3 Milhões de Nós
0:00 Eu sempre desejei dizer isto, bom dia a uma magna, bestial, olha, e muito bom dia a
0:16 todos, estou muito mais contente a partir de agora porque não vos vejo e portanto vou
0:21 falar como se não vos visse, porque isto é intimida, intimida a ser a última do pai
0:28 Nel, porque eles já disseram quase tudo e portanto eu não tenho muito para dizer e estou
0:33 sempre a pensar como é que eu vou ocupar 15 minutos deste tempo. Outra coisa que eu
0:39 estou aqui sempre a pensar foi, mas por que que o Zé Diogo Quintela falou antes de mim?
0:46 Pronto, é que agora nem sequer, aliás, o Zé Diogo é um sinal, eu também não trouxe
0:52 uma apresentação, mas atenção, a mim disseram que deveria trazer o balões a qualquer coisa
1:00 que captasse a vossa atenção e eu resolvi trazer uma pessoa e eu, por isso, vou chamar a Maria
1:09 Maria
1:20 Imaginem, é porque nós temos que falar dos valores essenciais das relações humanas,
1:24 para além da Maria ser uma amiga que me é muito próxima, que eu conheço há muitos anos e já vivemos
1:30 algumas coisas juntas, a Maria tem uma vantagem sobre mim e não sei se vocês vão conseguir
1:34 adivinhar qual é, mas é que a Maria tem, basicamente, 20 anos ou um bocadinho mais de
1:41 diferença de mim e por isso ela é verdadeiramente uma jovem a para falar com jovens e por isso
1:46 um aplauso, eu acho que ela amarece.
1:55 E é ótimo porque assim vamos dividir o problema que temos aqui e vamos estabelecer uma conversa
2:00 Maria, porque nós deram-nos o tema mais difícil, repara nada mais nada menos que isto que nem eu
2:07 entendo, valores essenciais das relações humanas, ou seja, é tudo e não é nada, não achas?
2:17 E então nós simplificámos e resolvemos perguntar porque no fundo eu entendo isto,
2:22 se estamos a falar de valores e estamos a falar de relações humanas, não podemos deixar
2:28 de estar a falar de nós próprios, no fundo a grande pergunta é esta que vos aparece aqui,
2:33 que é o que é que verdadeiramente importa, ou seja, o que é que é mesmo importante,
2:39 no fundo eu estou a falar de mim própria, quem sou? Eu sei que é uma pergunta que muitas
2:45 vezes nós fazemos e eu não sei o que é que vocês sentem quando eu faço esta pergunta,
2:49 mas eu faço-me muitas vezes que é quem sou e na verdade nem sempre encontro resposta,
2:57 mas faço-me uma segunda pergunta automática, eu não sei muitas vezes quem sou,
3:04 mas sei quem quero ser e isto marca profundamente a minha vida e se criar um grande convite que
3:12 eu as trago é poder enclocar-se as duas perguntas, quem sou? E quem sou mesmo? Qual é esse ADM que
3:23 me marca como pessoa naquilo que vivo e naquilo que eu faço? Que me marca de tal maneira que se
3:30 calhar muitos dos que estão aqui sabem profundamente quem eu sou e obrigada, Vicente, obrigada aqui
3:38 Nuno, por poderem dizer isto diz alguma coisa dela, sabem porquê? Porque eles me conhecem,
3:45 é o meu ADM a funcionar naquilo que eu vivo, naquilo que eu faço, naquilo que eu sou. E
3:51 por isso Maria, estar a falar disto sem falar contigo era muito difícil, queria mesmo perguntar-te
3:58 uma coisa que se calhar-nos vai ajudar a compreender disto, gostaria que pensases nas pessoas mais importantes
4:06 da tua vida, gostaria que vocês pensassem nas pessoas mais importantes da vossa vida,
4:14 consegues reconhecer? Consegue-me assim. E porquê é que as pessoas são importantes para ti?
4:24 Essa tem rasteira, são pessoas assim, em dois essencial, estamos bem contigo este é assim,
4:32 acho que são pessoas importantes porque estão presentes, me acompanham de forma comprometida,
4:41 como é que eu faço as coisas, o que é que eu procuro na minha vida e por isso no acompanhamento que
4:57 fazem vão ou confirmando aquilo que eu faço e como é que eu estou nesse caminho rumar aquilo que eu
5:02 procuro ou me confrontam ou me desafiam e acho que fazem isso agora só um bocadinho como se eu
5:11 tivessemos que ir nesse trabalho, sentámos-nos e agora vamos afinar isto, mas na rotina, não é
5:16 na simplicidade do encontro, com o tempo, na intimidade de um com o outro, com essa presença exigente,
5:22 mesmo às vezes sem dizer nada explicitamente, vão fazendo esse acompanhamento.
5:26 Que engraçado, já repararam, não sei se perceberam mas o que a Maria está aqui a dizer,
5:31 de lá se eu compreendi bem é que as pessoas que são mais importantes para ti,
5:38 são mais importantes para ti porque exigem de ti e porque te desafiam, pessoal, há aqui
5:44 qualquer coisa, ou não, esta regista que isto é da geração, ou seja de ouro, esta da exigência é boa
5:51 também para ti, porque assim está chafo, porque eles dizem que para eles vistos as pessoas mais
5:56 importantes são aquelas que exigem, ou inês, então afinal podemos não ser os melhores amigos,
6:04 ah, é verdade, as pessoas que mais exigem, eu posso, eu não disse isso, ah, pronto,
6:10 não, só porque pode suar, não, para mim essa frase faz sentido, mas eu acho que isso assim,
6:15 e depois como tu apoies, não é no sentido de cobrar, não é no sentido de cobrar, é no sentido
6:22 do acompanhamento exigente, não é, sabem que aquilo que eu ando a viver, não é, não está, não é
6:27 consistente com aquilo que eu procuro, então não é que tenho que sentar comigo, tipo intervenção,
6:31 tens que mudar, mas a sua presença vai acompanhando e vai garantindo que eu vou arrumar aquilo que
6:35 eu procuro. Portanto, é alguém que te ajuda a encontrar aquilo que tu procuras e a ser a melhor
6:43 versão de ti própria, é aquelas pessoas que são capazes de tirar o melhor de ti, são aquelas
6:50 pessoas que te conhecem no mais profundo e, portanto, fazem aquele exercício que nós estávamos a
6:56 falar há pouco de olha para o lado e ver quem está e como está, é por aí, não é?
7:03 É por aí. Ok, então pensando nas tuas relações e no mundo de diferentes relações, porque quando
7:09 falamos de relações humanas, falamos de muita coisa, falamos de família, falamos de amigos,
7:13 falamos de trabalho, falamos de escola, falamos de tanta coisa, nós não somos de facto ilhas,
7:20 portanto, nós somos pessoas em relação e isso são relações humanas. Isso é pensar não só no
7:27 que tu recebes dessas relações, mas no que tu dás a essas relações. Conseguirias responder o que
7:34 que tu dás nas tuas relações? Difícil, não é? Fica mais difícil com militares de pessoas.
7:43 É, não é? Estás um bocado atrapalhado, eu sei, mas olha, vamos fazer uma coisa.
7:47 Alguém aqui conhece a Maria, que ativo, ponha só o dedo no ar, ok? Maria, tu não sei se
7:54 estás a perceber, mas há muita gente a pôr o dedo no ar. Ok, então, espera aí, não fujas.
8:05 Quem é que conhece a Maria? Olhem, da relação que tem com a Maria, o que é que mais vos impressiona?
8:13 Uma coisa. Ah, espera aí, preciso do microfone, diz lá, eu repito.
8:22 Ui, a vida comprometida e coerente da Maria. Isto é dramado, ou Maria?
8:27 Que a coerência é uma coisa que marca a tua relação. Tu também conhece a Maria?
8:33 E então, o que é que a Maria te marca?
8:37 Eu conheço pouco, conheço há pouco tempo, mas parece uma pessoa coerente, é uma pessoa que...
8:44 É fichela.
8:45 É simpática, muito simpática.
8:48 Maria, parece que é simpática, é uma coisa que marca as tuas relações. Quem conhece mais a Maria?
8:53 A Maria, eu sei que tu conhece a Maria. O que é que a Maria te marca?
8:56 Eu sou uma boa disposição, e para acompanhar as pessoas.
8:59 Tenho bom humor, a Maria.
9:01 Dizeste que acompanhar as pessoas é amiga de seu amigo, é isso que quer dizer.
9:05 Ok? Quem conhece mais a Maria? Agora ninguém pode dizer de lar como é que eu pergunto.
9:11 Maria, parece que, primeiro, há muita gente que te conhece. Segundo, parece ser que tu marcas pela forma como tu vive.
9:21 Poutano, quando tu pensas no que é que tu dás nas tuas relações,
9:27 se calhar, deveríamos ter a capacidade de perguntar ao outro que marca é que eu deixo na relação que vivo com ele.
9:37 Só se hoje fossem capazes de perguntar a quatro pessoas, olha, o que é que tu dizes de mim?
9:45 Que pessoa dizes que eu sou?
9:50 Saberiam o que é que as pessoas iam responder de vocês?
9:57 Se hoje perguntasses que marca é que eu te deixei do tempo em que me relacionei contigo,
10:05 sejam meses, dois meses, dois anos, três anos,
10:08 nós saberíamos que marca é que deixamos, é que, se calhar, não sabemos.
10:16 E se não sabemos, é um sinal da forma como nós vivemos as nossas relações.
10:22 O que eu vos queria dizer é uma coisa muito simples, é que não se improvisa.
10:28 Não se improvisa nada na vida, não se improvisa, e eu diria, e isso é que é tramado.
10:35 É tramado, sabem porquê? Porque é uma construção caramba.
10:40 E eu hoje posso dizer daqui que é uma construção,
10:44 e posso dizer que não cai do céu, se calhar neste contexto não é muito bom dizer isto.
10:49 Mas a verdade é que não há milagres, peço desculpa.
10:56 Então significa que eu hoje construo a pessoa que eu quero ser.
11:01 E isto, meus caros, é aos 10, aos 20, aos 30, aos 40, aos 50, aos 60 e aos 80.
11:07 Eu olho para a minha vida e pergunto, eu tenho as relações que desejei,
11:12 eu sou a pessoa que quer ser, eu sou a pessoa que desejei ser,
11:18 e que triste que uma pessoa aos 60 anos diga que já viveu tudo aquilo que queria viver,
11:24 e que já é aquilo que queria ser, porque então, uff, morreu.
11:31 Eu tenho a idade que tenho e tenho que vos dizer,
11:35 todos os dias me trabalho profundamente para ser a pessoa que quer ser nas minhas relações.
11:41 E me pergunto, quando tu te encontras comigo, se te encontras com o melhor de mim,
11:47 se te encontras com uma pessoa que é capaz de te olhar nos olhos e dizer,
11:51 ok, conectei contigo, ok, quando tu podes nunca mais me encontrar na vida,
11:58 mas ouça lá que o que levas de mim seja o melhor que eu te posso dar.
12:02 Por isso a grande pergunta é, os valores nas relações sou eu,
12:07 que marca é que eu quero deixar nas pessoas com quem estou.
12:12 E por isso, não penso que possamos passar do lado
12:16 e não poder parar para nos perguntarmos o que é que queremos construir,
12:21 sejam relações virtuais, sejam relações familiares,
12:26 sejam as nossas relações de amizade.
12:29 Eu diria, nós podemos ter todo tipo de relações.
12:33 O que vai me marcar, o nível da minha relação,
12:37 é a forma como eu estou nela, é aquilo que ela me dá,
12:41 é aquilo que eu lhe dou.
12:43 E vou vos convidar a que no fim de eu falar,
12:46 mandem mesmo esta mensagem a quatro pessoas,
12:49 a quatro pessoas diferentes.
12:51 E não mandem a todos os da vossa família, porque pode ser que se surpreendam.
12:55 Mandem, por favor, a quatro pessoas diferentes,
12:59 inclusive com algum nível de distância de relação diferente com vos.
13:04 Alguém que conhece há menos tempo, há mais tempo.
13:07 E perguntem, o que é que tu dirias de mim?
13:11 E perguntem, o que é que da relação que nós temos já nos marcou?
13:17 O que é que eu te marco a ti?
13:20 E nunca se esqueçam que nós temos aquilo que nós investimos.
13:24 Nós temos aquilo que nós investimos.
13:27 De tempo, de qualidade, de afetividade.
13:32 E nós somos afeto, somos profundamente afeto.
13:37 E não se esqueçam de dizer, eu gosto muito de ti.
13:41 Eu gosto muito de ti.
13:44 E a pessoa que tu és, faz-me ser mais pessoa.
13:48 Porque o maior dramático, o maior drama que nós podemos ter na vida
13:52 é deixar-nos testar com as pessoas
13:55 e nunca lhes termos dito o quão importante elas foram para nós.
14:01 Muito, muito obrigada e sejam quem querem ser.
14:05 Muito obrigado.

Valores essenciais das relações humanas - Ana Oliveira

Descrição

A palestra da Ana Oliveira revela a importância dos valores nas relações humanas, especialmente na adolescência e juventude. Com uma abordagem envolvente e interativa, convida os jovens a refletirem sobre quem são e quem desejam ser, enfatizando o impacto das relações significativas na construção da identidade.

Resumo

Ana Oliveira inicia a sua palestra discutindo a complexidade dos valores essenciais nas relações humanas, envolvendo o público numa conversa a duas vozes com a jovem Maria. Através de perguntas provocadoras, como "quem sou eu?" e "o que é que verdadeiramente importa?", Ana convida todos a explorarem a profundidade das suas identidades e a importância das conexões interpessoais. Reconhece que as relações não são meras trocas, mas sim construções que exigem tempo, investimento emocional e um acompanhamento exigente por parte dos outros.

Ana continua a explorar o papel que as pessoas significativas desempenham nas nossas vidas, salientando que aquelas que mais nos desafiam e exigem de nós são, muitas vezes, as que mais valorizamos. A oradora destaca a importância de sabermos o que damos e recebemos nas relações, incentivando todos a questionarem-se sobre a marca que deixam nas vidas dos outros. Coloca em perspectiva a ideia de que a construção das relações e da identidade não é um ato improvisado, mas sim um trabalho contínuo ao longo da vida, independentemente da idade.

Por fim, enfatiza que a verdadeira essência das relações está na autenticidade e na disposição para ser a melhor versão de nós próprios. Ana sugere uma atividade prática em que todos devem enviar mensagens a quatro pessoas, questionando-as sobre a marca que deixaram nas suas vidas. Este convite para a reflexão serve como um lembrete de que as relações humanas são valiosas e merecem ser nutridas com carinho e sinceridade.

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