3 Milhões de Nós
0:00 Bom dia a todos, venho falar-vos de relações reais e virtuais.
0:12 Todos vocês sabem que a internet veio para ficar e todos vocês sabem que dentro da internet
0:18 as redes sociais vieram para ficar ainda mais.
0:22 E é impressionante o número de utilizadores das redes sociais.
0:26 Sem 2010 nós sabíamos que a nível mundial havia 1 bilhão de pessoas ligadas às redes sociais.
0:34 A estimativa é que uma década depois sejam quase 3 bilhões de pessoas que diariamente utilizam as redes sociais.
0:44 Mas as redes sociais são um fenómeno recente.
0:48 A rede social mais antiga tem cerca de 20 anos.
0:52 E, portanto, nós podemos apenas imaginar como é que teria elucido alguns episódios da nossa história
0:57 se já tivessem existidos redes sociais nessa altura.
1:02 É claro que são coisas diferentes.
1:05 Um beijo real não será igual a um beijo virtual ou um abraço real não será igual a um abraço virtual.
1:14 Mas isto será que quer dizer que uma relação real ou uma relação virtual são melhores uma relação à outra?
1:23 Provavelmente não.
1:25 E provavelmente todos aqui já passaram por situações em que foi muito mais útil comunicar em um modo virtual
1:32 por exemplo através de um whatsapp ou através de um SMS do que face a face.
1:38 Dizem os psicólogos que uma relação virtual é normalmente uma relação que gera menos conflitos.
1:46 Nós recebemos um SMS com o qual ficamos irritadíssimos, mas podemos responder daqui a pouco, daqui a uma hora,
1:53 amanhã, depois de dormir, ou vou falar com 2 ou 3 amigos que me vão aconselhar sobre a melhor resposta a dar.
2:03 Podemos dar tempo, podemos responder em desfazado.
2:07 Nada disto é possível se alguém, a mesma pessoa, tiver frente a nós e nos fizer a mesma pergunta.
2:13 Aí temos que responder e mais, ela consegue perceber logo na nossa cara como é que nós estamos a receber aquela pergunta.
2:20 Enquanto como virtual, eu manto 3 ou 4 imagens, aqueles momentos expressivos e a coisa fica por ali ganho tempo.
2:28 Portanto nós sabemos que há enormes vantagens no relacionamento virtual e todos nós usamos e usamos grupos do whatsapp
2:36 quando queremos combinar um jantar ou um jogo de pável e através dessa tecnologia conseguimos muito facilmente falar com todos ao mesmo tempo.
2:46 Portanto a questão não está em ser bom, ser mal, todos nós sabemos que é bom, todos nós sabemos que é maravilhoso.
2:53 Então vocês perguntam porque é que ela está aqui hoje a falar.
2:56 Vou vos falar de 4 situações em que a utilização de redes sociais pode de facto levar a sentimentos menos bons e algumas delas até já falámos aqui hoje.
3:12 A primeira é a Lucy, que já nos foi apresentada hoje.
3:16 A Lucy vive comparando a sua realidade, que ela era especial, mas afinal não era tão especial como achava que devia ser, com a realidade dos outros.
3:28 E todos vocês são seguramente todos os dias, todas as horas bombardeados com fotografias que raramente são de coisas tristes.
3:37 São as vitórias, são a praia paradisíaca, são o grupo de amigos fantásticos, são a lua de mel,
3:44 são a despedida de solteiro, são o tudo.
3:48 E portanto mesmo no vosso subsconsciente há sempre uma pequenina comparação entre a minha realidade que depurávelmente terá alguns momentos daqueles
4:01 e a realidade dos outros que só têm aqueles momentos, como é que eles conseguem?
4:07 Sempre tudo tão maravilhoso.
4:11 O segundo aspecto é que eu dei o nome de valor.
4:17 Num grupo de amigos, hoje, o mais importante não é normalmente o que tem mais dinheiro, ou o que tem mais notas na faculdade, no liceu,
4:31 ou o que é mais bonito ou bonita.
4:35 O mais importante é aquele que consegue mais likes, é aquele que consegue mais partilhas, é aquele que consegue mais comentários quando posta qualquer coisa no Instagram.
4:45 Esse é de facto uma pessoa de valor.
4:49 E há uma, gradualmente, mas muitos jovens têm vindo a criar outras noções de valor que têm a ver exatamente com o impacto que cada um tem nas redes sociais.
5:03 O terceiro aspecto também já foi falado, a cultura do mi, mi, mi, que é a cultura do eu.
5:11 Os jovens hoje, vocês todos provavelmente já passaram por isso, não tiram uma selfie, tiram 50 selfies.
5:21 Depois vão às fotografias, esta que está perfeita.
5:26 Estou com o ar descontraído, o rapaz está a fazer um bocadinho de músculo, a rapariga está lindíssima, aquelas sombras estão ideal.
5:33 Então é esta que vamos postar no Instagram.
5:36 Espera, mas não vou postar agora, não são horas de postar isto agora, agora ninguém vai ver.
5:43 Então, acho que às sexta-feira, às 8 da noite, às segundas também não é um mau dia, há estudos sobre o tráfego.
5:54 E naquele dia, àquela hora, aquela selfie tirada na praia, hoje para cá já está a chover, mas não interessa, foi aquela selfie a última que eu tenho,
6:01 está na altura da pora.
6:04 E depois ficar a ver, se não começar a ter muitos likes na fim de meia hora é retirá-la.
6:12 Não funcionou, tenho que me esforçar mais.
6:17 Basicamente, eu podia fazer a mesma coisa com uma lata de Coca-Cola, se quisesse vender Coca-Cola.
6:25 Mas o que estão a fazer é que estão a vender um produto, só que eles é que são o produto.
6:30 Estão sem embrulhar e dará, aqui estou eu.
6:34 Comprei, carregue no like ali, naquela coisa.
6:38 E portanto, gradualmente, todos os jovens, mesmo inconscientemente, vão usando a internet para uma promoção do eu, uma cultura do eu, eu é que sou importante.
6:50 Levado ao extremo, eu sou o meu Deus.
6:55 E a vida gira à minha volta.
6:57 E vocês, se forem inteligentes, vão girar à minha volta e vão pôr like cada vez que eu quiser alguma coisa nas redes sociais.
7:05 E o terceiro, quarto aspecto é a questão da dependência.
7:09 Nós sabemos que as vossas necessidades hoje são diferentes do que eram aquelas que eu devia vocidar.
7:17 Quando vamos a um bom restaurante, qual é a primeira pergunta?
7:22 Qual é a passe da wi-fi?
7:26 Quando proponho aos meus filhos, vamos fazer uma viagem espetacular, vamos passar por vários sítios paradisíacos.
7:33 Os hotéis têm wi-fi.
7:36 Nós vamos poder estar ligados.
7:40 Quando passava, quando tivemos no deserto, o meu filho mais novo perguntou-me por que é que não temos rede?
7:47 No Sahara.
7:50 Portanto, as necessidades são diferentes, é um facto.
7:53 Mas por quê?
7:55 Por quê?
7:57 Aqui entra o médico.
8:01 Todos nós, todos vocês, têm uma zona do cérebro chamada a zona de prazer.
8:07 Onde esta hormona, que é a dopamina, é desencadeada por uma série de acontecimentos
8:13 e provoca aquilo que nós chamamos, a sensação de prazer.
8:18 Um jogador, contando o casino e ganha, leva um shot de dopamina no cérebro,
8:23 os níveis de dopamina.
8:25 Um drogado, quando vê a droga ainda antes de colocar na sua veia, ou de sinifar o que seja,
8:32 já a dopamina sobe.
8:36 É a hormona do prazer, mas também é a hormona que provoca dependência.
8:40 Porque se tiver muitas vezes elevada, por várias situações,
8:43 quando depois não eleva, por alguma razão,
8:46 nós sentimos nervosos, nós sentimos ansiosos, faltando-nos qualquer coisa.
8:52 Quando perceberem isso, agora, num dos próximos dias,
8:54 tamo a faltar qualquer coisa, já sabem, é a dopamina.
8:58 Não se vendem comprimidos, mas podem parecer se devidamente estimuladas.
9:04 Ora, o que acontece?
9:06 O que é que para nós caracteriza um drogado?
9:09 Um tóxico dependente.
9:12 De manhã, tem que ter a sua dose logo.
9:15 Há noite antes de dormir, tem que ter a sua dose antes de deitar.
9:19 Ao longo do dia, várias vezes, tem que ir tendo a sua dose,
9:22 porque se não, entra em privação, os níveis de dopamina estão baixos.
9:27 Presto o falar do vosso telemóvel.
9:30 De manhã, ver logo, sabe, notificações.
9:32 Há noite antes de deitar, calma, antes de dormir, deixe-me por correr aqui,
9:35 o que é que há, que likes é que há para dar.
9:38 Durante o dia, várias vezes, se se sentam numa mesa no restaurante,
9:41 o que é que colocam logo ao lado?
9:44 Telemóvel.
9:45 Por que?
9:46 Porque aquela pessoa que está à nossa frente, o nosso pai,
9:48 o nosso mãe, os nossos amigos, o nosso namorado,
9:50 não é importante para nós, não vamos ter uma conversa super agradável?
9:55 Vamos.
9:56 Vamos, mas eu estou dependente.
9:58 E pode ser que a qualquer momento,
10:01 eu tenho que esperar só para ver se há alguma notificação importante,
10:06 que, no fundo, pode ser mais importante do que aquilo que estamos a falar face a face.
10:11 E quantas vezes não interrompem conversas agradáveis,
10:14 só para esperar, ou então estamos a falar e outra pessoa está assim.
10:19 E, basicamente, muitas vezes estamos a ter conversas giríssimas,
10:22 interessantíssimas,
10:24 mas a outra pessoa não consegue resistir e vai ver,
10:28 calha o filho de não sei quem, teve um quadro à matemática, que bom.
10:36 Isso é o princípio da dependência.
10:39 E, portanto, estes são, provavelmente, os quatro problemas
10:43 que um utilizador maciço das redes sociais pode encontrar.
10:48 E é preciso saber que estes problemas existem.
10:54 E que consequências é que isto pode ter?
10:55 Podia não ter nenhum mais.
10:57 Podíamos estar aqui e falar e dizer, ok, é assim, mas eu não sou assim.
11:01 Eu não sinto nada disso.
11:03 Pode ser o caso, isso foi o caso ainda bem.
11:06 Mas, se calhar, a pessoa que está à vossa direita ou à vossa esquerda
11:09 precisava de uma palavrinha vossa.
11:10 Quando eu acabar a comunicação, olha, eu tenho notado
11:13 que tu tens andado um bocadinho dependente que o telé-módulo
11:16 e podem aproveitar.
11:18 E, portanto, se a comunicação não for boa para vocês,
11:21 falem que o colega da direita ou da esquerda
11:24 e sempre estão a ajudar alguém.
11:25 E se todos falarem que o da direita e da esquerda vão todos receber a mensagem.
11:30 Consequências que nós sabemos.
11:33 Não gostamos a falar de coisas pequenas.
11:37 Estudos em adolescentes e universitários europeus,
11:41 norte-americanos e principalmente canadianos
11:44 que têm se dedicado muito a esta temática
11:47 verificaram que existe uma relação direta
11:49 entre o número de horas que cada um de vocês está ligado às redes sociais
11:53 e os maiores níveis de ansiedade,
11:56 maiores níveis de depressão e maior número de tentativas de suicídio.
12:01 São números, não são suposições,
12:04 são estudos, centenas de estudos que mostram isto.
12:09 E mais curioso ainda que a partir de duas horas de ligação às redes sociais por dia,
12:15 por cada 15 minutos a mais,
12:17 os níveis de ansiedade, depressão e o número de tentativas de suicídio aumentam.
12:21 Ou seja, uma coisa que é relativamente, é diretamente proporcional.
12:27 Parte disto é explicado por um trabalho fantástico deste senhor Dambar,
12:33 que eu vou explicar o que eu fiz.
12:36 No nosso cérebro, no vosso cérebro,
12:40 todos têm uma parte do cérebro que é responsável pelo relacionamento com os outros.
12:45 É aquilo que nós podemos chamar do cérebro social.
12:47 Há uma parte do cérebro para a visão,
12:50 uma parte para a audição, uma parte para a linguagem,
12:52 uma parte para mexer o braço ou para a parte para mexer a perna.
12:55 Há uma parte do cérebro que é para o relacionamento,
12:58 que é como nós gerimos os nossos relacionamentos com aqueles que nos somos próximos.
13:03 O que fez este senhor Dambar foi ver, em proporção,
13:08 que também do cérebro é ocupado para este relacionamento social
13:12 em várias espécies animais, no chimpanzé, no gorila, no pinguina, girafa, no leão.
13:18 Deixe lá, verem cada um destes animais.
13:21 Que parte do cérebro, em proporção, está dirigida para o relacionamento social.
13:27 E aquilo que ele descobriu foi fantástico.
13:31 Foi que à medida que as espécies todas iam ter parte do cérebro maiores
13:35 para o relacionamento social,
13:37 também na natureza, o grupo de animais da mesma espécie com os quais os relacionavam
13:43 era também maior.
13:45 E por isso é que os leões que tinham o cérebro social em determinada proporção
13:49 se relacionam habitualmente com 12 leões ou os pinguins, que têm um cérebro pequeno.
13:55 A parte dedicada ao cérebro social é enorme.
13:58 Dedicam-se e conseguem estar relacionados com 100 ou 200 pinguins à sua volta.
14:04 Tudo tem a ver com qual é a quantidade do cérebro que é gasta para aqueles relacionamentos.
14:12 E o que é que fez este senhor a seguir?
14:14 Então vamos estudar o cérebro humano.
14:16 Vamos ver que parte do cérebro humano, que proporção é dirigida para o relacionamento social,
14:21 o nosso lobo frontal.
14:25 Vimos qual era a proporção e basicamente fomos à reta a procurar.
14:29 Então se isto é verdade, qual será o número de relacionamentos significativos
14:35 que devia ter a minha tribo, aqueles que me rodeiam?
14:40 E qual é o número de Dombar?
14:42 Alguém sabe?
14:45 Alguém quer dar alguma... podem dizer números?
14:53 10, 200, ninguém dá mais?
14:58 Ora o número de Dombar é de 150.
15:01 E o que é que isto significa?
15:03 Significa que ao longo de milhões e milhões e milhões de anos de evolução de todas as espécies,
15:10 o cérebro humano foi evoluindo de forma a estar preparado para ter,
15:15 num determinado momento da sua vida, 150 relacionamentos significativos.
15:23 Pessoas de quem sabe o nome, a morada, a data de nascimento, os gostos, aquilo que não gosta,
15:28 o que o irrita, o que faz feliz.
15:32 Mais do que isso, lamento informar-vos, o nosso cérebro não é capaz, nem mesmo das mulheres.
15:41 E o que é que nós verificamos?
15:43 Verificamos que a vossa média de amigos no Facebook,
15:46 conseguido hoje no Instagram, é de 1.500.
15:51 Então como gerimos isto?
15:53 Gerimos isto da forma que a Lucy provavelmente iria gerir.
15:58 É que quando eu vejo uma fotografia do aquele amigo numa praia maravilhosa
16:02 que está dentro dos meus 150,
16:04 eu digo olha, o Francisco está nesta praia maravilhosa,
16:08 o Francisco está nesta praia maravilhosa,
16:10 que bom, ele bem precisava que ano passado,
16:13 teve aquele desgosto, molelam-lhe um irmão,
16:15 bem precisava de ir a desjare, apanhar, ar...
16:18 E nós sabemos que aquele momento é um momento significativo,
16:21 mas sabemos o enquadramento daquilo.
16:25 Fora destes 150, vemos as mesmas fotografias,
16:28 mas não sabemos mais de nada, não sabemos enquadrar.
16:31 E é isso que, mesmo inconscientemente,
16:35 nos vais fazer comparar a nossa realidade com aquela realidade virtual.
16:39 E é isso que é responsável pelas ansiedades, pelas depressões,
16:43 pelas tentativas de suicídio,
16:45 por tudo aquilo que esses estudos vão mostrando.
16:50 Perguntam-me,
16:53 se é um problema, pode ser um problema.
16:57 Então o que é que temos que atuar perante este problema?
17:03 Que mais uma vez digo, seguramente que não é o vosso,
17:06 mesmo no fim falem com a pessoa da direita e da esquerda para ajudar.
17:11 Primeira coisa, dizem os psicólogos,
17:14 quando temos alguma coisa que eventualmente nos está a afetar,
17:16 é reconhecer o problema.
17:19 Sabemos que isto existe,
17:21 sabemos que as redes sociais são espetaculares,
17:24 que nos ajudam imenso,
17:26 mas que, de vez em quando, há uns excessos, na alguns.
17:30 E que esses, provavelmente, estarão a sofrer alguma destas consequências.
17:35 E para aqueles para os quais a atualização está a ser incesso,
17:39 provavelmente precisam de uma dieta.
17:42 Chame-lhe dieta virtual.
17:46 Esta dieta virtual pode ter muitos componentes, pôs aqui alguns,
17:50 estipularem para vocês próprios que têm que ter um tempo sem a crã,
17:54 estipularem que há momentos no dia ou do fim de semana
17:57 onde ninguém vai ver o mail,
18:00 estipular que algumas aplicações de jogos,
18:02 onde perdemos horas para tentar que Candy Crush consiga aquela pontuação,
18:06 vamos apagá-la para que perdemos horas nisto.
18:10 Ou proporem e entrarem em atividades
18:15 onde é impossível o uso do telemóvel.
18:19 Ninguém vai para um jogo de rai que bico o telemóvel no bolsos calções.
18:23 No paddle também é difícil.
18:26 Ou seja, conseguirem provavelmente encontrar atividades
18:30 que vos vão desviciando daquela utilização excessiva da tecnologia.
18:37 Usar um relógio de pulso,
18:39 porque cada vez que eu ver as horas ao telemóvel,
18:41 ui, mas não devigas as novas, deixa cá a ver.
18:45 Enfim, pequeninas estratégias,
18:47 ou usar mesmo a tecnologia para combater a tecnologia,
18:50 ou seja, há muitos dispositivos hoje já nos smartphones
18:53 que nos alertam.
18:55 Atenção, hoje já esteve xis horas nesta rede,
18:57 hoje já teve mais tempo do que dia a olhar para este ecran.
19:01 Já há smartphones que nos fazem isso e, portanto, podemos usar isso.
19:05 Ou seja, em conclusão,
19:08 penso ter passado a mensagem de que o problema não está na internet
19:14 e o problema não está nas redes sociais, em si.
19:17 São coisas boas, vieram para ficar,
19:19 vão continuar a fazer parte das nossas vidas.
19:22 O problema está, principalmente, em quem as usa.
19:28 E haveria certamente pessoas
19:31 que fariam o uso extraordinário das redes sociais.
19:37 E é com esta imagem que eu vos deixo a pensar.
19:40 Muito obrigado.

Relações reais e virtuais - Paulo Oom

Descrição

Nesta intervenção, Paulo Oom reflete sobre o impacto das redes sociais nas relações humanas, mostrando que, embora úteis, podem distorcer a forma como nos vemos e nos relacionamos. Alerta para riscos como comparação constante, dependência e perda de autenticidade. A mensagem central é clara: o problema não está na tecnologia, mas no uso que fazemos dela.

Resumo

O ponto de partida é reconhecer que as redes sociais fazem parte da vida atual e trazem muitas vantagens, facilitando a comunicação e a organização do dia a dia. No entanto, o orador destaca que relações virtuais e reais não são equivalentes — cada uma tem o seu valor, mas a interação presencial continua a ter uma profundidade única.

São apresentados quatro riscos principais do uso excessivo das redes sociais. O primeiro é a comparação constante com os outros, alimentada por conteúdos idealizados que mostram apenas os melhores momentos, levando a sentimentos de insuficiência e frustração.

O segundo é a redefinição de valor pessoal, onde o reconhecimento passa a ser medido por likes, comentários e partilhas. Isto pode criar uma pressão invisível para validação externa, influenciando a autoestima e a forma como os jovens se apresentam ao mundo.

O terceiro é a cultura do “eu”, onde as redes incentivam uma constante autopromoção. Os jovens tornam-se, simbolicamente, “produtos” que procuram aceitação, muitas vezes construindo versões idealizadas de si próprios.

O quarto risco é a dependência, explicada através do papel da dopamina no cérebro. O uso frequente do telemóvel e das redes sociais pode criar padrões semelhantes a comportamentos aditivos, afetando a atenção, as relações e o bem-estar emocional.

Por fim, o orador apresenta evidências científicas que relacionam o uso excessivo das redes sociais com níveis mais elevados de ansiedade, depressão e isolamento. Sugere estratégias práticas, como a “dieta digital”, para equilibrar o uso da tecnologia e reforça a importância de cultivar relações reais e conscientes.

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