma igreja que seja uma experiência de proximidade, de amizade, de família,
11:32 que ajuda a encontrar o sentido da vida,
11:35 com celebrações que nos envolvam, que sejam vivas e alegres.
11:41 A condizer com aquilo que anunciam.
11:45 Onde se fale uma linguagem que se entende.
11:49 Uma igreja autêntica, solidária, fraterna, acolhedora,
11:56 ao lado dos fracos e injustiçados.
12:03 Não tenham a tentação de criar uma igreja nova para os jovens.
12:11 Ajudem esta igreja, a nossa igreja, a redescobrir a sua juventude.
12:20 A juventude que lhe vem da certeza de estar cheia do Espírito Santo.
12:28 Muito obrigado.
12:30 Muito obrigado, Padre Hugo, por este desafio a levarmos a sério a vida,
12:38 a levarmos a sério a nossa vocação.
12:41 Muito obrigado por ser também a casa que acolhe os grupos de jovens da Vergundair.

Os desafios dos jovens na perspetiva da Igreja - Pe Hugo Gonçalves

Descrição

Nesta intervenção, o Pe Hugo lança aos jovens um desafio exigente e inspirador: não esperar passivamente pela Igreja que desejam, mas ajudar a construí-la com coragem, escuta e compromisso. A mensagem central é que os jovens não são apenas o futuro da Igreja — são já o seu presente vivo, chamados a transformar o mundo e a própria comunidade cristã a partir daquilo que são.

Resumo

O discurso parte de uma mensagem enviada no contexto do Sínodo dos Jovens, que reforça a confiança da Igreja nas novas gerações. Os jovens são apresentados como portadores de entusiasmo, esperança e capacidade de renovação, chamados a caminhar com os mais frágeis e a contribuir para um futuro mais luminoso.

A reflexão centra-se depois numa ideia fundamental: a escuta. O orador sublinha que crescer implica aprender a escutar o mundo, os outros, a própria voz interior e também a voz de Deus. Essa escuta profunda é apresentada como condição para discernir o caminho pessoal e para responder aos desafios da vida com maturidade e autenticidade.

Ao mesmo tempo, os jovens são convidados a desafiar a Igreja. Não de forma destrutiva, mas com perguntas, inquietações e propostas concretas. O apelo é claro: não aceitar respostas feitas, não desistir facilmente e ter algo verdadeiro para dizer, contribuindo ativamente para uma Igreja mais próxima, viva e compreensível.

Outro eixo forte da mensagem é a santidade entendida de forma concreta e atual. O orador desmonta a ideia de que ser santo é algo distante ou reservado a poucos, mostrando que a santidade pode ser vivida nas escolhas do quotidiano, no trabalho, na política, no voluntariado, na família, na amizade e no compromisso com Jesus.

Por fim, a intervenção termina com um apelo à seriedade de vida: viver, amar, estudar, trabalhar e servir com verdade. Em vez de criar “uma Igreja nova para os jovens”, os jovens são chamados a ajudar a Igreja de sempre a reencontrar a sua juventude, renovada pelo Espírito, pela autenticidade e pela alegria do Evangelho.

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