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Bem, muito boa tarde a todos. Eu sou um professor universitário e os professores universitários
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têm uma deformação profissional que transformam em aulas tudo o que fazem. Então se assiste
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começar a aparecer, o que seria um horror, começar a aparecer um bocadinho mala, vocês
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levantem o braço e eu, o mudo de registro, vou me embora, não é?
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Bem, para muitos de vocês e a experiência universitária ou é já agora o local, o sítio
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onde estão, ou para os mais novos, provavelmente será o sítio para onde querem ir. E mesmo
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para os que não farão essa experiência na nossa sociedade, a universidade, esta onde
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estamos, tem um tal papel na sociedade que convém por a pergunta, mas o que é isto?
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O que é este sítio? O que é este sítio? Para que é que este serve? Então o que eu
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venho propor em 10, 15 minutos, nem tanto, se calhar nem uso o meu tempo todo, é que
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paremos um bocadinho a pensar, mas para que é que este serve? O que é que estamos aqui
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a fazer, os que estamos ligados à vida universitária? O que eu vou dizer pode ser um bocadinho,
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pode parecer um bocadinho académico e idealizado. Mas é só por uma questão de tempo, porque
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se nós não percebermos o que é pelo menos idealmente esta instituição, como é que
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depois podemos tomar as decisões práticas? Propinas? Sim ou não? Investigação ou ensino?
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Curso A ou Curso B? Universidades em todas as cidades, ou são e algumas, todas estas
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decisões práticas, que influenciam o imenso, o discurso político, o discurso público,
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as nossas decisões que temos de tomar, têm como permissa que se saiba do que é que estamos
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a falar. Mas surpreendentemente, e como foi dito na minha apresentação, depois de muitos
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anos nesta instituição, surpreendentemente, dei-me conta de que muitos alunos não sabiam
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onde estavam. E ao não saber onde estavam, isto colocava dois tipos de problemas, uns
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práticos, não sabiam na prática o que fazer e isto vê-se logo na primeira época de exames.
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Outros, mais de fundo, atravessavam os anos universitários sem nunca propriamente terem
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feito a experiência do sítio onde estavam. E portanto convido-vos em 10 minutos a pensarmos,
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que citei este. As universidades nasceram na Idade Média, com uma definição muito
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simples, eram e são comunidades de professores e alunos que se juntam para estudar. E talvez
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esteja simplificado demais, mas tem a vantagem de ir ao ponto essencial nos dois aspectos
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que é preciso comentar. São comunidades, são pessoas que vivem juntas e a experiência
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universitária é uma experiência profundamente comunitária e, se não for, é deficiente.
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E são pessoas que se juntam para estudar. Então, alguns de vocês estão a notar, a
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primeira coisa, e esta é por vezes comentada, de que eu não estou a falar, as universidades,
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não se propõem, pelo menos de uma maneira explícita, como locais de preparação para
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uma outra coisa. E o que é que eu sei muito claro, é claro que se pode vir à universidade
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e acabar por aprender uma profissão. E há muitos cursos, muitas faculdades, que fornecem,
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no fim do seu procurso, uma capacitação para fazer uma certa profissão.
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Mas adquirir isso é uma consequência acrescida de uma coisa maior que tem que acontecer.
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E a coisa maior que tem que acontecer é a experiência universitária. Ou seja, uma
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pessoa pode vir à universidade, faz uma experiência universitária e depois tem o bônus de sair
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com uma profissão, sem para ganhar. Então, qual é o coração da experiência universitária?
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O que é que se pretende fazer aqui? O coração da experiência universitária é o estudo daquilo
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que gostamos. As pessoas juntam-se, determinam certas formas de vida comunitária com o propósito
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de estudarem o que gostam, o que gostam. E este ponto é absolutamente essencial. O
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que é prévio a toda a experiência universitária é que o aluno, naqueles anos que está ali,
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embarcou numa experiência intelectual individual dele, mas feita com outros, uma experiência
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individual de descoberta de coisas que ele gosta. E por isso é que nós nos arrumamos,
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em faculdades diferentes, as letras, as ciências, as economias, as gestões, as medicinas, a
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gente. Nesses sítios estão arrumadas as pessoas que gostam daquelas coisas. Eu tenho amigos que
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gostam de estudar comportamento assintótico de certas classes de equações diferenciais.
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Há outros que gostam imenso de estudar as subtilezas do uso do auristo no grego clássico,
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há outros que estudam o comportamento social de certos tipos de lagartixas. Há outros que estudam
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como fazer empresas. Há outros que estudam como fazer edificios. Há outros que estudam.
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Mas é esta incrível diversidade de gostos, incrível diversidade de interesses que faz
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o coração da experiência universitária explorada por cada um. Então aqui é preciso fazer um
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descanso para dizer um dos primeiros obstáculos que eu vi em muitos alunos. Porque a disposição
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física, os edifícios, as salas da aula, as carteiras, porque a disposição física da
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universidade é muito parecida com a disposição física do ensino secundário. Também são edifícios
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com carteiras. Há muitos alunos que quando entram na universidade pensam que estão mais ou menos
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em algum sítio, só que agora em ponte grande. Não há erro mais fatal. O programa do ensino
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secundário é de certo sentido o contrário do programa universitário. Alguém, espera-se com
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critério, decidiu um conjunto de temas e matérias que as pessoas têm que saber. Isto que está definido
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e tenta-se que ao longo dos anos as pessoas aprendam aquele conjunto de assuntos. E podemos
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ver se são os melhores ou não. Mas na universidade não é bem assim. Quando o aluno entra, o centro
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de gravidade de todo o processo são os seus gostos, os seus interesses, aquilo que quer explorar.
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E portanto o convite à vida universitária vive, antes de mais nada, da singularidade de cada aluno
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O que seria uma boa recessão aos alunos que entram à universidade? É perguntar-lhes o que é que te faz
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diferente de todos os outros? O que é que tu consegue fazer que os outros não façam tão bem? O que é que
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tu gostas mais? Qual é que é o conjunto de coisas que tu gostas? Que é um conjunto absolutamente
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único? O que é que tu trazes esta instituição que seja só teu? Qualquer forma de sociabilização
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ou de recessão de novos alunos à universidade que suponha um culto ou da uniformidade, ou da organização
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ou da obediência é completamente ao lado do que esta experiência tenta fazer. Isto é o primeiro
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aspecto importantíssimo e isto foi sempre assim. Como é que nós podemos dizer que isto foi sempre assim?
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É muito simples, basta olharmos para o que era a formação nas universidades medievais, que é a
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donde vem esta nossa instituição, onde vem esta casa, onde aqui estamos, vem no século 11, 12, 13,
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dependendo dos países, e o que os alunos aprendiam quando entravam nesta instituição, aquilo que
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começavam a fazer era um leque larguíssimo de assuntos, onde eles iriam explorar os seus diferentes
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interesses. A primeira coisa que se aprendia, a primeira coisa que se aprendia eram três disciplinas
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chamadas do Trívio, que tinham a ver com o uso da cabeça, a lógica, o bom uso da língua, a gramática
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e a capacidade de comunicar, a retórica, que não tivesse estas três coisas, dificilmente poderia
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experimentar a experiência universitária. Então aqui entramos no segundo aspecto que eu queria falar,
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o aspecto comunitário. Uma universidade é um sítio onde a experiência de pessoas que pensam
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diferentemente de nós, que têm ideias completamente diferentes, que levam a vida de outra maneira,
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a todos os níveis é essencial, como é uma boa maneira, um bom critério para detectar uma má universidade.
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É um sítio onde as pessoas são todas muito precisas. A universidade é tão melhor quanto mais
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existir. A discussão, a troca de contacto com outros, a capacidade de exprimir o que é o seu ponto de vista
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e ouvir outros pontos de vista diferentes, faz parte da experiência universitária e sempre fez.
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Nas universidades medievais havia dois momentos educativos, a lição, a léxio, que era uma coisa
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parecida com isto aqui a acontecer, uma pessoa a dizer coisas, mas depois havia disputá-se-o, havia
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um momento, era obrigatório que os alunos aprendessem a fazer isto com um fronto de ideias.
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Por isso isto não é acidental na universidade. Isto é absolutamente essencial na experiência
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universitária. Então o que a sociedade faz com os universitários? Agora falando com os alunos,
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não tanto com os professores, embora os professores são participantes como os alunos de todo
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este processo. Faz um pacto. O que a sociedade faz? Faz um pacto em que diz aos alunos, vamos criar
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uma situação totalmente artificial. Vamos tirar-vos de cima todas as obrigações habituais da vida.
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Retirá-molas todas. Vocês neste momento não têm obrigações nenhuma na vida, a não ser entrar
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nesta aventura intelectual para que se disposeram a fazer. E durante três anos, ou cinco anos,
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ou sete anos, a sociedade fica à espera. E fica à espera que as pessoas se entreguem com
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intensidade à incomparável experiência de se explorar a si próprios intelectualmente nos
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assuntos de que se gosta. E o que a história mostrou? O que a história mostrou foi que as sociedades
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que faziam isto adquiriam uma vantagem incrível. Não tinha propriamente a ver com a capacitação
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direta para fazer umas coisas, ou para fazer uma tarefa, ou para fazer uma certa profissão,
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embora isso também seja importante. Tinha a ver com o facto de percentagens substanciais da população
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terem feito uma experiência intelectual absolutamente única. E isto transformou a história da Europa.
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E não só transformou a história da Europa como todo o mundo, todo o mundo, ao longo dos séculos,
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progressivamente, em todas as culturas, foram abandonando paulatinamente os sistemas de ensino
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superior que tinham, porque todas as grandes culturas os tenham, para copiar este modelo que tinha espantosamente
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surgido por volta do século 11 ou 12 na Europa Ocidental. E é isto que temos hoje. Em todo o mundo
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hoje, este modelo é tão eficaz como experiência individual e como experiência de sociedade que
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todas as culturas o replicam. É para isso que vocês estão convidados, os que estão na Universidade.
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E seria uma lástima sem nome, se uma pessoa passasse pela Universidade e não fizesse esta experiência.
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E por isso a Universidade, o tempo universitário, é de facto o tempo, porque a situação é totalmente artificial,
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de fazer aquelas coisas que depois a vida, quando a vida se abater sobre nós, todos, depois, quando estivermos
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que trabalhar, não o permite. É o tempo de ver grandes filmes, é o tempo de fazer grandes amizades,
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é o tempo de ler grandes livros, é o tempo de estudar intensamente uma matéria, é o tempo de experimentar,
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perceber um tópico que nunca mais se vai ter tempo para perceber. É isto o momento.
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E é isto que se passa. E é isto que se chama a experiência universitária. E é isto que todos os universitários
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são convidados a fazer. E se não fizerem perder uma ocasião de ouro, além de que defraudaram uma sociedade
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que tinha colocado um conjunto de investimentos e de possibilidades na esperança de que isso acontecesse.
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E é só visto que se espera dos alunos universitários.
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A última coisa que eu queria dizer para terminar, que é um ponto importante neste contexto em que estamos,
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é uma coincidência que a Universidade tenha surgido na Europa Cristã.
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É uma coincidência que a Universidade, esta enorme instituição e por todo o mundo,
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e esta ideia que acabei de explicar, seja um derivado da Igreja Católica e do Cristianismo,
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não é uma coincidência. Por quê? Porque, do ponto de vista cultural,
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precisamente o que o Cristianismo faz é introduzir uma atração pela vida, uma atração pelos outros,
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uma atração e uma afeição pelas novas possibilidades da vida que geram um interesse
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que permite que esta experiência tenha sentido e permite aquilo que o Cristianismo diz sobre as tarefas intelectuais
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uma vida dedicada ao estudo não precisa de mais justificação.
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Muito obrigado.
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Obrigado.