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Como é possível, e vocês também gostam que ao longo deste dia ouviu muita gente,
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mas nem sempre há espaço para fazerem perguntas, mas a ideia desta mesa redonda é também
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as vossas perguntas e as vossas inquietações poderem de alguma maneira passar aqui para
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dentro e poder ser abordado aqui por este painel de luz.
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Enquanto, vocês sabem qual é que é o tema, não é?
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E este o tema é o empreendedorismo, que é uma palavra que está muito na moda, nos
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dias correm, e enquanto vocês pensam sobre esse assunto e também o que é que gostariam
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de perguntar, nós vamos iniciando aqui as hostilidades e fazendo aqui algumas perguntas.
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Se calhar, podemos começar por uma pequena apresentação do que é que cada um de nós
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faz.
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Eu chamo João Miguel e a coisa assim mais conhecida que eu faço é um programa na TV 24
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chamado Governo de Sombra, e além disso, escrevo também no público, sou colonista
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no público e tenho quatro filhos que me dão o cabo da cabeça, a mais velha está com
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14, tanto que aqui há gente mais ou menos da cidade, e agora tenho prazer de estar
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aqui.
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Eu sequer começava pelo Pedro, Pedro, conta lá, o que é que fazes na vida?
1:10
Eu neste momento tenho estado focado em fazer investimentos em startups, por isso tenho estado
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a acompanhar muito perto o ecossistema português de startups e de novos negócios, mais recentemente
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no último ano tenho estado também a levantar um fundo de venture capital, que é no fundo
1:30
capital para investir em empreendorismo, este fundo vai estar focado em investir apenas
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nos Estados Unidos, em Silicon Valley, e por isso tenho tido o contacto com o ecossistema
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português e o contacto também com o ecossistema na Califórnia, em Silicon Valley, que é a
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meca da tecnologia e do empreendorismo.
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O que é que faz exatamente essa tua empresa num sentido muito prático, ok?
1:57
Sabe a gente te bater à porta com uma grande ideia, e se a grande ideia estiver ali, sei
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lá, na fila de cima ou manel, que acha que tem uma ideia incrível para te vender, basta
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chegar ali e bater à porta e dizer, pá, tenho aqui uma ideia espetacular, por favor, mete
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aqui dois milhões de euros, que isto vai ser a última Coca-Cola do deserto, e tu saques
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da carteira e ah, bá.
2:18
Eu sou bastante acessível e por isso tenho eu também muito interesse.
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A tua carteira também é bastante acessível.
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A carteira é menos acessível do que tu.
2:30
E principalmente, quando você está a gerir dinheiro, parceiros é preciso ter muito
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mais cuidado e muito mais deligência.
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Mas se for um projeto interessante se encaixar no tipo de investimento que eu quero fazer,
2:45
que são negócios altamente escaláveis, em determinados setores apostar muita tecnologia,
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poderá ser interessante, se for um negócio muito interessante, mas que saia fora deste
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scope, eu provavelmente não vou fazer perder tempo em empreendedor a explicar uma coisa
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que eu não posso investir.
3:04
Mas diz-nos uma coisa, porque isto aqui há imensas eventudes, certamente, é próprio
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de um evento de ter imensas ideias e ser criativo.
3:13
Basta ter uma ideia espetacular e ser criativo?
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Para se ter sucesso e para se conseguir levar uma boa ideia a tornar essa ideia no
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negócio, é preciso muito mais coisas.
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É preciso uma imensa persistência, porque estes empreendedores lidam com dificuldades
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com situações devido ao morte todos os meses.
3:38
É muito complicado levar o negócio para a frente.
3:41
É preciso capacidade de execução do plano, não é só ter uma ideia brilhante e quem
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é que vai escutar essa ideia?
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É o próprio, foi a pessoa que teve a ideia, tem essas capacidades também ou é só o
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criativo?
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É preciso muitas coisas correm bem para se ter sucesso, é um conjunto de muitas coisas.
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Mas a persistência, a capacidade de execução e o network, as pessoas têm, porque os negócios
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vão precisar de muita gente à volta, vão precisar de dinheiro, vão precisar de investidores,
4:21
vão precisar de clientes, têm que se buscar os clientes, vão precisar de parceiros,
4:24
ok, desajuda e buscar clientes ou, quer dizer, tendo os negócios.
4:30
Por isso é muito complicado e eu valorizo muito os empreendedores, porque de facto
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é um trabalho muito mais difícil que o meu.
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Quando alguém se senta à tua frente e tu olhas para aquela pessoa, o que é que tu procuras
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nela ou o que é que ela precisa de fazer para tu achares que ele tem um mojo ou qualquer
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coisa.
4:57
A parte do negócio em si ser ou não interessante, talvez o mais importante é o empreendedor
5:06
e ele precisa de ter um drive brutal, sem esse drive, sem essa convicção, sem essa
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vontade, não vais calar, porque isto é uma escadaria de dificuldades para se conseguir
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discutar um processo, um projeto com sucesso, que é preciso ter, ser uma pessoa altamente
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convicta e depois tem que ter obviamente as competências que sejam adequadas ou o tipo
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de negócio que se está a fazer.
5:36
No meu caso, eu também me privilegio a ver alguma empatia, porque se vou investir,
5:41
quer dizer, vou ter que estar a lidar com essa pessoa aos próximos anos, porque estas
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coisas são projetos seis anos ou mais e, por isso, quer dizer, convém que a minha
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vida não fique um inferno por estar a lidar com pessoas com quem não tenho qualquer empatia.
5:59
E, por isso, tudo isso é importante.
6:03
Muito bem.
6:04
Então, Luís, agora capta-te, conta lá, o que é que tu fazes na vida?
6:09
Na minha vida profissional, sou veterinário, tenho duas empresas, ambas têm sede na zona
6:17
de cruz, no Rio Batejo, em que tem lá uma colínica de pequenos animais, portanto, quem
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esgato mais ou menos essas espécies, mas onde eu gosto realmente de passar o meu tempo
6:27
é no campo, tenho depois outra vertente, que é parte das explorações agrícolas,
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que é que eu gosto realmente de passar o tempo e gosto muito, basicamente, da espécie
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divina e da parte da reprodução, que é onde eu gosto de fazer muito meu trabalho.
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Mas, claramente, aquilo que eu acho que me traz aqui não é tanta parte veterinária
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nem essa vertente, mas sim a parte esportiva.
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Eu joguei reggae na minha vida toda, joguei na Seleção Nacional, fui capitão da seleção,
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tive em 2007, em França, e aquilo que eu tenho feito nos últimos três anos, tenho
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estado envolvido no reggae muito a fundo, principalmente envolvido como treinador,
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como selecionador do Chube 20 de Portugal, e nos últimos tempos temos tido resultados
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de alguma relevância, o que tem a se dirigir, porque temos combatido, ou combatido, que
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é uma palavra forte, mas temos jogado com países que têm muito mais nome, que têm
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muito mais capacidades a nível de estrutura, capacidade financeira, e temos jogado com
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muitos desses países e temos tido resultados que têm para gemado o grande parque do reggae
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mundial.
7:32
E nesta é uma vertente em que, claramente, além dos valores que o reggae vende e que
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pratica na minha parte das vezes, acaba de ser uma faixa de atar onde é preciso já
7:44
ganhar, e realmente nós só conseguimos ter algum relevo, porque ganhamos, conseguimos
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ter grupos de jovens que, mesmo com menos capacidades de treino e menos possibilidades
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físicas, porque somos sempre mais pequenos que todos os adversários com quem competimos,
8:00
mais pequenos fisicamente, mas o tamanho não é tudo, felizmente, e acabamos de conseguir.
8:06
Mas este pessoal não está a crescer, porque lá em casa eles crescem imenso, continuamos
8:10
a ser ategnamente mais baixos para os alemães e os alemães.
8:12
Era aquilo que falávamos, nós crescemos, mas os outros parecem crescer mais que nós.
8:15
Como?
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Não há um limite para as peças, não?
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Não, acho que o certo está.
8:20
Temos aqui todos três metros daqui a uns anos.
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De aqui a uns anos é tudo.
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Normal, dois metros e meio.
8:24
Exato.
8:25
E a verdade é que conseguimos ganhar, e isso é que nos trouxe algum nome e alguns feitos
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de referência, mas não tenho dúvida que tenha a ver com a nossa habilidade, com a
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nossa capacidade técnica, mas tem muito a ver com aquela capacidade mental que conseguimos
8:44
incutir nestas últimas gerações, a capacidade de acreditar, a capacidade de superar acima
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tudo e a capacidade de viver situações extremas ou situações de grande pressão
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e conseguir contorná-las sem entrar em pânico.
8:58
E o que é engraçado, isso não, quando estávamos ali a falar, estava a receber mensagens e
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agora vi que está aqui um jogador que teve comigo no Uruguai o ano passado e um jogador
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como este que está aqui, como outros que foram este ano, acaba por ter histórias giras,
9:15
histórias que ficam para o futuro e que qualquer um de nós nunca mais vai esquecer.
9:20
Vamos contar um algo que tem que ter contigo no Uruguai, que eu agora fico curioso.
9:23
Agora vai se envergonhar.
9:25
Está ali.
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Como é que te chamas?
9:27
Duarte.
9:28
Duarte?
9:29
É pá, Duarte.
9:30
Fica aí combinado, tens que fazer alguma pergunta, pá.
9:32
Vou querer saber coisas sobre a tua vida.
9:34
Quer só para saber se o Luís está aqui a falar bem ou é só para lá pieques.
9:39
E tu vai achar o que ele tem mais.
9:41
Despegue-me uma coisa, eu acho que qualquer pessoa que ele esteja está a pensar nisso,
9:45
ok?
9:46
Como é que alguém que é treinador de rei, pai de família e depois ainda tem uma clínica
9:53
de animais domésticos, depois diz, mas um de eu gosto mesmo de estar nas minhas explorações
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com bovinas, portanto, através de todas as espécies animais.
10:06
Mais alinhante.
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Exatamente.
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E há duas coisas das quais eu tenho curiosidade.
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A primeira é, e obviamente, como é que tu consegue fazer isso de tudo.
10:20
E eu atreço essas espécies que ensinam alguma coisa umas às outras.
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Às vezes eu gosto de que os meus jogadores percebessem um bocado da rusticidade de alguns
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dos animais com quem eu lido e alguns dos seus instintos.
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Mas não, isso ainda não.
10:35
Mas claramente o facto de eu viver essa interessa vida no campo, ou como quer que seja, mais
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fora deste ambiente urbano, acaba para me clarificar muitas ideias.
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Eu passo muito tempo no carro, conduzido um lado para o outro, e é ali onde eu organizo
10:50
as minhas ideias.
10:51
Portanto, grande parte da minha vida é estabelecida ali ao volante do carro, ali sentado, que
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consigo organizar.
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Portanto, esta é a minha vida profissional.
10:59
Acaba por me dar a capacidade, não só para eu diversificar aquilo onde eu estou envolvido
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e acabar por não pensar demais em muita coisa.
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Mas acaba por me conseguir ganhar algum tempo para poder conseguir organizar-me.
11:11
E lá está aí.
11:12
E acho que o segredo para eu conseguir ir a tantos sítios é só organização.
11:18
E depois tem a ver muito com a disponibilidade, personalmente que a minha família tem para
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maturar nestas minhas loucuras, muitas vezes.
11:25
E também os meus sócios, muitas vezes também têm de maturar, têm de compensar.
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Mas passa tudo por organização.
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Portanto, o primeiro segredo de este processo também é arranjar-se uma grande mulher que
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depois esteja disponível para aturar estas pessoas.
11:38
Ah, sem dúvidas.
11:39
Sem dúvidas.
11:40
Pronto, e agora chegamos aqui à dupla menos conhecida do painel, da qual certamente vocês
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nunca ouviram falar.
11:46
Mas não fogem à necessidade de terem de se apresentar, porque é sempre possível que
11:52
seja aquele alguém que não vos conheça.
11:54
Contem-me coisas.
11:55
Queres começar do Miguel?
11:56
Pode ser.
11:57
Então, eu sou o Miguel Coimbra, sou produtor de música, artista, songwriter e membro
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dos Dama.
12:04
Eu sou Francisco, sou secretário do Miguel.
12:07
Eu sou Francisco.
12:08
Ponte final.
12:09
Ponte final.
12:10
Sou secretário do Miguel.
12:11
Sou todo cestado.
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Eu sou Francisco, sou com o Miguel, sou amigo do Miguel desde os 6 anos e desde o
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12, 14, 15 que escrevemos músicas e compodamos músicas juntos.
12:27
Depois tiramos os nossos cursos e com 24, 25...
12:34
Tudo o resto é tudo o resto.
12:35
Tudo o resto é tudo o resto.
12:36
Tudo o resto é tudo o resto.
12:37
Tu te gasto direito, não é?
12:38
Sim.
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Tu te gasto de questão?
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Gestão em geri-industrial.
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É, pá, incrível.
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Tu te curses super úteis na vossa vida, não é?
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Valeu a pena, não é?
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Toda a tua vida acaba por ser útil na vida que tu tens agora.
12:51
É verdade.
12:52
É verdade.
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Há uma coisa que eu vos perguntei quando nós nos encontramos aí dentro dos bastidores,
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que é como é que é possível aturar em um ao outro se se conhecem para ir desde
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os 6 anos e já viveram de tudo.
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É uma coisa que vocês devem estar muito fortes de novo.
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A partir de agora já não há nada.
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É sempre o bom.
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É aprender coisas não.
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Nós crescemos juntos desde sempre e partilhámos uma coisa muito especial que foi uma transição
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da adolescência para, não sei se é a idade adulta, mas é a idade que nos encontramos agora.
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Ou seja, nós todos os problemas, ansiedades, cidades onde nós vimos, ultrapassámos juntos.
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Houve muitos arrufes, nós discutimos muito, mas houve uma coisa sempre nos uniu a parte
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de isso tudo, que era este drive que vem dentro daquilo que nós queremos ir, o que nos define
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enquanto seres humanos.
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Vimos do mesmo sítio.
13:42
E ver as coisas de maneira clara que o que nos une é a mim, é o Miguel e a outra é o Miguel.
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E há muitas pessoas que trabalham conosco, é o nosso lado pessoal.
13:51
E a base deste tudo é o amor.
13:53
Isto é uma decolecção do amor que acabaste de fazer ao Miguel.
13:57
Claro.
13:58
Acho que é a forma de dizer que nos adoro.
14:03
Acho que o amor e a paixão como tu faz as coisas deve ser, sem dúvida, o drive de qualquer empreendedor.
14:08
É o que te permite teres a chama para levar as coisas mais longe.
14:13
É essa paixão que tu tens, porque se tiveses só a trabalhar e a fazer alguma coisa,
14:22
sem significar diretamente para ti, para aquilo que tu faz e para aquilo que tu faz,
14:28
o tu adorava muito, não é?
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Por isso a paixão como que faz as coisas, acho que é focal.
14:33
Pois isso bate certo com aquilo que o Pedro estava a dizer há pouco, não é?
14:37
E essa paixão precisar de estar lá.
14:42
É a força de vontade.
14:44
Mas isso foi uma coisa que vocês sempre me quiseram.
14:46
Ou seja, é daquelas coisas que o Dama surpreendeu, é evidentemente que se calhar o sucesso surpreendeu-vos,
14:51
mas desde o início que queriam chegar até aqui.
14:54
Não.
14:55
Então, como é que isso compatibiliza com o facto de...
14:57
Nós sempre encarámos isto como o nosso hobby.
15:00
Eu escrevia, o pai dos 12 anos, eu acordava, acordava-me da noite e eu escrevia poemas.
15:07
Eu deixava todos os meus 12 anos faziam isso.
15:09
Eu não tinha a consciência dessa coisa.
15:11
E a verdade é que nós fazíamos isto sempre.
15:14
Tínhamos 15 anos e como se escrevíamos poemas, depois íamos a internet ver bits
15:19
e ponhamos os poemas em cima de bits.
15:20
Depois o Miguel começou a ver tutoriais de como é que se fazem bits
15:24
e começou ele próprio a fazer os bits.
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E depois nós estávamos nessa coisa.
15:31
10 horas por dia a brincar isto, mas nunca pensámos...
15:34
Vamos encher estádios, queremos é fazer isto da nossa vida.
15:37
Nunca pensámos assim.
15:39
Aliás, eu acho que sempre a tu escreves bem e falas bem e tu mais para direto.
15:43
E eu, pois, realmente sim.
15:45
É verdade?
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Menos encarávamos assim?
15:48
Nós não temos vozes por ir além?
15:51
Nunca pensei em cantar.
15:52
Podias estar numa barra tribunal a dizer que não dá.
15:54
Não dá, não dá.
15:55
Não dá, não dá.
15:57
Não deu.
16:04
Mas o que é importante é isto.
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Tu também tens a experiência de saberes o que não queres para ti
16:11
para me estar mais próximo de aquilo que tu queres.
16:13
E foi isso que nós fizemos.
16:15
Nós tirámos os nossos cursos, tivemos experiências profissionais
16:19
e depois estamos te dizendo, bem, isto não é para nós.
16:22
Vamos brincar-nos seis meses à música.
16:25
Só à música.
16:26
E foi isso que fizemos.
16:27
Mas tu agora também tens um custogante, não é?
16:29
Isso é...
16:30
Mas tens um custogante dentro do gênero como o jogador de futebol,
16:34
que fica cheio da massa e dizia,
16:37
pega lá que eu agora tenho que aproveitar este dinheiro
16:39
e colocá-lo em algum lado.
16:40
Ou é por outro lado, não.
16:42
Queres diversificar, queres experimentar, queres fazer outras coisas?
16:45
Eu sempre...
16:47
Se for a forma mais sincera possível,
16:49
eu sempre gostei de cozinhar.
16:51
Tenho um grande amigo meu que queria abrir um negócio
16:55
e eu disse, bora.
16:57
É assim.
16:58
E é uma coisa que nos dá imenso gozo e tem imenso gozo.
17:02
Sempre, desde o pequeno, também estou habituado
17:04
a que os meus amigos vão para a minha casa
17:05
e recebemos em minha casa,
17:06
tal como Miguel sempre tivemos esta coisa.
17:09
E adoro estar lá no restaurante e receber as pessoas.
17:13
Só de uma forma mais simples,
17:14
só para...
17:15
O rapaz é o meu de...
17:16
O que...
17:18
Nós falamos muito sobre o que é que nos move interiormente a fazer isto.
17:21
Eu acho que em relação ao restaurante,
17:22
foi o facto de ele acreditar no amigo que estava sem...
17:26
Ele não sabia o que ia fazer da vida,
17:28
estava naquelas questões inteiras de...
17:29
Não sei o que era e por onde é que foi.
17:30
E ele investiu no amigo e, de facto, deu frutos trópicos do caix para quem não sabe.
17:34
Tão todos convidados a lá passar.
17:36
Por favor, venham.
17:37
Confidados, mas apagar.
17:38
Porque não, porque vem de um sítio bom.
17:39
Isto vem de um sítio bom.
17:40
Parece que é das coisas que eu arremem.
17:41
Eu estou a correr para já.
17:42
Certo.
17:43
Mas...
17:45
Uma última pergunta,
17:46
se calhar, que pode ser para todos
17:48
antes de passar ali a voz à pelateia.
17:50
Espero que estejam a pensar em perguntas,
17:52
que apém depois eu quando me disser.
17:54
E agora quem quer fazer a pergunta,
17:56
não ficar aqui o silêncio desagradável
17:58
de quem é que tem coragem de dar o primeiro passo, também.
18:01
Quem tiver coragem de dar o primeiro passo,
18:03
recebe um autógrafo dos Dama.
18:05
Pode ser?
18:06
Então, pronto.
18:07
Está combinado.
18:08
Então, é um bom estímulo.
18:09
Nós sabemos falar se ficaram do Cristo.
18:11
É.
18:12
Foi-se dos três.
18:13
Mas a minha questão aqui é,
18:14
quando estava-vos a falar desse amigo que não sabia bem o que ia fazer na vida,
18:18
eu senti-me profundamente identificado.
18:20
Porque eu tenho 45 anos ainda,
18:23
e eu sei o que é ser quando for grande.
18:25
E eu acho...
18:27
A minha volta tendo a achar que isso é uma realidade transversal.
18:30
E eu aí voltava outra vez ao pé.
18:32
É verdade isso que eu estou a dizer.
18:34
Ou sou só eu,
18:36
porque eu tenho pessoas...
18:38
Já estou nos 45, já fui mais novo, não é?
18:40
Mas eu tenho amigos meus,
18:42
seja 40, seja 30 e tal.
18:44
E as pessoas estão do modo geral,
18:46
às vezes eu não sei se é isto, não?
18:49
O que é que será?
18:50
Isso não é incompatível com aquele gráfico
18:52
e às vezes que precisas também ter,
18:54
nós todos falamos daqui de
18:56
para alguém investir neste projeto,
18:58
preciso sentir que tem uma paixão imensa,
19:00
como é que se tem essa paixão imensa ao mesmo tempo,
19:02
tanta gente acha bem que não quer se...
19:04
Não sabem o que é que é fazer quando for grande.
19:06
Eu identifico-me também com isso.
19:08
Também não sabe o que é que é fazer quando for grande.
19:10
Não, eu agora sei o que é que é fazer.
19:12
Agora sei, tenho uma convicção e uma vontade enorme
19:15
de levar este projecto de venture capital de investimento para a frente.
19:20
E é isso que quero fazer, não tenho em mínima dúvida.
19:23
Mas eu tive, durante 18 anos ou 20 anos,
19:27
a trabalhar em banca de investimento,
19:29
que não tem nada a ver com isto.
19:31
E trabalhei em Londres, trabalhei em Madrid,
19:34
e depois ainda trabalhei em Portugal
19:36
e saí de banca de investimento,
19:38
aqui há 3, 4 anos, e passei exatamente por isso.
19:41
E agora?
19:44
Vou ficar cá em Portugal, vou para fora outra vez,
19:48
vou trabalhar para uma grande empresa,
19:50
ou para um negócio novo.
19:53
Vou montar um negócio.
19:56
Eu passei por isso e foi aí, durante algum tempo.
19:59
Sente que isso tanto pode ser transversal
20:01
a pessoas que realmente podem não ter nenhum sucesso especial na vida,
20:06
como pessoas que até estão a ter sucesso naquilo que estão a fazer.
20:09
Claro.
20:10
Ou seja, essa inquietação é comum tanto a uns quanto a outros.
20:13
E muitas vezes isto vê-se muito em negócios
20:16
e por isso há um bocadinho estava a dizer
20:18
que a qualidade do empreendedor,
20:20
a qualidade de ser um bom empreendedor,
20:23
é 80%.
20:26
O projeto em si são os outros 20.
20:28
Porque eu já vi empreendedores excelentes avançarem com o negócio,
20:33
por isso simplesmente não pegou, não funcionou.
20:36
E tiveram a capacidade de reinventar,
20:39
de modificar ou esse negócio para funcionar,
20:43
ou avançar para o outro.
20:45
E por isso estes investimentos em startups, se forem feitos muito cedo,
20:51
têm muita mortalidade.
20:53
É uma coisa que em Portugal, a mortalidade é,
20:56
as empresas não terem sucesso.
20:58
E é uma coisa que em Portugal se lida muito mal.
21:02
Que é que o falhanço faz parte da vida.
21:06
E para um empreendedor, o falhanço está sempre a virar da esquina.
21:11
E por isso eu tenho que estar sempre a reinventarem-se.
21:15
Mas não há esta cultura de falhanço.
21:19
As pessoas têm vergonha,
21:21
se eu tiver o projeto microamálido,
21:24
melhor não dizer nada.
21:26
Nos Estados Unidos há muito mais esta cultura de falhanço.
21:31
Eu já falhei aqui, por isso eu aprendi.
21:33
E este erro já não vou fazer outra vez.
21:35
Aprendi da maneira difícil e por isso aprendi mesmo bem.
21:39
Tenhas coisas mais, há coisas boas.
21:42
Sempre?
21:43
Sim, sim.
21:44
Há já capacidade para se tirar essas inlações.
21:47
E por isso se for uma boa pessoa,
21:50
vai conseguir fazer isso e termos de sucesso a fazer isso.
21:53
Luiz, já sabes o que é cheio quando tu fos grande?
21:56
Tem dias, tem dias.
21:58
Claramente há dias em que gosto mais de estar ligado a parte do rei de cafeternária,
22:03
e depois outros dias é exatamente o contrário.
22:05
Mas a verdade, eu acho que sou apaixonado em tudo aquilo que faço.
22:08
E por isso é que acabo lá,
22:10
comentávamos todos a falar,
22:12
a paixão que nos leva a fazer as coisas
22:15
e que às vezes nos leva a conseguir fazer bem.
22:17
Às vezes nem por isso, mas lá está, também aprendemos.
22:20
Eu acho que isso para mim é um motivador gigante.
22:22
Enquanto eu adorar aquilo que faço,
22:24
vou continuar a conseguir fazê-lo,
22:26
pois às vezes temos as nossas obrigações
22:28
e às vezes não estamos tão motivados, mas temos de fazer
22:30
e temos de buscar energia para conseguir...
22:33
Mas a paixão é uma coisa atramada, não é?
22:36
Porque é aquela coisa que nós temos a sessão,
22:39
que é, ou existe ou não existe, como é que eu ganho paixão
22:42
se não estiver?
22:43
Ganha-se?
22:44
Eu acho que se consegue.
22:45
É mesmo atramada?
22:46
É uma injustiça divina?
22:47
Eu acho que não se ganha.
22:48
A paixão surge na prova.
22:50
Mas pode surgir.
22:51
Pode surgir da paixão?
22:55
Não, a gente, com miudas e com miudas,
22:57
a gente sabe que pode surgir quando nós não estamos à espera.
23:00
Mas essa paixão, por fazer alguma coisa,
23:02
por um determinado tipo de negócio, por uma profissão...
23:05
Eu acho que isso parte muito também do nível a que dispõe.
23:09
Se você consegue apaixonar por alguma coisa,
23:11
se estivesse assim para ela, ou seja,
23:14
com o braço aberto,
23:16
para aquilo correr bem ao correr mal,
23:18
e se corre bem, de facto,
23:20
desto tanto a paixão neste.
23:22
E ganhas isso, drive essa paixão,
23:24
que te permite lidar com as adversidades
23:26
com uma força muito maior,
23:28
mas sabendo que as adversidades vão acontecer sempre.
23:31
E é só outro caminho que tu vai seguir.
23:35
Tens tempos difíceis sempre.
23:37
Essa é a questão, quando de facto...
23:39
Isto é subjetivo, porque mesmo no nosso percurso,
23:42
estávamos a perguntar há bocado nós,
23:44
e vai da cor daquilo que estamos a falar,
23:46
que nós nunca quisemos fazer isto.
23:49
Nós fomos fazendo, e ir fazendo
23:51
é que vais descobrindo, e vais absorvendo,
23:54
e vais mudando com isso.
23:58
O que é que quer ser no futuro?
24:01
Não sério, às vezes é perigoso uma pessoa
24:03
a te pôr um sonho, e definir aquele sonho,
24:05
e ficar focado naquilo, não é?
24:07
Porque, dessa forma, também,
24:09
não termines a ver o que é que está à tua volta,
24:11
ir absorvendo outras coisas,
24:12
e passar oportunidades ao lado,
24:13
e coisas que vais deixando passar.
24:15
Muito bem.
24:16
Está na hora, então?
24:17
Meus caras, os senhores.
24:19
Jaldi, está uma voz levantada?
24:21
Uma voz não, desculpe-me uma voz.
24:23
A voz precisa de um levantado também.
24:25
Mas, um braço levantado.
24:27
Isso é tudo para ter um autógrafo dos damas?
24:30
Muito bem.
24:32
Há um microfone, ok?
24:34
Pronto, aqui eu vou fazer de qualquer forma,
24:36
eu imagino que é o que venha daí,
24:37
mas é só para escolher que seja.
24:38
Às vezes, há certas plateias
24:40
em que as pessoas ficam com o microfone na mão,
24:42
e depois, durante três ou quatro minutos,
24:44
refletem, e no final, não fazem nenhuma pergunta.
24:46
É uma coisa muito portuguesa, mesmo.
24:48
É como não saber,
24:50
tratar de falhar-se.
24:51
Pronto, eu vou só pedir isso, ok?
24:53
Que as vossas intervenções sejam perguntas.
24:56
Ok? Pronto.
24:58
Não me tramou, porque não era bem pergunta.
25:00
Oh, meu Deus!
25:02
Isso não dá direto ao autógrafo, agora arranjo uma pergunta.
25:04
Vou tentar ser francesca.
25:06
Seja empreendedora e arranjo uma pergunta no final.
25:08
Tentar ser francesca.
25:10
Direcionando ali para o Francisco,
25:12
para mim foi uma surpresa completa, a formação.
25:14
Também é minha.
25:16
E acredito que, pensando em um filho meu,
25:19
no dilema que é
25:22
enverdarmos por coisas
25:24
que não são bem o nosso sonho,
25:26
para, se calhar, partilhar um pouco,
25:28
explorar, pensar que isso às vezes não é por acaso.
25:31
Vou-me aqui afinar tudo e o tempo
25:33
que nós gastamos com isso na nossa vida.
25:35
Mas, se calhar, não é o cantor que é hoje,
25:37
não faz as letras que faz hoje,
25:39
se não tivesse passado por esse percurso.
25:41
E eu acho que isso é interessante.
25:43
Para mim foi uma surpresa e foi mesmo pelo autógrafo também.
25:45
Claro.
25:46
Peço desculpa, não ter sido uma pergunta concreta.
25:48
Ok, não, muito bem.
25:50
É uma pergunta.
25:52
Claro que...
25:54
Sem dúvida que tudo aquilo que nós vivemos
25:57
e tudo aquilo que nós retiramos
26:00
das coisas faz nós aquilo que nós somos hoje.
26:03
Por isso, eu não olho como o meu tempo de dificuldade,
26:06
como o tempo perdido,
26:08
nem como o meu tempo no Escritório de Advogados,
26:10
como o tempo perdido, faz só parte.
26:12
Porque, provavelmente, se eu não tivesse uma história de advogados,
26:14
eu não chegava lá todas as manhãs
26:16
e não mandava meldos para todas as editoras
26:18
e para todo o lado de dizer,
26:20
nós somos os, mas por isso,
26:22
todas as experiências,
26:24
se nós a sabermos viver, são importantes.
26:27
Agora, o que é importante é
26:29
nós também temos...
26:31
percebemos o que é que mexe conosco
26:33
e o que nós queremos fazer.
26:34
Não desdeixarmos,
26:35
nós deixámos levar pelas nossas inseguranças,
26:37
porque às vezes o que acontece é que
26:39
nós estamos demasiado tempo na nossa cabeça,
26:41
demasiado tempo...
26:42
E aí, eu estava bem, era ali.
26:43
Mas depois,
26:44
se estamos demasiado tempo na nossa cabeça,
26:46
não estamos aqui.
26:48
E aqui,
26:50
aqui e agora,
26:51
é a única coisa que nós podemos controlar,
26:53
de facto, para fazer alguma coisa por nós.
26:55
E muitas vezes,
26:57
nós estamos...
26:58
nós estamos no terceiro sentido, por isso,
27:00
aprender sim,
27:02
aprender sim,
27:03
viver sim,
27:04
mas acima de tudo,
27:05
retirar cada vez mais
27:07
as coisas para nós,
27:08
para cada vez...
27:09
nós sermos cada vez mais nossos
27:10
e fazermos aquilo
27:12
aquilo que é nossa vontade.
27:14
Muito bem.
27:16
Mais perguntas?
27:24
Desculpe lá,
27:25
que eu estou aqui com os holofotes na cara
27:27
e não os vejo bem.
27:28
Vejo mais...
27:29
Ali, à esquerda, dá um braço no ar.
27:32
Aí também há isso.
27:36
Sim ou não?
27:37
Sim?
27:40
Ali, há alguém que quer falar...
27:41
Ok, aqui à esquerda do pal.
27:44
Está ali um senhor.
27:46
É o melhor post...
27:47
post de pô de pé, desculpa lá.
27:48
É mais fácil ver se estivesse de pé.
27:50
Isso.
27:53
O microfone está, que é nenhum.
27:55
Ok.
27:57
Olá, boa tarde.
27:58
Se pudesse pô de pé,
27:59
já agora diz o teu nome.
28:00
Você sabe?
28:01
Ok.
28:02
Obrigado.
28:03
Pronto.
28:04
Sou Jofé El.
28:05
Jofé El.
28:06
Ora bem,
28:07
eu queria se perceber uma coisa,
28:09
que é pela minha experiência,
28:11
experiência muito pequena.
28:15
Eu percebo que é muito importante
28:17
o foco muito grande que eu vejo,
28:19
que eu acho que é o Pedro,
28:21
ou não sei se é o nome,
28:22
que está a ter agora.
28:23
Mas também sinto que,
28:25
ao diversificar os nossos intresos,
28:27
que também, que é o Paulo,
28:29
achou, Rui, o...
28:30
O Luiz.
28:31
O Luiz.
28:32
O Luiz, o Luiz.
28:34
Luiz, Luiz, desculpa.
28:35
Rafael, vou te contar um segredo.
28:37
Tu, quando entrasse, deram-te um livrinho
28:38
e está lá o nome todo do pessoal.
28:41
E eu também sinto que,
28:43
ao diversificar os intresos,
28:44
também fica mais produtivo.
28:45
E então,
28:46
o que eu cada vez tenho
28:48
experienciado mais é,
28:50
à medida que vou diversificando,
28:51
sou mais produtivo,
28:52
mas preciso de certos momentos,
28:54
em que estou focado apenas no assunto,
28:56
para ser realmente excepcional nisso.
28:59
Ou seja,
29:00
onde é que nós arranjamos esse equilíbrio
29:02
de gestão de tempo e tarefas,
29:04
com ser muito bom.
29:06
E pronto, é isto.
29:07
Excelente pergunta, de facto.
29:09
E a travada pergunta,
29:10
é uma pergunta travada.
29:12
É, sim.
29:13
A maneira como eu vejo as coisas,
29:17
quando você é um líder do negócio qualquer,
29:20
o negócio não é só uma coisa.
29:22
Pode depender do algoritmo
29:26
ou de um software que foi construído
29:28
para resolver um problema.
29:29
Isso quer dizer,
29:30
a pessoa que vai levar esse negócio para frente
29:32
não pode ser só o que escreve o código.
29:35
Pode ser ele,
29:36
mas vai ter que ter uma série de outras competências.
29:40
E essas competências vão passar
29:42
por contactar muita gente,
29:45
muitos parceiros,
29:46
aquilo que foi preciso para o negócio.
29:48
E, por isso,
29:49
eu vejo esse foco,
29:52
em ter o foco total,
29:54
mas não aquilo que foi preciso fazer.
29:57
E não só em escrever código
30:00
ou em uma outra coisa qualquer.
30:03
Vocês, os damas,
30:05
não é só cantar ou compor música.
30:08
Tem que mandar os emails para as editoras.
30:10
Tem que ir aos concertos.
30:12
Tem que construir.
30:14
É como se fosse uma empresa.
30:17
Tem muito por caminhar.
30:19
E, por isso,
30:20
esse foco não tem que ser restritivo
30:23
no sentido de ser só uma coisa.
30:25
É foco em conseguir levar o projeto para frente,
30:28
com toda a dificuldade que isso implica.
30:32
O que eu penso com o Rafael também estava a dizer,
30:34
é que, mas também há um momento
30:36
em que também temos que perceber
30:38
que já chega a demandar maelhos no sentido de,
30:40
para demandar maelhos,
30:42
porque o teu trabalho é mais importante ali, compor.
30:44
Arreja alguém para mandar os maelhos por ti.
30:46
Certo?
30:47
Certo.
30:48
E isso também não é fácil.
30:49
Não é fácil,
30:50
e isso faz parte do processo de crescimento.
30:51
Aliás, a falta de produtividade portuguesa,
30:53
muitas vezes tem a ver com isso.
30:54
Não é trabalhar soco,
30:55
mas é trabalhar-se mal
30:57
e de forma pouco organizada.
30:58
Mas isso aí, à medida,
31:00
e isso é um processo de crescimento,
31:02
de que, à medida que as empresas vão crescendo,
31:04
vai sendo muito fácil identificar
31:08
a parte que uma determinada pessoa,
31:10
ou se eu da empresa,
31:12
deve deixar de fazer.
31:13
Normalmente é a parte que ele não gosta
31:15
e a parte que é pior.
31:16
E essa é a primeira contratação.
31:19
Ela é muito boa.
31:21
Muitas coisas, mano,
31:22
não é igual em todas.
31:24
E não gosta de todas da mesma maneira.
31:26
É importante onde gastas a tua energia.
31:29
E muitas vezes as pessoas não sabem.
31:32
É um processo de aprendizagem.
31:34
Mas estás a dizer uma coisa muito simpática,
31:36
que é, largar aquilo que tu não gostas de fazer
31:39
e põe nas mãos de alguém,
31:41
a partir de certo momento.
31:42
Haja, negócio para sustentar isso.
31:45
E daí o foco no sucesso ser tão importante.
31:50
É que as coisas a coerem bem,
31:51
a vida depois é muito melhor.
31:53
Pode-se deixar de fazer as coisas que não se gosta.
31:56
Haja.
31:57
E isto é em prol de as coisas que terem mais bem feitas.
32:00
Porque uma pessoa não gosta de fazer uma coisa,
32:03
pode se esforçar muito e até fazer um trabalho razoável.
32:06
Mas não vai ser excelente.
32:08
Nessa parte.
32:10
Sim, sim.
32:11
Eu digo desta parte.
32:12
Rafael, Rafael, não é?
32:14
Que...
32:15
Estás a ver, Rafael?
32:17
O bicho sobre o teu nome.
32:18
Estava no livro, Rafael.
32:20
Estava no livro.
32:21
Eu acho que isto difere,
32:23
entra muito pela diversidade das pessoas também
32:25
e pelas características de cada um.
32:27
Eu acho que há pessoas que precisam ter um foco muito mais.
32:30
Só conseguem concentrar-se numa coisa.
32:32
Há outras pessoas que conseguem ser multifacetadas.
32:35
Portanto, acho que a questão não pode ser posta...
32:38
Pode ser posta, como cada um quiser, como é lógico.
32:40
Mas acho que, pelo menos na minha experiência,
32:43
e naquilo que eu tenho vivido,
32:45
a nível pessoal ia conviver com muitos, muitos jovens.
32:48
E mesmo durante o período em que eu ainda era jogador
32:50
e que tinha colegas de equipa que me diziam
32:52
que iam ter ali algumas dificuldades de ir ao treino
32:54
durante um certo período, porque tinham de estudar,
32:56
tinham exames.
32:57
E sempre fez muita confusão.
32:59
E, portanto, daí é que eu entro na minha diversific...
33:01
Na minha diversific...
33:02
Ai!
33:03
Na minha diversidade.
33:04
E na necessidade, para mim,
33:07
que eu tenho de conseguir...
33:09
Conseguir estar em...
33:11
Conseguir trabalhar em vários campos,
33:13
em vários campos, ou campos diferentes,
33:15
se calhar quase na mesma altura.
33:17
E é uma característica que eu privilegio...
33:20
Ai!
33:21
Que está mal falhado?
33:22
Que eu privilegio muito nos meus jogadores,
33:24
nos atletas, nos miúdios que eu acabo por ter nas minhas mãos
33:28
e acabo a ter a sorte de poder conduzir.
33:31
E muitos destes miúdios que eu tenho a capacidade de conduzir
33:34
e essa sorte.
33:35
E que a maior parte daqueles que nunca me falham
33:38
são sempre os melhores alunos.
33:39
Aqueles que não falham de treino,
33:41
que quando existe uma exigência maior,
33:44
quando existe uma possibilidade de me jogar um turnê,
33:46
um jogo que está fora das previsões
33:49
e ter uma reestruturação,
33:51
uma reorganização da vida individual,
33:53
são aqueles dos primeiros a levantar a mão
33:55
e dizem que eu consigo.
33:56
E isso, acho que, para mim, tem um valor enorme.
33:58
Um valor humano,
33:59
tem um valor enorme a nível de crescimento
34:01
e tem um valor enorme a nível de futuro.
34:04
Porque lá está tomando...
34:06
Não tomando a mim como exemplo para tudo,
34:08
mas usando aquilo que foi a minha experiência de vida,
34:11
eu sempre consegui fazer isso,
34:13
lá está pelo mesmo modo que falei da organização,
34:16
que eu conseguia fazer a minha parte esportiva,
34:18
conseguia ter as minhas relações sociais,
34:21
às vezes eram essas que eram sacrificadas
34:23
em prol de tudo o resto,
34:25
e acabava por conseguir ter a minha relação profissional.
34:29
E, portanto, e nunca é isso,
34:31
é claro que, às vezes, as coisas atropelam-se umas às outras,
34:34
é claro que, às vezes, é preciso ter mais tempo
34:36
para dedicar a um dos aspectos
34:38
e acaba para ter de ficar subjogado por outro.
34:42
Mas, para mim, isso não é um defeito,
34:46
é a capacidade de ter essa organização
34:48
e conseguir usar,
34:50
conseguir trabalhar e jogar ao mesmo tempo,
34:54
no aspecto que me toca,
34:55
ou conseguir tirar o curso como eles conseguiram,
34:57
que eu não fazia ideia,
34:58
era um desconhecimento que eu tinha,
35:00
e consegui nem fazer a carreira que estão a fazer
35:02
e o sucesso que tem.
35:03
Portanto, eu acho que, para mim,
35:04
vocês a partir de hoje não têm um valor muito maior
35:06
do que aquilo que já tinham.
35:07
O curso é parte fácil.
35:10
Portanto, para mim, isso é um desafio,
35:13
e, para mim, acho que faz-nos melhores,
35:16
não vejo isso como um problema.
35:19
Muito bem.
35:21
Eu tinha prometido que ia perguntar coisas ao Duarte.
35:24
Duarte.
35:26
Você é homem para falar, não é?
35:28
Conta-nos lá se isto como está a dizer,
35:29
é verdade ou está no shopping a enganar.
35:32
Não me desprecisas contar que notas é que tiveste?
35:37
É melhor não contar-te, realmente.
35:39
Ah, bolas!
35:41
Não, não, não.
35:45
O Secalar fazia uma pergunta,
35:46
porque às vezes há momentos em que uma pessoa
35:49
realmente não sente paixão por nada em particular,
35:52
ou seja, dá um bocado de perdida,
35:54
e queria perguntar se calhar aos quatro,
35:56
se podem dar alguma dica,
35:58
alguma coisa que se possa fazer.
36:00
Quando há sim uma paixão específica por nada,
36:02
isso está meio perdido.
36:05
Claro.
36:07
Eu fico.
36:10
Não, não.
36:12
O que o Duarte verbalizou,
36:15
o Duarte, não vale a pena perguntar-me a mim,
36:17
porque eu já pidei essa pergunta,
36:19
eu não faço sua ideia,
36:21
essa é uma das minhas angústias existenciais.
36:24
E o que ele perguntou foi,
36:26
e quando, na nossa vida,
36:28
que se passa também com a minha filha mais velha,
36:30
tem 14 anos e ainda está a crescer,
36:32
nós já está com o mesmo tipo de decisões que eu tive,
36:34
ainda por cima, que é que ele é genético e pega-se,
36:36
e eu tive a vida toda aqui.
36:38
Ok, e quando não há uma paixão definida,
36:40
o que é que...
36:42
quando nós não temos mesmo a certeza
36:44
há alguma dica para dar a quem
36:46
continua com idades,
36:48
antes não sei mesmo, pá.
36:50
É tramado.
36:52
É tramado.
36:55
Tudo o que nós podemos dizer em relação a isso
36:57
é a nossa experiência e aquilo que acontece com nós.
36:59
Eu acho, pelo menos em relação a mim,
37:02
e Francisco,
37:04
nós vivemos isso de forma parecida,
37:07
acho que estas grandes decisões
37:09
e aquilo que tu gostas mesmo
37:11
vem do silêncio, sabe?
37:13
Quando tu concordas, porque tantas muitas coisas
37:15
há acontecer, os seus pais aderem a isto e aquilo,
37:17
os seus amigos, um que já está a fazer isto,
37:19
ou seja, muita pressão social
37:21
sempre há...
37:23
Tentas sempre comparar em relação aos outros
37:25
e em relação à sociedade que está a acontecer.
37:27
Há muita...
37:29
Há muita coisa sempre na cabeça a bicar.
37:31
E a cabeça está sempre a falar com ti, sempre,
37:33
uma vez como...
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Às vezes estás mais calma, outras vezes mais estressada,
37:37
às vezes preciso tanto de férias,
37:39
depois mais de férias e voltas mais estressada,
37:41
ainda do que vier, portanto.
37:43
Uma pessoa nunca sabe bem como calar a cabeça,
37:45
mas eu acho que
37:47
para encontrar algo que gostas mesmo
37:49
e que vale a pena, que é teu,
37:51
vem do silêncio, vem de...
37:53
Não sou eu a dizer-me isto a mim próprio,
37:55
mas...
37:57
Fecha-te isto, fecha-te isto.
38:01
É bom.
38:03
É sempre assim,
38:05
ou seja, eu sinto-me ali,
38:07
a mim acontece muito na minha cozinha,
38:09
amanhã corto sozinho para o silêncio,
38:11
ou seja, não dou em casa os meus pais,
38:13
não tenho ali barulho nem nada,
38:15
e põe o meu chazinho e estou a dizer,
38:17
ok, vou ficar aqui ao vivo, e de repente
38:19
aparece-me se uma ideia está a ver.
38:21
E quando a ideia aparece, depois já é a fazer acontecer.
38:23
Faz o que faz, tens o que tens, tens a força que tens,
38:25
e, portanto, está focadas pequenas coisas, pequenos objetivos,
38:27
e não andando em frente.
38:29
E às vezes há aquela situação em que nós
38:31
queremos uma coisa, nós sabemos que...
38:33
sabemos que queremos mesmo aquela coisa,
38:35
é como se tivéssemos de uma piscina,
38:37
nós sabemos que a piscina está quente,
38:39
que eu vou estar bem na piscina,
38:41
mas só que
38:43
tem aquela resistência a entrar na piscina.
38:45
Sim, não precisa estigar a roupa, pôs calções e tal.
38:47
É porque...
38:49
É só outro caminho que vais seguir.
38:51
Eu acho que nós não tenhamos a consciência
38:53
daquilo que estávamos a fazer.
38:55
Então, eu não tinha nenhuma consciência,
38:57
eu estava no Instituto do Advogado,
38:59
depois ainda tirei um curso da apresentadora de televisão,
39:01
e, ou seja, nós mandamos
39:03
só de cabeça, porque o que pode acontecer é o quê?
39:05
As pessoas, às vezes, tendem a ver
39:07
as grandes decisões da vida delas
39:09
como, ah, precipício do caráter,
39:11
mas não, isso é só uma imagino
39:13
desde o começo, porque pode ser de grau,
39:15
tipo, para chegar a um sítio mais próximo
39:17
daquilo que tu queres.
39:19
Então, a pessoa está agarrada
39:21
a um posto de exercício,
39:23
não posso ir daqui, isto aqui está bem confortável,
39:25
mas há um tempo está do caráter,
39:27
depois largas o posto e começa só a voar
39:29
para algum sítio.
39:31
E lá está, e não há resistência.
39:33
É questão dessa, mas sempre do silêncio,
39:35
sempre tentar calar a cabeça
39:37
e perceber o que é que se chama por nós mesmos.
39:39
Qualquer é a nossa vocação,
39:41
o que é que nós estamos aqui a fazer, na verdade, não é?
39:43
Não vem de fora para dentro, vem dentro para fora.
39:45
E é muito importante tomar riscos.
39:47
É muito importante dizer,
39:49
esta dificuldade de tomar uma decisão
39:51
normalmente é a versão a risco,
39:53
é porque tem medo do precipício.
39:55
O maior risco é ficar sem saber o que se quer,
39:57
mas para riscos é
39:59
muito importante.
40:01
Riscos sérios,
40:03
aqueles que nos custam de tomar.
40:05
Aqueles que nos levam a algum lado?
40:07
Que são esses que depois vão
40:09
iluminar o caminho.
40:11
Há muitas pessoas que vivem a vida toda,
40:13
que não ficam a pensar naquilo,
40:15
mas que nunca chegam a tomar essa decisão.
40:17
Ou seja, o que nós também
40:19
estamos aqui a tentar partilhar
40:21
e dizer é que não tem mal de tomar esse risco,
40:23
não tem mal de falhar,
40:25
não tem mal de reconhecer que não sabemos
40:27
e na verdade não sabemos.
40:29
E o que estava a perguntar à bocada
40:31
e nós sentimos todo o mesmo coliso.
40:33
Nós também não sabemos onde é que vamos
40:35
e o que é que queremos ser quando formos grandes nós.
40:37
Sabemos o que somos agora
40:39
e vamos ver qual é a coisa.
40:41
Não é interessante o que é interessante.
40:43
Como a velocidade de tudo acontece,
40:47
também não vale muito a pena estar a fazer
40:49
planos a prazos muito longos.
40:51
Vamos pensar nos próximos 3 anos.
40:53
Não vale a pena, isto vai mudar tudo.
40:55
Mas aqui neste caso o Eduardo,
40:57
o próprio Eduardo,
40:59
para mim deu-me uma resposta um bocada
41:01
à pergunta que ele fez.
41:03
O Eduardo quando começou o processo
41:05
para... o Eduardo não foi campeão de Europa
41:07
na geração dele porque estava maguado
41:09
e depois entrou num processo que estávamos
41:11
para quem ia ao campeonato do mundo
41:13
e ele claramente estava atrás de todos os outros
41:15
e não é mentira nenhuma.
41:17
Ele veio de um processo que teve uma lesão chata,
41:19
teve muito tempo para recuperar
41:21
e tu aí mistrasse paixão ao Eduardo.
41:23
O Eduardo entrou num processo
41:25
que é um processo sempre difícil para um jovem da idade dele
41:27
em que o campeonato do mundo era
41:29
no fim de agosto, no início de setembro
41:31
que nós passamos o verão a treinar
41:33
e portanto ir dizer, e ele mistrou paixão
41:35
Eduardo, se não tiveses paixão, não tinhas ido lá.
41:37
Porque a verdade é que o Eduardo
41:39
veio atrás do prejuízo,
41:41
sacrificou o verão dele
41:43
e como estava a dizer, o verão para
41:45
um jovem da tua idade a dedicar
41:47
de tanta coisa que é melhor não falarmos aqui neste momento.
41:51
Tu mistraste uma vontade enorme
41:53
e ganhaste o prémio grande, que acabaste
41:55
para ir ao campeonato do mundo e jogaste.
41:57
Portanto, tu mistraste,
41:59
partiste com as expectativas
42:01
em baixo, não tenho dúvida
42:03
e foi-te buscar o rebusado maior.
42:05
Portanto, tu sabes o que é que também é preciso
42:07
de cada um tendo a olhar para dentro
42:09
e saber como é que tem de buscar essa paixão.
42:11
Vamos para os patiados.
42:21
Mas permitam-se olhar para dentro,
42:23
desculpa, só para concluir
42:25
permitam-se olhar para dentro.
42:27
Uma das grandes coisas que
42:29
dos sítios mais difíceis que nós tivemos
42:31
e fazes mais difíceis que os Dama passaram
42:33
foi muito também porque nós não nos permitíamos
42:35
honestamente abrirmos uns aos outros
42:37
e partilhar e ser honestos com os pensamentos
42:39
e acima de tudo parecermos honestos com os outros
42:41
sem ser honestos conosco próprio.
42:43
Isso é a maior dificuldade da pessoa saber
42:45
reconhecer a essência própria.
42:47
Muito bem.
42:49
Acho que há algumas mais perguntas.
42:51
Há aqui uma em baixo, duas,
42:53
três, quatro, cinco,
42:55
é pá.
42:57
Olha, mandem vossas até porque
42:59
mais uma vez estou com os focos nos olhos
43:01
e não vejo nada.
43:03
Desculpem, sim.
43:05
Há uma situação
43:07
que eu creio que não acontece só comigo
43:09
que acho que... Como é que chama? Desculpa.
43:11
Jorge. Jorge.
43:13
Já deve ter acontecido com bastantes das pessoas
43:15
que estão aqui na sala.
43:17
Que é...
43:19
Tive uma ideia no outro dia
43:21
e é uma ideia espetacular
43:23
e como é que nunca ninguém se lembra
43:25
de que já existe um mapa para isso?
43:27
Já não existe, desculpa.
43:29
Já existe uma aplicação para isso.
43:31
Isso, se calhar, vai aqui
43:33
um bocadinho entre
43:35
a genialidade, a persistência
43:37
e a dedicação.
43:39
Ou seja, eu suponho que
43:41
suportive ali para o João.
43:43
Que se ouça
43:45
o mesmo género
43:47
de ideia
43:49
vezes de seguida
43:53
e que já às vezes
43:55
talvez até possivelmente
43:57
a hipótese de escolher
43:59
entre esta ideia com este grupo
44:01
ou com esta pessoa
44:03
ou com outro grupo ou outra pessoa
44:05
o que quer que seja.
44:07
E aqui gostava de pôr um bocadinho
44:09
a questão assumindo
44:11
que já há sempre
44:13
aquela vontade mesmo de fazer
44:15
a convicção, a paixão.
44:19
O quão relevante
44:21
o quão relevante é que
44:23
seria a genialidade
44:25
da ideia
44:27
versus
44:29
a capacidade
44:31
de trabalho
44:33
ou a capacidade de
44:35
por já ter conseguido
44:37
ou errado outros
44:39
projetos
44:41
experiência versus genialidade
44:43
qual seria aqui o
44:45
bom equilíbrio?
44:47
Há alguma receita?
44:49
Há alguma guideline?
44:51
Obrigado, Jorge.
44:53
Eu sou o Pedro
44:55
no livro.
44:59
Isso é uma coisa que acontece muito
45:01
e se de facto tiveste uma ideia genial
45:03
e que já está feita
45:05
e já está no mercado
45:07
ou encontras um outro
45:09
ângulo
45:11
que vai implementar isto de uma maneira diferente
45:13
ou então não vale a pena
45:15
ou então é uma pessoa muito melhor
45:17
para levar esse projeto
45:19
para a frente do que já existe
45:21
ideias
45:23
que é dizer, isto acontece muito
45:25
mas
45:27
também nada em pé de ir concorrer
45:29
com outra ideia.
45:31
Eu penso que em estar neste tipo
45:33
a fazer este tipo de trabalho
45:35
as ideias
45:37
até acabam por ser às vezes um bocadinho
45:39
desvalorizadas porque há mais ideias
45:41
geniales do que as pessoas pensam, não é?
45:43
A primeira coisa que eu penso quando vejo
45:45
uma ideia genial que não existe
45:47
a minha primeira preocupação é
45:49
por que que não existe?
45:51
Será que não existe porque
45:53
não funciona e não há mercado
45:55
para isso?
45:57
E às vezes ter
45:59
uma ideia que não é genial
46:01
mas que é um bom negócio, que tem um approach
46:03
diferente, que tem uma equipa
46:05
para executar melhor
46:07
e que pode ter sucesso
46:09
chega, não é preciso ter
46:11
a ideia genial
46:13
e se a ideia genial já vai
46:15
haver uma exatamente igual
46:17
é melhor ter calma
46:19
e pensar qual é que vai ser
46:21
o fator
46:23
que pode ser sucesso.
46:25
Muito bem, havia aqui várias pessoas
46:27
Patrícia?
46:29
Eu proponho o seguinte, se calhar
46:31
há duas ou três perguntas
46:33
aí em cima, desculpa
46:37
Ok, aqui embaixo
46:39
então façam também que vocês assistam
46:41
com o mesmo empenho
46:43
isto está a correr muito bem
46:45
e claramente já há mais perguntas
46:47
que vamos ser capazes de responder
46:49
Então uma pergunta de Patrícia
46:51
O Miguel demonstrando
46:53
grande empreendedorismo
46:55
vai fazer uma sustão
46:57
Então a sustão é não usar o microfone
46:59
e o pessoal projetar em voz para nós
47:01
porque eu não sei como é que tu gostas
47:03
de ouvir, não estou mostrando nada do que
47:05
O que está a conseguir, ok
47:07
Então querem experimentar, mas isso tem que ser um silêncio
47:09
absoluto. Ok, podemos experimentar a ideia de Miguel
47:11
alguém então falar que sem microfone
47:13
tenho dúvidas que aqui se ouça mas
47:15
Ok
47:19
Está sovindo também, Patrícia
47:21
só para dizer
48:15
Ok, muito bem, obrigado
48:17
Bota de uma pergunta também
48:19
Querem começar por
48:21
até
48:25
Eu acho que analisando
48:27
a pergunta de duas perspectivas
48:29
que é
48:31
primeiro, o que é que nos fez
48:33
não pensarmos logo
48:35
ou nem sequer pomos
48:37
a nossa ideia de
48:39
nós escrevemos
48:41
escrevemos
48:43
nós escrevemos
48:45
escrevemos as nossas músicas, bora lá tentar fazer isto
48:47
é porque efetivamente
48:49
o sistema de ensino leva-nos
48:51
todos a pensar um bocadinho como somos
48:53
quase todos iguais
48:55
ou pelo menos há cinco tipos de pessoas
48:57
que são as pessoas que vão para cornemias
48:59
pessoas vão para direitas, pessoas vão para artes
49:01
ou seja, é muito pouco individualizado
49:03
Sendo que nós
49:05
somos
49:07
somos um mesmo bicho
49:09
mas cada um é cada um
49:11
e por isso acho que
49:13
isso limita um bocadinho
49:15
as pessoas a descobrirem
49:17
a descobrirem-se
49:19
numa idade em que podem já tomar
49:21
uma decisão daquilo que querem fazer na sua vida
49:23
ou pelo menos mais aproximada
49:25
daquilo que realmente querem fazer
49:27
O que
49:29
Qualquer pergunta
49:31
Não, mas também, ouve lá
49:33
mas não respondas mais, para nós também
49:35
que o...
49:37
Para responder direto também a tua pergunta
49:39
das influências, isso tem tudo a ver com
49:41
exemplo
49:45
O meu exemplo, o meu pai
49:47
por exemplo, o amor dos meus pais
49:49
eu levantar-se todos os dias para fazer aquilo
49:51
eu querer agradá-lo, ou seja, o
49:53
filho absorver do pai
49:55
e outros role models que ele tem
49:57
e tenta tornar-se mais ou menos
49:59
não é a mesma coisa, porque há sempre
50:01
nós somos todos diferentes, lógico como o Francisco estava a dizer
50:03
mas é sempre pelo exemplo que se lida
50:05
é sempre pelo exemplo que se passa alguma coisa
50:07
ou seja, quando se tiver um
50:09
filho, espero que tenha muitos
50:11
eu não vou querer estar
50:13
a implantar-lhe uma ideia deste cedo
50:15
que tudo é empreendor, tu vai xerir isto
50:17
é mais
50:19
eu sei que ele vai querer olhar-me como exemplo
50:21
e como isso, vou estar sempre
50:23
a pensar nesta perspectiva
50:25
portanto, o melhor exemplo que podes dar
50:27
ao teu filho é esse
50:29
é ser-se tu, é eles
50:31
para o que acreditas
50:33
não teres estes medos todos nós falamos
50:35
e ele vai absorver disso e vai ser
50:37
e vai ser isso certamente
50:39
eu partilho muito com o Miguel Dis
50:41
e é uma das coisas que eu
50:43
passo, não só na minha vida
50:45
mas também que passo aos meus jogadores
50:47
e tá aqui um que pode tentar
50:49
dizer que eu não estou a mentir
50:51
que eu passo muito esta mensagem
50:53
e eu passo a mensagem porque acredito mesmo
50:55
e nesta questão da atitude
50:57
e na questão do empreendorismo
50:59
a cada um seguir o seu caminho
51:01
e fazer aquilo que acredita
51:03
e fazer com os exemplos
51:05
tem muito a ver com aquilo que nos é transmitido
51:07
tem a ver com os princípios e valores
51:09
aquilo que cada um aprende
51:11
não só em casa, mas que vai aprendendo no seu meio ambiente
51:13
e uma das coisas que eu passo
51:15
aos meus jogadores
51:17
e seguindo o princípio dos filhos
51:19
porque é isso que eu acabo por lhes dizer
51:21
é aquilo que nós temos de ser todos melhores
51:23
pronto, pode parecer um bocado filosófico
51:25
mas acredito nisto e não tenho dúvida
51:27
que quando entramos em campo
51:29
vivemos muito disto
51:31
e o melhor que o jogador que está ao lado
51:33
nós vamos ser excepcionais
51:35
e ninguém nos vai bater
51:37
e eu no meu dia a dia
51:39
eu tento ser cada vez melhor
51:41
principalmente pelos meus filhos
51:43
para ser um exemplo para os meus filhos
51:45
tento, eu...
51:47
outra coisa que eu faço também na minha vida
51:49
eu coordeno as escolas de regrida agronomia
51:51
das escolinhas
51:53
então eu coordeno ali cerca de 250 miúdios
51:55
dos 6 ou 13 anos
51:57
e aqui há por dar treinos
51:59
que é onde está um dos meus filhos
52:01
para poder ter mais algum tempo com ele
52:03
e é engraçado
52:05
conviver com este tipo de faixa etária
52:07
conviver com este tipo de
52:09
pessoas tão pequeninas
52:11
a energia que é preciso despender
52:13
para poderes conseguir transmitir alguns valores
52:15
e conseguir transmitir algumas ideias
52:17
e conseguires transmitir atitude
52:19
e eu não tenho dúvida isso, se calhar
52:21
enche muito mais o coração do que treinar
52:23
a seleção nacional
52:25
em que essa tem de ganhar e esta tem de passar valor
52:27
e esta tem de passar vitórias
52:29
as vitórias são os miúdios terem ali
52:31
conseguirem ter ali um grupo
52:33
conseguirem fazer ali uma ação social entre eles
52:35
terem amigos
52:37
conseguirem ajudar os adversários
52:39
uma coisa verdadeiramente genuína
52:41
e eu um dos meus focos grandes
52:43
é conseguir passar esses valores
52:45
conseguir transmitir essa atitude
52:47
em que não tenho dúvida que se eles conseguirem
52:49
fazer deles um bocadinho pessoas
52:51
um bocadinho melhores
52:53
quando chegarem a uma idade de decisões
52:55
nas idades do que é que eu quero ser quanto for grande
52:57
eu não tenho dúvida que eles acreditam que eles vão conseguir
52:59
ter mais força e vão conseguir
53:01
seguir o seu caminho de uma forma
53:03
muito mais
53:05
vincada, de uma forma muito mais
53:07
muito bem
53:09
a vida não para e este
53:11
o tempo também não, estamos a cinco minutos
53:13
do final e por isso eu agora pedi a que
53:15
fizessem a última pergunta
53:17
para este fantástico painel e que depois
53:19
também pudessem responder já em tom de conclusão
53:21
e ajudizar uma coisa
53:23
não, não, era só muito rapidamente
53:25
eu sou pai de três filhos
53:27
não faço ideia como é que se ensina empreender o ritmo
53:29
a única coisa que tente fazer
53:31
é ajudá-los
53:33
a tomar riscos
53:35
para empreender
53:37
começa por tomar um risco
53:39
é sair da zona de conforto
53:41
e faço isso desde
53:43
obrigá-los a experimentar uma comida nova
53:45
que não vai ser por aí que vão morrer
53:47
de resto não sei
53:49
para ver
53:51
não
53:53
aí era um risco
53:55
muito risco
53:57
agora passamos aqui para a parte de baixo
53:59
não se importa, Matilde, estás aí com a base de nós
54:01
força
54:03
podes de pé
54:05
e tens que falar muito alto
54:07
é isso
54:17
claro
54:19
isso é porque
54:21
qual é a tua paixão, tu nunca sabes bem
54:23
não é uma coisa que faz vachintina, é um feeling
54:25
e vai mudando
54:27
quantos anos tens, Matilde?
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12, quando tu ia dar a minha paixão era fazer vela
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olha, eu achava que ia ser velejador e queria tudo isso
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mas
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tudo o que não era a minha paixão era música
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até porque nós somos quatro irmãos
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eu sou canto pior
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e o que dança é pior
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e eu sou perto
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portanto, não vem daí
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vem de
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é isso
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não faz ideia de onde é que vem
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desde que vaso alimentando
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as diversas paixões que tens
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acho que descobriu um momento que todas
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vou acontecer muitas coisas na vida
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eles tinham dito que era a última pergunta
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continuo a ver
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mas ele começou um bocado mal computado
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deixo mais uma pergunta
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tá ali uma vez outro desesperado
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agora tem que ser um senhor
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pode ser, tu já estás com esse braço levantado há 500 anos
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é a mesma última pergunta
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desculpem lá
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acho que tens que falar mais alto
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eu não sei se está lá em cima, vocês não tiveram ouvir que digam
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não estão?
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então, fala de lado
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mais alto
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eu vou me abrir o braço
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eu vou me abrir o braço
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mas tem que ser um outro apartamento
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que é de vantagem
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que é de vantagem
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para a alma dos outros
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que é de vantagem
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que é de vantagem
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que é de vantagem
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o que é mesmo um insta
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e que dá o alunor de alunor
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e de alunor de alunor
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ok
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Ouviram aí em cima? Não ouviram? Ok, basicamente eu acho que a pergunta era, ok, e quando não há só uma paixão e uma paixão evidente, mas quando há mais do que uma paixão, como parece ser o caso do Luís, vale a pena estar a compatibilizar isso, ou na alguma altura da sua vida, alguma espécie de arrependimento de, eu realmente vim ter-me ter só centrado nisto, em vez de me deixar diversificar por tantas coisas? Acho que é mais ou menos isso, fiz-te justiça à tua pergunta?
56:55
Olha, eu gosto muito da tua pergunta mesmo, porque alguns, e ainda hoje, têm essa dúvida sobre a minha vida, e é uma das poucas dúvidas que eu tenho da minha vida sobre decisões que eu fui tomando.
57:07
Quando eu era mais novo, já há muitos anos, tive a minha carreira de esportista, de jogador de rugby, o rugby em Portugal é pequeno, como pode ser certamente sabrão, mas nós foi uma altura em que o rugby português teve em alguma alta, quando conseguimos ir ao Campeonato do Mundo em 2007, e tive algumas propostas para ir jogar da fora.
57:31
Há pocada estávamos a falar sobre este tema, e a verdade é que eu prezei imenso essas propostas, fiquei muito contente porque me valorizaram imenso, e eu, quando estava sempre nessa questão de negociar, ir, não ir, valores, o agente vir cá, vieram os ingleses, jantámos umas conversas sérias, e a verdade é que, e agora, dúvida minha, eu, se calhar, é que nunca tive a coragem para tomar essa decisão que tu estás a dizer, se calhar nunca tive a coragem para experimentar uma vida, se calhar do jogador de rugby, por exemplo.
58:02
Porque tive essa oportunidade, e sempre que essa oportunidade, me foi colocada, eu pus sempre na mesa, nesta questão das negociações, não ao nível do futebol, mas tive pus sempre na mesa das negociações a possibilidade do sítio que me queria contratar para jogar, de me arranjar uma estrutura fraternária onde eu pudesse estar envolvido.
58:22
E, geralmente, esse foi sempre o obstáculo que não me levou, o clube onde eu iria contratar-me, porque estão se aborrifar, eles não querem saber se eu quero fraternar ou não, querem saber de um jogador, queriam saber de um jogador de rugby.
58:36
E essa é ainda uma coisa que me deixa, a saber se eu não devia ter tomado essa opção na minha vida, nem que fosse por um período curto, para viver essa experiência.
58:44
Não tenho dúvida que o facto de não ter feito, como tu tavas também a dizer, acabou por me moldar como eu sou hoje, e não tenho dúvida que atingiria alguma riqueza que não atingiria se tivesse seguido o percurso de rugby.
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Mas se tivesse seguido esse percurso, se calhar hoje era muito mais conhecedor do jogo, podia transmitir muito mais conhecimentos do que aqueles que eu consigo transmitir.
59:05
Mas se eu tenho dúvidas sobre essas opções, tenho e tenho de ter sempre a dúvida, porque estaria de ter experimentado.
59:14
Se estou arrependido, não estou claramente, porque aquilo que eu tenho conseguido na minha vida, que é profissional, que é desportiva, tenho preenchido bastante.
59:22
E principalmente tenho preenchido, porque tenho tido a possibilidade de conviver, como o caso dos jogadores, como o caso do Duarte, deixam recordações para a vida, o Duarte e muitos outros, coisas boas, coisas mais.
59:37
E portanto, gostei mesmo da tua pergunta, porque é uma dúvida que eu continuo a ter, mas não estou arrependido da decisão que tem.
59:45
Ok, muito bem.
59:46
Ouça, eu agradeço imenso isso.
59:53
Muito obrigado.
59:55
Diga-me a fã de para-mãe, que acho que como é evidente, eu também quero agradecer em meu nome o convite, acho que foi uma conversa muito agradável.
1:00:01
Muito obrigado a todos.
1:00:02
Muito obrigado.
1:00:03
Não vos dei a última palavra no sentido em que eu achei que era perforível.
1:00:05
Muito obrigado.
1:00:06
Abrir mais perguntas.
1:00:07
Muito obrigado a todos.
1:00:08
Foi um público fantástico, está bem?
1:00:09
Muito obrigado.
1:00:16
E vamos mesmo ter que terminar, não porque tenham acabado as perguntas ou as partilhas fantásticas, mas porque ainda há muito mais que o 3 milhões de nós hoje têm para nos oferecer.
1:00:25
Vamos ter um coffee break.
1:00:26
Eu peço que regressem esta sala, daqui às de 6 e 20, porque às de 6 e 30 recomeçamos os trabalhos.
1:00:32
Mais uma vez, muito obrigada ao João, ao Caixa, ao Miguel, ao Luís e ao Pedro, uma grande salva de palmas para todos vás também.