3 Milhões de Nós
0:00 Bom dia a todos, foi feita aqui uma rápida introdução, mas antes de eu me introduzir
0:14 gostaria que pensassem um bocadinho sobre os dois objetos que trago hoje e que dão
0:17 nome à nossa conversa, que ainda não conseguem ver, que são exatamente um fósforo e uma vela.
0:26 Elas têm características idênticas, sendo uma delas que podem possuir uma chama, mas
0:32 comportam-se de formas diferentes na forma como obtuem esta mesma chama, o quanto essa
0:37 chama pode perdurar e como é que perdura.
0:40 Passando então à minha introdução, como podem ver, me parece que é normal, um percurso,
0:47 como muitos de vocês tiveram, como muitos de vocês estão a ter, fui uma criança super
0:51 feliz, com a família, com o apoio à minha vó, uma adepta hábil do esporte, pratiquei
0:57 mais de 10 esportes diferentes, tendo-me então focado no reivis, fiz a minha profissão
1:04 em alguns locais que talvez vocês frequentem ou pelo menos conhecem e no ensino superior
1:09 nas faculdades já referidas, mas não é sobre isso que vos venho falar hoje, é exatamente
1:14 sobre o que levou a minha vida a tornar-se então um póspero.
1:18 Há pouco mais de um ano, infelizmente, pelas consequências mais adversas da falta da saúde
1:22 mental, o meu pai decidiu tirar a própria vida e nesse momento a minha vida tornou-se
1:27 então um póspero, e um póspero, falando então sobre a sua chama, para se estender
1:32 por causa de fricção, e foi esta fricção que eu senti, mas também foi a chama consequente
1:40 dela que eu percebi que tinha um enorme potencial, e o que é que eu fiz?
1:46 Com esta mesma chama, acendi uma pequena vela na minha vida, e para acender tive naturalmente
1:52 de pedir ajuda, podia ajudar as pessoas que ficavam à minha volta, os meus amigos, a
1:57 minha família, mas podia ajudar também uma psicóloga, que comecei a frequentar semanalmente
2:02 e que frequento ainda hoje, e desaciei-me a perceber um pouco melhor sobre o que era
2:07 a saúde mental, foi essa a pergunta também que deixei nas redes sociais do evento e sobre
2:12 a qual venho falar hoje.
2:13 E o que é a saúde mental, quando pensamos sobre ela, muitas das vezes pretendemos pensar
2:17 imediatamente nas suas preservações, neste caso na falta dela, as pressões, ansiedades,
2:23 distúrbios alimentares também, por exemplo, mas a saúde mental é muito mais do que isto,
2:28 tal como a saúde física vai para além da ausência de doenças.
2:31 A saúde mental é um estado de bem-estar, é um estado em que nos permite termos a plena
2:38 capacidade de concretizar o nosso potencial, nos permite ser positivos, integrados na
2:42 nossa comunidade e nos permite ter ótimas relações intrapessoais e intrapessoais.
2:48 Portanto, cuidarmos bem com os que estão à nossa volta, mas começando por dentro.
2:52 Portanto, na minha junção, por todo esse processo de educação que me propus fazer,
2:58 nesse processo de me tornar uma vela, nesta chama mais serena, mais tranquila, mais duradoura,
3:05 desenvolvi, obviamente, ou aprendi, algumas ferramentas, e são estas ferramentas que
3:09 eu partilho convosco hoje.
3:11 As primeiras ferramentas foram em relação a mim, à minha pessoa, e começaram com a
3:18 intraspeção.
3:19 Algumas das ideias que eu vou partilhar, felizmente já as ouvi anteriormente, é bom sinal, confirmam
3:24 que, se calhar, a forma como eu penso e abordo a minha vida, o meu dia-a-dia, são totalmente
3:29 corretas, não as mais corretas, talvez, mas corretas.
3:32 A intraspeção, na minha visão, é exatamente a ideia de saber quem eu sou, quem eu tenho
3:39 sido, quem eu quero ser.
3:40 E fazer esta pergunta recorrentemente, e à medida que novos desafios vão surgindo, novos
3:46 problemas, novos objetivos, fazer constantemente esta pergunta me permite evoluir e chegar à
3:52 conclusão que eu não me conhecia de todo, não conhecia o meu potencial, e não conhecia,
3:57 de forma profunda, quem eu queria ser no futuro.
4:01 Não conhecia também, algo que comecei a praticar muito mais, a minha humanidade.
4:07 E a minha humanidade passava exatamente por perceber que, enquanto ser humano e ser social,
4:13 sozinho dificilmente conseguiria fazer alguma coisa.
4:16 E isso levou-me a lidar muito bem, com uma palavra também já usada hoje, que foi com
4:22 a minha vulnerabilidade.
4:24 Obviamente, sentimos vulnerável, a cor da perna do meu pai, e muitas outras situações,
4:28 assim como todos nós nos sentimos.
4:30 Mas a vulnerabilidade tem uma característica curiosa.
4:33 É que existe apenas quando não é reconhecida.
4:36 O que é que eu quero dizer com isto?
4:38 É que se nós sabermos exatamente do que é que somos capazes e do que é que não somos,
4:41 quando algo acontece que prova a nossa incapacidade, especialmente aos olhos dos outros, se nós
4:48 já reconhecemos exatamente a incapacidade, não vamos sentir esse sentimento se os outros
4:52 nos julgam que não somos capazes de algo que nós nos tínhamos proposto ou que nós
4:56 achávamos que conseguíamos fazer.
4:58 O segundo ponto vem em relação ao meu mindset.
5:00 Como é que eu abordava a minha vida no dia-a-dia?
5:02 Quais eram as ideias que eu queria ter presentes a cada desafio que surgia, a cada objetivo
5:06 que me concretizava?
5:08 O primeiro, e este é um bocadinho mais difícil de fazer do que parece, ou do que simplesmente
5:14 diz ele, é que o que eu não controlo não me afeta.
5:18 É fácil, não é, dizer o que eu não controlo não me afeta, e eu próprio, muitas vezes
5:22 sou afetado, não tenho a capacidade de o fazer, mas não sinto qualquer problema com
5:26 isso, mas o que eu não controlo não me afeta faz com que as situações inevitáveis da
5:30 minha vida, sendo esta uma delas, uma situação sobre a qual eu não tive nenhum controle,
5:36 deixe que estas mesmas situações me controlem.
5:40 A partir deste momento, passei então a olhar por uma nova ideia, a de que estar melhor
5:46 não é estar bem, mas é bom.
5:48 E o que é que eu quero dizer com isto?
5:50 Quando eu estava no meu período de luto, que é a palavra usada nestes processos de
5:58 perda de falta de dor intensa que nós passamos, rapidamente queria sair dela.
6:04 Mas precisava de passar por este período para conseguir realmente resolvê-lo.
6:08 E então, tendo como objetivo estar bem, comecei nesta caminhada, lenta, progressiva, para
6:15 este mesmo estado de bem-estar, mas sempre sabendo que cada vez que olhava para mim,
6:21 chegando à conclusão que ainda não estava bem, sempre tendo em conta o ponto de partida
6:25 e onde é que eu estava agora.
6:27 Portanto, sempre estando numa posição muito má, chamamos de uma posição negativa, no
6:31 menos um, e querendo chegar ao um, eu estava neste momento no zero.
6:35 E era uma evolução e era algo que devia ser celebrado.
6:40 Por último, e algo que trago também na minha cabeça, antes de passar às minhas atitudes,
6:45 uma bonita frase de Fernando Coutoa, que se resume muito simplesmente a
6:49 Põe-me quanto és, no mínimo que fazes.
6:51 E isto fez com que, independentemente de tudo, do que acontecesse, o que quer que eu me propudesse
6:58 fazer, como por exemplo estar aqui hoje com vocês, eu tinha que dar o máximo.
7:03 No mais simples das ações, eu tinha que ter tudo o que estou naquela ação.
7:08 Por quê?
7:09 Porque independentemente do resultado, eu ia saber exatamente a capacidade que tinha
7:13 para fazer esta mesma ação.
7:15 Tudo o que fosse para além da minha concretização, tudo o que fosse para além do que eu conseguisse
7:19 fazer e que ainda fosse necessário para eu chegar ao meu objetivo, teria que ser com ajuda.
7:23 Ajuda esta, quanto mais eu pensava sobre estas ideias, mais facilidade se me impedia.
7:30 Como é que eu concretizo a isto?
7:31 Através das minhas atitudes, exatamente.
7:33 Comecei por uma ambição incremental.
7:36 Estavam sendo objetivos concretos e concretizáveis, sabendo onde é que eu queria ir, mas o que
7:41 era necessário para eu atingir este patamar preferido.
7:46 Isto fez-me concluir, e eu acho que um bom exemplo é que todos nós conhecemos aquela
7:49 ideia, por exemplo, de fazer exercício todos os dias, a partir do momento em que...
7:54 Ou fazem dano para o ano, vão fazer exercício todos os dias.
7:57 Não vai acontecer, perto do momento, desculpa.
7:59 Mas talvez se se propuserem a fazer exercício uma vez por semana na primeira semana, duas
8:03 vezes por semana na segunda semana, depois três, durante três semanas, por aí sucessivamente,
8:07 provavelmente no final do ano vão finalmente chegar ao vosso objetivo.
8:11 E mesmo que não cheguem, uma coisa vos garanto, a pessoa que ao vosso lado se propôs a treinar
8:16 todos os dias, na primeira semana treinou uma vez e não treina mais, e no final deste ano
8:20 vocês terão feito centenas de treinos a mais.
8:26 Mas a pergunta é, como ter uma vela?
8:29 Como ter uma vela foi exatamente a terceira, pela qual eu passei, pela qual tenho passado
8:36 e pela qual continuo a passar e espero passar durante muito mais tempo, porque faço exatamente
8:41 por este sentido de desenvolvimento pessoal, que é uma das variadas essenciais para preservar
8:47 e promover a minha boa saúde mental.
8:49 Há outras três, que vocês com certeza absoluta reconhecem, o sono, a alimentação e os bons
8:55 hábitos energéticos e físicos, e todas elas também associadas à vossa saúde física.
8:59 Portanto, para se pensarem nelas, lembre-se que não é apenas a vossa saúde física
9:02 que está em causa, mas toda ela.
9:05 Como ter uma vela?
9:07 Na área do desenvolvimento pessoal, assim que se plantearmos, sabemos exatamente o que
9:12 é um psicólogo, o que é um psiquiatra, o que é uma visita a um psicólogo.
9:16 Se eu escrevo como tendo uma conversa ao espelho, em que simplesmente o espelho é como aquela
9:23 personagem de Shrek que fala com a rainha e, bem, não diz grande coisa, mas tem alguma
9:29 estabilidade nas suas perguntas.
9:31 E, portanto, é isso mesmo que acontece.
9:33 A minha psicóloga faz-me perguntas, as quais eu já levo, de certa forma, mas que ela reformula,
9:38 concretiza, e deita a minha responsabilidade para respondê-las, pensar sobre elas e chegar
9:43 a uma conclusão.
9:45 O segundo ponto que trago é praticar a bondade.
9:48 É quebrar a inédita de ser o primeiro, a dar um sorriso, a dizer bom dia, a fazer
9:54 algo que vá para além de nós.
9:56 Não pelas suas consequências, mas pelo seu valor inato.
9:59 Isto tem uma reação em cadeia.
10:02 Por norma, ao termos nós a quebrar esta inédita, ao termos esta atitude de bondade
10:06 para com os outros, primeiro a probabilidade de que esta bondade é muito superior à de
10:11 existir em primeira mão por iniciativa própria e, em segunda, a probabilidade de que esta
10:15 pessoa que recebeu o nosso colapso de bondade e o replico para outros demais é enorme.
10:20 A seguir, sermos honestos.
10:23 Honestos connosco e com os que estão à nossa volta, em graus diferentes, respeitando a
10:28 nossa privatidade e aquilo que queremos e não queremos partilhar, mas sermos honestos.
10:32 Sabermos do que somos capazes, através da nossa intersecção, mas também do que não
10:36 somos e queremos passar a ser.
10:39 E, às vezes, há situações em que não queremos passar a ser, mais capaz, mas precisamos dessas
10:44 capacidades e, então, aí, mais uma vez, devemos recorrer à ajuda dos que estão à
10:48 nossa volta.
10:50 Por último, e em linha com o tópico do evento de hoje, está nas nossas mãos pedir ajuda.
10:58 Pedir ajuda, idealmente, quando precisamos, mas também não só.
11:04 Porque há valor nas experiências que todos nós e cada um temos e valores diferentes.
11:10 Experiências iguais em pessoas diferentes dão experiências diferentes e pessoas iguais
11:16 para experiências diferentes dão também reflexões, desculpem, reflexões não-experiências
11:20 diferentes.
11:22 O que eu trouxe aqui hoje foi um bocadinho da minha viagem até me tornar uma vela e
11:28 o que eu espero é que hoje, alguns de vocês, de frente de mim, que tive que ter um pó,
11:33 que tive que olhar para aquela chama que estava a queimar rápido e que tinha que fazer
11:38 alguma coisa sobre ela de frente de mim, que me tornei um fósforo e que iria acender
11:42 a minha vela por consequência, possa ter também acendido a vossa vela hoje, que tenha
11:46 suscitado a curiosidade por este tema, para que queiram saber mais, mas que também, tal
11:50 como eu, espero eu, possam acender outras velas à vossa volta.
11:54 Obrigado.

Quando precisei de ajuda - João Francisco Lima

Descrição

Nesta palestra poderosa, João Francisco Lima partilha a sua jornada pessoal em busca de luz após uma perda devastadora. Através da sua experiência com a saúde mental, ele inspira todos a acenderem as suas próprias velas e a buscar ajuda, mostrando que o caminho para o bem-estar começa dentro de nós.

Resumo

João Francisco Lima inicia a sua palestra refletindo sobre a importância de dois objetos simbólicos: um foco e uma vela, que representam a busca por luz e esperança em momentos difíceis. Ele partilha a sua experiência pessoal marcada pela súbita perda do pai, um evento que o mergulhou numa crise de saúde mental. Através desse processo doloroso, percebeu que precisava de ajuda e começou a frequentar sessões com uma psicóloga, um passo fundamental no caminho para a recuperação. Destaca que a saúde mental é um estado de bem-estar que nos permite alcançar o nosso potencial, manter boas relações e integrar-nos na comunidade.

Durante a palestra, Lima aborda a importância da auto-reflexão e da vulnerabilidade. Ele enfatiza que conhecer a si mesmo e reconhecer as próprias limitações é crucial para o crescimento pessoal. Explora também a sua mentalidade, defendo que o que não controlamos não nos deve afetar. Ao partilhar a sua perspetiva sobre o luto, explica que estar melhor é um objetivo gradual e que cada pequeno progresso deve ser celebrado. Além disso, menciona a relevância das atitudes positivas e a importância de se manter uma ambição incremental em relação aos objetivos pessoais.

Lima termina a sua apresentação repartindo ferramentas que podem ajudar os presentes a acender as suas próprias velas. Estas incluem a prática da bondade, a honestidade consigo mesmo e com os outros, e, principalmente, a coragem de pedir ajuda. Com um apelo à ação, ele espera que a sua história incentive outros a procurar apoio e a partilhar as suas experiências, contribuindo assim para um ambiente de compreensão e solidariedade em relação à saúde mental.

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